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(A) :: "É o fim da minha carreira política". Starmer participa no último debate em Westminster antes de renunciar ao cargo de primeiro-ministro

"É o fim da minha carreira política". Starmer participa no último debate em Westminster antes de renunciar ao cargo de primeiro-ministro

O sucessor de Starmer na liderança do partido Trabalhista, Andy Burnham, não esteve presente nesta derradeira sessão e deverá assumir funções em Downing Street a 20 de julho.

António Moura dos Santos
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Agência Lusa
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O primeiro-ministro britânico demissionário, o trabalhista Keir Starmer, fez, esta quarta-feira, uma despedida emotiva naquele que foi o seu último debate semanal no parlamento — as chamadas “Prime-Minister’s Questions”, ou “PMQs” —, declarando o fim da sua carreira política.

“Todos os primeiros-ministros sabem, quando assumem o cargo, que chegará o dia em que terão de passar o testemunho. Esse dia chegou para mim. Este é o fim da minha jornada política”, afirmou, com a voz por vezes embargada, antes de sair sob uma ovação de aplausos — de deputados do seu partido e de muitos membros da oposição — e com a família a assistir da galeria do parlamento.

Keir Starmer anunciou no mês passado que se demitiria assim que fosse escolhido um sucessor na liderança do Partido Trabalhista.

O antigo presidente da Câmara de Manchester e atual deputado Andy Burnham deverá ser formalmente confirmado como líder do Partido Trabalhista na sexta-feira, durante um congresso extraordinário, e assumir funções em Downing Street a 20 de julho, após uma audiência com o Rei Carlos III, tornando-se o sétimo primeiro-ministro britânico em dez anos.

“Em seis anos, passei de uma derrota histórica em 2019 a uma vitória histórica em 2024. E, após dois anos no governo, deixo o país em melhor estado do que o encontrei“, reivindicou Starmer. “A todos aqueles na tribuna cujas vidas foram transformadas ou melhoradas por este governo trabalhista, e a todos aqueles em todo o país que lutam para serem vistos ou ouvidos: vocês são a razão pela qual entrei na política”, agradeceu.

Durante o debate, Keir Starmer apelou à unidade do parlamento na defesa da democracia e da segurança dos deputados, numa homenagem à antiga deputada conservadora Ann Widdecombe, assassinada na semana passada.

Starmer recordou que, ao longo dos seus 11 anos no parlamento, três deputados em funções ou antigos parlamentares foram assassinados, sugerindo que a Câmara dos Comuns (câmara baixa do parlamento) deve considerar uma homenagem a Ann Widdecombe semelhante à que foi dedicada a Jo Cox (trabalhista) e David Amess (conservador).

“Acredito que temos de fazer mais para defender a nossa democracia”, disse, apelando aos deputados de todos os partidos para se unirem nos próximos meses.

O primeiro-ministro britânico destacou ainda a aprovação na véspera da chamada “lei Hillsborough”, que classificou como uma vitória para as famílias das 97 vítimas da tragédia registada em 1989 no estádio de Hillsborough, marcada pela morte de adeptos do Liverpool durante um jogo de futebol.

No plano internacional, Starmer reiterou o apoio do Reino Unido à Ucrânia e à continuação do consenso multipartidário sobre o tema.

O debate foi marcado por um tom conciliador com a oposição, tendo o primeiro-ministro agradecido à líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, por gestos de solidariedade manifestados em privado em momentos difíceis, como aquando da morte do seu irmão ou quando a sua casa foi alvo de um ataque incendiário.

Badenoch retribuiu ao admitir que, apesar de ela e Starmer “raramente” terem concordado em qualquer matéria que fosse, mostrou “admiração” pelo primeiro-ministro demissionário ter convidado o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky a Downing Street logo após o seu desentendimento com Trump na Casa Branca, tendo “mostrado liderança” nesse ato.

A líder da oposição, todavia, não deixou de dedicar algumas farpas aos trabalhistas e a Andy Burnham, lembrando que o seu futuro adversário político não esteve presente em qualquer um dos debates semanais desde que foi eleito deputado, inclusive neste. A líder conservadora aproveitou então para questionar se Burnham não deveria responder a perguntas na Câmara dos Comuns em vez de “fugir para gozar o verão”.

Dado o clima amistoso na Câmara dos Comuns, a maioria dos deputados presentes optou por fazer homenagens a Starmer ou partilhar gracejos, muitos deles a propósito do jogo da meia-final do Campeonato Mundial de Futebol entre a Inglaterra e a Argentina. O deputado conservador Graham Stuart, por exemplo, afirmou que o primeiro-ministro tinha recebido um “cartão vermelho” de “400 árbitros duvidosos”, numa referência bem-humorada aos deputados trabalhistas, que na sua larga maioria deixaram de apoiá-lo.

Keir Starmer reuniu-se de manhã com o Governo pela última vez, após dois anos no cargo. O seu mandato, iniciado em julho de 2024, pôs fim a 14 anos de governos conservadores, mas ficou marcado por decisões controversas que fragilizaram a sua posição política.

Advogado de formação e conhecido por um estilo austero, Starmer viu a sua popularidade cair rapidamente, num contexto de crise do custo de vida e após uma sucessão de erros e recuos políticos.

A polémica em torno da nomeação de Peter Mandelson para embaixador nos Estados Unidos apesar das ligações ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, bem como as derrotas eleitorais do Partido Trabalhista em maio, contribuíram para a perda de apoio interno e precipitaram a sua saída.

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