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Pete Hegseth anuncia rastreio obrigatório aos níveis de testosterona para soldados com mais de 30 anos

Pentágono avança com exames anuais para militares mais velhos, sem revelar estudos que sustentam a medida nem as consequências para quem recusar tratamento.

António Moura dos Santos
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O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou esta quarta-feira que os soldados do exército norte-americano com 30 anos ou mais vão ser submetidos anualmente a exames para avaliar níveis de testosterona.

Num vídeo publicado na rede social X, Hegseth anunciou que o Departamento de Defesa vai inaugurar um programa de rastreio para garantir que os militares tenham os “níveis adequados de testosterona para atuarem no seu melhor”. “É um facto científico bem estabelecido que, à medida que envelhecemos, os níveis de testosterona costumam, naturalmente, diminuir”, declarou, sugerindo que a falta desta hormona tem impactos no desempenho militar.

“Como sabemos, o campo de batalha moderno é brutal e implacável e exige a máxima preparação psicológica e mental. Ao abordarmos estes indicadores de saúde numa fase precoce, estamos a mantê-los na vanguarda da letalidade e a proporcionar-lhes o mesmo nível de apoio que vocês prestam a esta nação — o melhor, sem dúvida”, afirmou o secretário da Defesa dos EUA, que já foi militar e cumpriu missões no Iraque e no Afeganistão.

Segundo Hegseth, o rastreio aos níveis de testosterona vai ser incluído nos exames médicos que já eram obrigatórios para todos os soldados com 30 ou mais anos, sendo opcional para oficiais abaixo desse limiar etário. Os tratamentos, no entanto, não são obrigatórios. “Se for recomendado tratamento, a decisão de receber terapia de substituição de testosterona é inteiramente vossa”, adverte, optando por destacar que esta iniciativa tem como foco proporcionar “cuidados médicos de elite” ao longo da vida para os militares.

No entanto, como aponta a revista The New Republic, Hegseth não deixou explícito quais as implicações se um soldado com 30 anos ou mais e com baixos níveis desta hormona recusar tratamentos. Além disso, a Associated Press nota que o Pentágono não respondeu a perguntas sobre quais as investigações ou estudos académicos que sustentavam esta medida.

O tema das terapias de substituição de testosterona tem vindo a tornar-se cada vez mais premente para a administração de Donald Trump, com vários responsáveis a defender publicamente um acesso mais fácil a este tratamento e a falar numa “crise” de baixa testosterona nos homens norte-americanos.

O The Guardian recorda, por exemplo, que Robert F. Kennedy Jr., o secretário da Saúde dos EUA, já referiu em várias ocasiões como a administração de injeções de testosterona faz parte do seu “regime antienvelhecimento”, tendo feito 72 anos em 2026. E que já alegou publicamente, e sem provas, de que os adolescentes americanos de hoje têm “50% da testosterona de um homem de 65 anos”.

Esta promoção das terapias de substituição de testosterona por parte do Departamento da Defesa dos EUA também ocorre num contexto tenso junto das forças armadas dos EUA, aponta a Associated Press. Em causa está o facto de, nos últimos anos, as forças de operações especiais terem vindo a ser alvo de escrutínio devido ao uso de testosterona e substâncias semelhantes para melhorar o seu desempenho. Em 2022, inclusive, foi registada a morte de um recruta dos Navy SEALs que tinha na sua posse várias substâncias, incluindo testosterona.

Este incidente levou a Marinha dos EUA a anunciar o início de um programa de testes para detetar “qualquer substância hormonal, química ou farmacologicamente relacionada com a testosterona, que promova o crescimento muscular”.

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