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(A) :: Ventura diz que "parece que Montenegro tem medo de falar de Luís Neves"

Ventura diz que "parece que Montenegro tem medo de falar de Luís Neves"

Líder do Chega considera “inaceitável” o “incómodo” de Luís Montenegro em falar sobre questões relacionadas com Luís Neves. Porém, diz que decisão de demitir ministro "cabe ao Governo".

Miguel Pereira Santos
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Agência Lusa
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André Ventura disse esta sexta-feira que “parece que o primeiro-ministro tem medo de falar do ministro da Administração Interna”. O líder do Chega considera “inaceitável” o “incómodo” de Luís Montenegro em falar sobre questões relacionadas com Luís Neves, nomeadamente as obras no seu monte alentejano e as alegadas ameaças a Ventura num recente debate quinzenal.

O líder do Chega disse que “ninguém está acima da lei” e acusou José Luís Carneiro de também ter medo de falar sobre o ministro da Administração Interna. Depois de reunir com António José Seguro em Belém, Ventura disse que a decisão sobre uma eventual demissão de Luís Neves “cabe ao Governo”. “Mas tem de começar por querer e parece que tem medo de o fazer”, acrescentou.

De qualquer maneira, Ventura considera que o ministro deve “retratar-se”, depois de terem sido conhecidas imagens da piscina no seu monte alentejano, que inicialmente dizia ser um tanque. O presidente do Chega comentou igualmente a ideia, sugerida pelo antigo ministro do PSD Miguel Relvas, de que o Executivo poderia apresentar uma moção de confiança num futuro próximo. “Não é ao líder da oposição que cabe avaliar se o Governo deve apresentar uma moção de confiança. O Governo deve avaliar se tem condições para isso, ou não.”

Na opinião de André Ventura, o país chega ao debate sobre o estado da nação com “um governo a degradar-se progressivamente, com falta de coordenação, com falta de autoridade e com decisões absolutamente erráticas, como se vê na questão dos exames” mas também “com um primeiro-ministro que parece não ter autoridade e ter medo de exercer essa autoridade”.

Ventura espera ter conversa com Montenegro sobre as alegadas ameaças de MAI

O presidente do Chega disse ainda esperar ter uma conversa com o primeiro-ministro sobre as alegadas ameaças do ministro da Administração Interna, negadas pelo próprio, e vai convocar os órgãos nacionais para decidir eventuais ações.

Em declarações aos jornalistas, após uma audiência com António José Seguro requerida pelo Chega sobre o “regular funcionamento do Governo”, Ventura adiantou que a convocação dos órgãos nacionais do partido apenas ocorrerá depois do debate sobre o estado da nação, agendado para quinta-feira, no parlamento.

“O senhor Presidente da República aceitou receber-nos rapidamente, tomou nota e registou também as nossas preocupações e agora o Chega terá amanhã a oportunidade no [debate sobre o] estado da nação de fazer também ver ao Governo e ao país o caráter totalmente inaceitável das declarações do senhor ministro da Administração Interna e daquilo que aconteceu”, acrescentou.

André Ventura disse ainda esperar ter “uma conversa em breve sobre este assunto” com o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Interrogado sobre se admite apresentar uma moção de censura ao executivo, André Ventura respondeu: “Teremos tempo para fazer essa avaliação”. “Amanhã é o debate do estado da nação, eu não queria contaminá-lo com nenhuma ação prévia àquilo que é importante”, acrescentou.

Esta audiência foi requerida na sequência da denúncia do Chega de que o presidente do partido, André Ventura, foi ameaçado verbalmente pelo ministro da Administração Interna no último debate quinzenal, acusação negada por Luís Neves. O Chega alegou que no debate quinzenal de 27 de maio, enquanto Ventura intervinha sobre o SIRESP, o ministro da Administração Interna dirigiu ameaças a André Ventura.

Para sustentar essa acusação, o Chega divulgou nas redes sociais um excerto das imagens capturadas pela ARTV do momento em questão. Contudo, não são audíveis as palavras do ministro Luís Neves. Segundo a leitura do Chega, que legendou o vídeo, Luís Neves teria afirmado que Ventura iria pagar pelo que estava a dizer no plenário sobre o SIRESP.

“Há suspeitas muito sérias que não podem ser ignoradas, o SIRESP é um desses casos. Não podemos deixar que uma ameaça, várias ameaças, uma forma de ameaçar silenciem o direito dos portugueses a saber e conhecer a verdade e ao escrutínio”, acrescentou Ventura. “O líder da oposição deixa de ser líder da oposição quando tem medo do que quer que seja da ação do Governo. Não há democracia sem haver liberdade de ação”, terminou.

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