Os socialistas passaram a última semana a avisar que o inquérito parlamentar ao processo da correção digitalizada dos exames nacionais deste ano está cada vez mais perto de acontecer. Esta quarta-feira, na véspera do debate do Estado da Nação, o partido assumiu mais uma vez estar “menos otimista” de que o inquérito não seja necessário, mesmo que as notas sejam afixadas, como está previsto, esta sexta-feira: “O assunto das responsabilidades pelo que aconteceu não está encerrado e terá de ser trabalhado.”
Enquanto decorria a reunião da direção do partido, esta quarta-feira ao final da tarde, o deputado Porfírio Silva (que não faz parte desse grupo) admitia aos jornalistas esse caminho. Numa conferência de imprensa na sede nacional do PS, o socialista disse que perante “a sucessão de acontecimentos espantosos” e “a sucessão de testemunhos” que chegam de professores, o PS está “menos otimista de que isto [a situação dos exames nacionais] se possa esclarecer sem uma comissão parlamentar de inquérito do que no início”.
O partido, disse o socialista, “não tem por hábito lançar uma comissão de inquérito sem uma profunda reflexão”, mas está a um passo dessa iniciativa parlamentar, não esclarecendo se avançará com uma proposta própria ou apoiando a que já existe, do Bloco de Esquerda. Por agora, a prioridade é a resolução do processo atual, sendo certo que qualquer que seja o desfecho, na sexta-feira, os socialistas não descartam o inquérito, sobretudo se o Governo continuar “na saga do não se passa nada”: “Não podemos excluir a necessidade de uma comissão de inquérito para saber tudo o que se passou.”
O deputado socialista referiu várias vezes, na declaração que fez aos jornalistas ao final do dia, a necessidade de esclarecer a “raiz do ensarilhamento” nos exames nacionais, apontando ao “processo de destruição institucional que o ministro tem feito na sua área”. Porfírio Silva apontou à destruição dos “instrumentos na área da educação” e de “instituições na área da ciência” como exemplos dessa ação que atribui ao ministro Fernando Alexandre.
“A seguir temos de entrar em fase de escrutínio da responsabilidade política e técnica de tudo isto”, afirmou. E vai já apontando que é preciso “perceber por que isto aconteceu, por que se chegou aqui, que imprudências foram cometidas e o que há a fazer para corrigir”. Mas para já, o PS exige que “as pautas sejam publicadas com todo o rigor, confiabilidade, correspondendo rigorosamente ao que cada aluno fez na sua prova.” E que, no processo que se seguir, de eventuais pedidos de revisão de provas, o ministério possa “aligeirar a carga económica” dessa reapreciação para as famílias.
Na conferência de imprensa, o socialista também deixou críticas ao primeiro-ministro por ter apontado “resistências” por parte dos professores à reforma da digitalização dos exames que o Governo está a implementar. Disse que Montenegro está a atribuir “dolo” a uma classe ao lado da qual o PS se coloca o mais que pode, garantindo que “não é pelos professores que o processo falhará”.
https://observador.pt/2026/07/15/montenegro-promete-manter-reformas-na-educacao-e-saude-e-declara-guerra-a-burocracia-antes-do-debate-do-estado-da-nacao/
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