Vêm a caminho mais poeiras do Saara. São velhas conhecidas, com aquela areia alaranjada muito fininha, que deixa o céu baço, quase sem que se veja o Sol, suja a roupa estendida, as janelas e os carros parados: e, se chover, cai aquela chuva de lama que deixa tudo coberto por uma película castanha ainda mais difícil de ignorar. Às vezes surgem discretamente, quase sem darmos por elas, e passam depressa. Outras, transformam a paisagem durante vários dias e pioram a qualidade do ar. Durante muito tempo foram vistas apenas como areia transportada pelo vento quando este está de leste ou sul. Mas essa explicação está longe de contar toda a história.
As nuvens de poeiras, como a que vai chegar no fim de semana a Portugal, podem transportar partículas suficientemente pequenas para entrarem profundamente nos pulmões, alterar a quantidade de energia solar que chega à superfície da Terra, influenciar a formação de nuvens e até modificar a chuva que cair. Mas traz também ferro, fósforo, cálcio, magnésio, bactérias, fungos e milhões de outros microrganismos invisíveis. Parte desse material acaba por fertilizar o Atlântico e a Amazónia. Outra parte faz o mesmo ao Mediterrâneo e chega aos solos portugueses: e é precisamente isso que investigadores da Universidade de Lisboa estão agora a estudar nas vinhas nacionais.
É uma viagem que começa no maior deserto quente do planeta e termina, dias depois, em locais separados por milhares de quilómetros. Isso obriga os cientistas a olhar para estas poeiras de uma forma muito diferente: aquilo que representa um risco para a saúde pode, ao mesmo tempo, desempenhar um papel importante na agricultura e no funcionamento de alguns ecossistemas. Até porque a sua frequência também está a aumentar, e o nosso país é dos mais afetados.
Há cada vez mais poeiras do deserto na Europa. E Portugal está entre as regiões mais expostas
As nuvens de poeiras do Saara sempre fizeram parte da meteorologia europeia, mas a sua intensidade está a aumentar. Um estudo liderado por Petros Vasilakos, do Instituto Paul Scherrer (PSI), na Suíça, concluiu que a concentração de poeiras do deserto na atmosfera europeia subiu de forma significativa ao longo da última década. A equipa, coordenada por Kaspar R. Dällenbach, analisou medições realizadas em mais de uma centena de estações espalhadas pela Europa e concluiu que a quantidade de poeira aumentou, em média, cerca de 0,5 microgramas por metro cúbico, o equivalente a um crescimento entre 10% e 25%. O trabalho foi publicado na revista Communications Earth & Environment.
À primeira vista, meio micrograma por metro cúbico pode parecer uma diferença irrelevante, mas não é. “Não é negligenciável, tanto em termos da eficiência das grandes instalações solares como dos impactos na saúde provocados pelo aumento da poluição por partículas”, explica Kaspar Dällenbach, investigador do Centro de Energia e Ciências Ambientais do PSI. O aumento também não é igual em todo o continente: os países do sul da Europa — onde se encontra Portugal — registam as concentrações mais elevadas. A média ronda os 5,3 µg/m³, mais do dobro dos 2,1 µg/m³ observados no centro e norte da Europa. A proximidade ao Norte de África e a circulação atmosférica explicam esta diferença.
Para chegar a estas conclusões, os investigadores recorreram a uma combinação pouco habitual de ferramentas. Além dos dados recolhidos nas estações de monitorização da qualidade do ar, utilizaram algoritmos de inteligência artificial capazes de distinguir as poeiras do deserto das partículas produzidas pelos transportes, pela indústria ou pelos incêndios. Dessa forma conseguiram isolar apenas a contribuição do Saara. Mas quiseram ir ainda mais longe. Para perceber se esta tendência era recente ou fazia parte de uma evolução muito mais longa, recorreram a um arquivo natural do clima: os testemunhos do gelo recolhidos no glaciar de Colle Gnifetti, na fronteira entre a Suíça e a Itália. À medida que a neve se acumula e transforma em gelo, vai aprisionando partículas transportadas pela atmosfera. Cada camada funciona regista o que aconteceu naquele ano.

A análise desses núcleos de gelo revelou que a quantidade de poeiras do deserto depositada nos Alpes mais do que duplicou desde o início da industrialização, há cerca de 150 anos. Ou seja, o aumento observado na última década faz parte de uma tendência muito mais longa. Os investigadores acreditam que o número de tempestades de poeira no Saara e na Península Arábica não aumentou, o que mudou foi a intensidade de muitos desses episódios. “As tempestades tornaram-se mais intensas ao longo dos dez anos estudados e, como resultado, transportam agora mais poeira para a Europa do que antes”, explica Petros Vasilakos, primeiro autor do estudo.
