Uma equipa internacional de cientistas identificou uma nova espécie de macaco do género Colobus, que vive na República Democrática do Congo e que pode já estar em risco de extinção, indica um estudo divulgado esta quarta-feira.
Batizado de Colobus congoensis, o primata “é apenas a quinta nova espécie de macaco identificada em África nos últimos 75 anos”, refere um estudo da Universidade Atlântica da Flórida (FAU), nos Estados Unidos.
Escondida numa região remota entre os rios Lomami e Congo, no centro-leste da RDCongo, a espécie ainda não tinha sido registada, apesar de décadas de exploração científica na África Central, mas o artigo publicado na revista PLOS One “sugere que pode já estar em risco devido à sua distribuição geográfica limitada, à perda de habitat e à pressão da caça”.
Com cerca de sete quilogramas, o C. congoensis tem uma pelagem preta brilhante, “com ombros que se assemelham a uma capa”, uma longa cauda ondulante, marcas perianais brancas e “uma vívida mancha laranja-creme à volta da boca e do nariz”, o que lhe dá “um aspeto marcante, semelhante a uma máscara, diferente de qualquer outro macaco conhecido do género Colobus”.
Para as comunidades locais é “Likweli” e “kasaba nkoni” (o agitador de ramos), um macaco esquivo e raramente visto.
A FAU afirma que alguns dos investigadores da equipa avistaram o primata pela primeira vez em 2008 e tiraram-lhe uma fotografia parcialmente obscurecida, mas só 10 anos depois, quando voltaram a encontrar o animal e obtiveram uma imagem mais nítida, foi decidida uma investigação mais aprofundada sobre ele.
Entre 2018 e 2022, foram registados 114 avistamentos numa área estimada de apenas 1.700 quilómetros quadrados, “invulgarmente pequena para os macacos Colobus”.
Os cientistas recorreram a análises genéticas, anatómicas e acústicas e confirmaram que o macaco representa uma linhagem evolutiva distinta que há aproximadamente 4 a 5 milhões de anos divergiu do seu parente conhecido mais próximo, o Colobus satanas, “uma das mais antigas divisões evolutivas conhecidas dentro da linhagem Colobus”, segundo Kate Detwiler, professora associada de Ciências Biológicas na FAU.
Junior Amboko, estudante de doutoramento na mesma universidade e explorador da National Geographic, coautor correspondente do artigo, considerou a descoberta “emocionante e profundamente pessoal”, destacando a “extraordinária biodiversidade” da sua terra natal e “o quanto ainda permanece por documentar”.
“Foi uma honra dar o nome à espécie Colobus congoensis, reconhecendo o notável património natural da Bacia do Congo e assinalando, pensamos, o primeiro primata nomeado em homenagem à República Democrática do Congo”.
A descoberta do C. congoensis enfatiza também a importância científica do Parque Nacional de Lomami (onde se encontra a maior parte do seu habitat conhecido) e da sua zona tampão na RDCongo, casa de um outro primata descoberto em 2012 por vários membros desta equipa de investigação: o “lesula” (Cercopithecus lomamiensis).
John Hart, biólogo conservacionista e primeiro autor do artigo, que chefiou a equipa que descobriu o “lesula”, salienta que “a Bacia do Congo continua a ser uma das últimas grandes fronteiras do mundo para a descoberta de mamíferos”.
“Mesmo em regiões que já foram exploradas cientificamente, ainda estão a ser descobertas espécies inteiramente novas. Esta descoberta ressalta a quantidade de biodiversidade que permanece por registar na Bacia Central do Congo e como esta região continua a remodelar a nossa compreensão da evolução e conservação dos primatas”, acrescenta o cientista da Fundação para a Investigação de Vida Selvagem de Lukuru, na RDCongo.
Ao mesmo tempo que o C. congoensis entra para o registo científico, os cientistas propõem que, devido aos riscos que corre, a espécie integre a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza como Ameaçada de Extinção.
“A descoberta do Colobus congoensis é um triunfo científico, mas também um lembrete preocupante de que algumas das criaturas mais raras da Terra podem desaparecer antes mesmo de o mundo saber que elas existem”, nota Kate Detwiler.
A equipa internacional incluiu também cientistas das universidades de Yale e da Cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, do Parque Nacional de Lomami e da Sociedade Zoológica de Frankfurt, na Alemanha.