As causas continuam a ser investigadas, mas a equipa aponta vários fatores que poderão estar a contribuir para esta evolução. Entre eles estão a dessecação progressiva do Saara, a degradação dos solos e alterações nos padrões de circulação atmosférica, que parecem favorecer ventos mais fortes em direção à Europa. Segundo Kaspar Dällenbach, é provável que o aquecimento global provocado pelas emissões humanas esteja a facilitar este processo, ao criar condições mais secas e favorecer a expansão das áreas desérticas. Os autores sublinham, contudo, que esta relação continua a ser objeto de investigação e que não pode ser estabelecida de forma automática para todos os episódios de poeiras.
O estudo deixa ainda um aviso que vai muito além da meteorologia. Ao contrário da poluição produzida pelos automóveis ou pela indústria, as poeiras do deserto não podem ser reduzidas diretamente através de legislação ambiental. Por isso, os investigadores defendem a criação de sistemas específicos de alerta para episódios de poeiras, semelhantes aos já existentes para o ozono ou outras partículas atmosféricas. Esses avisos permitiriam proteger melhor os grupos mais vulneráveis e ajudariam também setores como a energia solar a antecipar perdas de produção provocadas pela acumulação de poeira nos painéis fotovoltaicos.
Não é uma tempestade de areia a atravessar o céu
A imagem mais comum é a de enormes quantidades de areia a levantarem-se do deserto. Mas não é isso que normalmente chega a Portugal. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), num estudo que saiu nos últimos dias, os grãos maiores de areia são demasiado pesados para percorrer longas distâncias e acabam por cair relativamente perto do local de onde saíram. Mas os mais leves conseguem atravessar continentes: são partículas muito mais pequenas, chamada poeira mineral. Com apenas alguns micrómetros de diâmetro, podem subir vários quilómetros na atmosfera, entrar nas grandes correntes de circulação e permanecer em suspensão durante dias ou mesmo semanas antes de regressarem ao solo.
https://twitter.com/AEMET_Esp/status/2076672265911939410
Todos os anos, cerca de dois mil milhões de toneladas de poeira entram na atmosfera terrestre. Mais de 80% tem origem nos desertos do Norte de África e do Médio Oriente, sobretudo do Saara. O fenómeno é essencialmente natural, mas já não é exclusivamente natural. A própria OMM estima que cerca de um quarto das emissões globais esteja hoje associado à atividade humana, através da degradação dos solos, da desflorestação, da agricultura intensiva ou da utilização insustentável dos recursos hídricos, que deixam mais terreno exposto à ação do vento.
https://twitter.com/meteoredcom/status/2076991971944480908
Não significa que cada episódio de poeiras em Portugal seja provocado pelas alterações climáticas ou pela desertificação: a circulação da atmosfera continua a ser decisiva. Para que a poeira saia do Norte de África e chegue à Península Ibérica é necessária uma configuração muito específica dos ventos. Quando depressões se instalam a oeste de Portugal ou no Atlântico, conseguem transportar massas de ar provenientes do Saara diretamente para a Península. Noutras ocasiões, a viagem segue para oeste e atravessa todo o Atlântico até à Amazónia, às Caraíbas e aos Estados Unidos.
Foi isso que aconteceu, por exemplo, em junho de 2020, quando uma gigantesca pluma de poeira atravessou o oceano, reduziu drasticamente a visibilidade em várias ilhas das Caraíbas e deteriorou a qualidade do ar em vários estados do sul dos Estados Unidos, num dos episódios mais intensos das últimas décadas.
Hoje os satélites conseguem seguir uma poeira desde o Saara até Portugal
Há poucas décadas, estes episódios eram acompanhados apenas quando já estavam a acontecer. Hoje, uma nuvem de poeiras pode ser seguida quase em tempo real desde o momento em que é levantada no deserto. Os satélites observam continuamente a atmosfera e medem a quantidade de partículas em suspensão através de um parâmetro chamado profundidade ótica dos aerossóis. Quanto maior for esse valor, maior é a quantidade de poeiras, fumo (dos incêndios) ou outras partículas existente entre a superfície e o espaço.
Mas os satélites, por si só, não chegam. As imagens são combinadas com medições feitas à superfície e com modelos atmosféricos que simulam a direção dos ventos, a humidade, a chuva e a forma como as partículas sobem, viajam e acabam por cair novamente. É esse trabalho que realiza o Serviço de Monitorização da Atmosfera do programa europeu Copernicus (CAMS), que permite prever vários dias antes quando uma nuvem de poeiras poderá atingir Portugal ou qualquer outro ponto da Europa.

A própria Organização Meteorológica Mundial coordena uma rede internacional dedicada exclusivamente a este fenómeno. Um dos centros de referência fica em Barcelona, é operado pela agência meteorológica espanhola (AEMET) e pelo Barcelona Supercomputing Center e combina previsões produzidas por vários modelos internacionais para emitir avisos destinados aos serviços meteorológicos, autoridades de saúde, aviação (outro dos serviços fortemente afetado pelas poeiras, este dos transportes) e agricultura.
É graças a este sistema que hoje é possível avisar a população antes da chegada de um episódio de poeiras, algo que há poucos anos seria praticamente impossível.
Muito mais do que um problema de saúde
Quando as poeiras chegam a Portugal, a principal preocupação costuma ser a qualidade do ar, e há razões para isso. As partículas mais pequenas conseguem ser inaladas e entrar profundamente no aparelho respiratório. Durante estes episódios aumentam as concentrações de PM10 e PM2,5, precisamente as partículas associadas ao agravamento de doenças como a asma, a bronquite, a doença pulmonar obstrutiva crónica e vários problemas cardiovasculares. Além disso, a poeira pode transportar consigo pólen, fungos, bactérias e outros microrganismos.
É por isso que tanto a Direção-Geral da Saúde como o IPMA costumam recomendar que crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias evitem esforços físicos prolongados ao ar livre durante estes episódios. Mas a Organização Meteorológica Mundial chama a atenção para outro aspeto importante. Quando refere que as poeiras afetam a saúde, não está a falar apenas daquilo que acontece em Portugal. Está a olhar para o fenómeno à escala global.

Nas grandes tempestades registadas junto às regiões de origem, sobretudo no Norte de África e no Médio Oriente, as concentrações de partículas PM10 podem ultrapassar os 3.000 microgramas por metro cúbico. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a média diária não ultrapasse 45 microgramas por metro cúbico. Ou seja, durante alguns destes episódios extremos podem registar-se valores superiores a 60 vezes o limite recomendado pela OMS. Em Portugal, as concentrações são normalmente muito inferiores, mas ainda assim suficientemente elevadas para degradar a qualidade do ar e justificar recomendações de saúde pública. Mas limitar os efeitos das poeiras à saúde seria voltar a contar apenas metade da história.
Os outros efeitos das poeiras: nos transportes, na energia, na agricultura e no mar e até na chuva
A Organização Meteorológica Mundial lembra que estes episódios têm impactos muito mais vastos e que atingem setores que, à primeira vista, pouco parecem ter a ver com um deserto africano. Os transportes são um dos exemplos: não porque a poeira danifique aviões ou automóveis, mas porque reduz drasticamente a visibilidade. Nas regiões onde as tempestades são mais intensas, sobretudo no Norte de África e no Médio Oriente, estradas chegam a ser encerradas, voos são adiados ou cancelados e a navegação marítima torna-se mais difícil. Em Portugal esse cenário é raro, mas a diminuição da visibilidade pode também ser relevante durante alguns episódios mais intensos.
Outro impacto menos conhecido acontece na produção de energia. As partículas acabam por se depositar sobre os painéis solares, formando uma camada que reduz a quantidade de luz que chega às células fotovoltaicas. Quanto mais poeira se acumula, menor é a produção de eletricidade. Nos países desérticos, onde coexistem grandes centrais solares e tempestades frequentes, este é um problema conhecido e com custos económicos significativos. Também em Portugal os operadores acompanham estes episódios, sobretudo quando coincidem com períodos prolongados sem chuva, que impedem a limpeza natural dos painéis.
https://www.youtube.com/watch?v=0VwnONbc1gc
Na agricultura, os efeitos também seguem duas direções diferentes. A poeira pode cobrir folhas, reduzir temporariamente a fotossíntese e transportar agentes patogénicos que afetam algumas culturas. Mas essa mesma poeira leva consigo ferro, fósforo, cálcio, magnésio e outros minerais essenciais ao crescimento das plantas. É precisamente neste equilíbrio entre risco e benefício que entram as investigações portuguesas.
Os ecossistemas também dependem, em parte, desta enorme circulação atmosférica. Parte da poeira que cai sobre o Atlântico ou o Mediterrâneo fornece nutrientes ao fitoplâncton, os organismos microscópicos que constituem a base da cadeia alimentar marinha e desempenham um papel importante na captura de dióxido de carbono. Outra parte continua viagem e chega à Amazónia, onde ajuda a compensar os nutrientes que a floresta perde todos os anos devido às chuvas intensas.
Há ainda outro efeito menos visível. As partículas de poeira funcionam frequentemente como núcleos de condensação, pequenas superfícies onde o vapor de água pode condensar para formar gotículas de nuvem. Sem estas partículas, muitas nuvens teriam muito mais dificuldade em formar-se. Isso não significa que mais poeira produza automaticamente mais chuva. O processo é bastante mais complexo: dependendo do tamanho das partículas, da altitude, da temperatura e da humidade, as poeiras podem facilitar a formação das gotículas, alterar a sua dimensão ou até atrasar a chuva. É uma das áreas que continua a ser mais estudada pelos climatologistas porque influencia diretamente os modelos meteorológicos e climáticos.
É precisamente por isso que a Organização Meteorológica Mundial considera hoje as poeiras um fenómeno com impacto simultâneo na saúde, nos transportes, na agricultura, na energia, nos ecossistemas e no próprio ciclo da água.
Afinal, a poeira também pode fertilizar?
Foi esta pergunta que levou a um projeto de investigação desenvolvido pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, coordenado pelo investigador Ricardo Dias e com a participação da investigadora Andreia Figueiredo: queriam olhar para as poeiras do Saara de outra forma. Tudo começou depois da tempestade Celia, em março de 2022: o episódio cobriu grande parte da Península Ibérica com poeira africana e deixou uma oportunidade rara para recolher amostras diretamente sobre solos agrícolas portugueses. A equipa quis perceber uma coisa aparentemente simples: afinal, o que viaja escondido naquela poeira?
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A resposta foi muito mais complexa do que esperavam. Além dos minerais já conhecidos, as amostras continham uma enorme diversidade de bactérias, fungos e outros microrganismos transportados durante milhares de quilómetros desde o Norte de África. Alguns podem representar riscos para determinadas culturas agrícolas, mas outros revelaram exatamente o contrário. Os investigadores identificaram bactérias com potencial para atuar como rizobactérias promotoras do crescimento das plantas. Traduzido para linguagem menos técnica, tratam-se de microrganismos que vivem junto das raízes, ajudam as plantas a absorver nutrientes, estimulam o crescimento e podem aumentar a resistência ao stress provocado pela seca ou por algumas doenças.
Foi precisamente por isso que as vinhas portuguesas foram escolhidas como um dos casos de estudo. Num país onde a viticultura tem enorme peso económico e cultural, perceber de que forma estes microrganismos alteram o microbioma dos solos poderá abrir novas linhas de investigação sobre fertilização natural e agricultura sustentável. Os próprios investigadores sublinham que ainda é cedo para retirar conclusões definitivas. Ainda não se sabe durante quanto tempo estes organismos sobrevivem nos solos portugueses, se conseguem instalar-se de forma permanente ou se os benefícios observados em laboratório se confirmam no terreno. Mas o estudo, recuperado este ano pelo The Guardian, mostra que a velha ideia de que as poeiras do Saara são apenas um problema ambiental já não corresponde ao conhecimento científico atual.
A floresta amazónica depende, em parte, de um deserto africano
É provavelmente uma das ligações mais improváveis do planeta. Mas os solos da Amazónia são relativamente pobres em fósforo porque as chuvas intensas lavam continuamente esse nutriente água abaixo. Ainda assim, a floresta continua a crescer e parte da explicação está no outro lado do Atlântico. A NASA demonstrou, recorrendo ao satélite CALIPSO, que uma parte da poeira levantada no Saara atravessa o oceano e deposita-se sobre a floresta amazónica. Todos os anos chegam à bacia amazónica cerca de 27 milhões de toneladas de poeira, contendo aproximadamente 22 mil toneladas de fósforo, praticamente a mesma quantidade que a floresta perde anualmente devido à erosão provocada pela chuva.
Grande parte desse fósforo tem origem numa antiga bacia situada na depressão de Bodélé, no Chade, considerada uma das maiores fontes naturais de poeira do planeta: esses sedimentos levantados pelo vento em África alimentam ecossistemas marinhos durante a travessia do Atlântico e acabam por contribuir para manter uma das maiores florestas tropicais do mundo.
https://www.dailymotion.com/video/xaoy1ju
Um fenómeno natural… mas que pode mudar
As poeiras do Saara existiam muito antes de se falar em alterações climática, fazem parte do funcionamento normal do sistema terrestre. Mas o contexto está a mudar. Neste novo estudo, a Organização Meteorológica Mundial alerta que a degradação dos solos, a desertificação, as secas mais prolongadas e algumas práticas agrícolas estão a aumentar a disponibilidade de sedimentos que podem ser levantados pelo vento. Ao mesmo tempo, mais pessoas vivem em regiões expostas, mais infraestruturas dependem da qualidade do ar e da visibilidade e cresce a produção de energia solar, tornando os impactos económicos mais relevantes.
Ainda assim, os cientistas evitam estabelecer uma relação direta entre alterações climáticas e aumento das tempestades de poeira. Para que uma tempestade se forme não basta haver solos secos, é necessário que existam também ventos suficientemente fortes e uma circulação atmosférica favorável ao transporte das partículas. É essa combinação que determina se a poeira ficará perto do deserto ou acabará por atravessar oceanos.
Da próxima vez que olhar para um carro coberto de lama, para o chão todo sujo ou para um céu alaranjado, talvez valha a pena pensar na viagem daquela poeira toda.