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(A) :: Casal americano e ex-ministra da Cultura criam fundação e lançam revista literária

Casal americano e ex-ministra da Cultura criam fundação e lançam revista literária

A Lisbon Literary Review é o primeiro projeto da Futura, fundação estabelecida por Ruth Shaber, Glenn Barnes e Graça Fonseca. Sede é num prédio em recuperação em Lisboa.

Rita Cipriano
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Lisboa tem uma nova revista literária. A Lisbon Literary Review nasceu da vontade de um norte-americano residente em Lisboa (Glenn Barnes) e de uma professora de português (Daniela Pereira), que partilham a paixão pela literatura e, em especial, pela poesia. O projeto trimestral bilingue, que pretende dar a conhecer poetas e artistas que produzam obras em inglês, português ou em ambas as línguas, faz parte da Fundação Futura, uma instituição de iniciativa privada, sem fins lucrativos, estabelecida em Lisboa em 2024 pela filantropa norte-americana Ruth Shaber, o marido, o ex-advogado e professor universitário Glenn Barnes, e a ex-ministra da Cultura Graça Fonseca. A revista literária com foco na poesia foi lançada a 8 de julho, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, num momento em que a Futura, fundada para imaginar “um futuro em que as possibilidades e a imaginação são infinitas”, começa a dar os primeiros passos com algumas pequenas iniciativas, que incluem o Futura Time Machine, que juntou, no final da semana passada, no Círculo Universitário do Porto, vários especialistas “numa viagem até ao ano de 2050”.

Ruth Shaber e Glenn Barnes viviam apenas há dois em Portugal quando a filantropa e ex-médica obstetra conheceu Graça Fonseca através de um contacto em comum e a ideia do que viria a ser a Futura começou a germinar. O casal de norte-americanos estabeleceu-se em Lisboa em setembro de 2021, um ano após terem comprado, à distância, uma casa no centro da cidade. Quando Donald Trump foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América pela primeira vez, em 2017, Ruth Shaber e Glenn Barnes concluíram que precisavam de um “plano B” e decidiram procurar uma segunda casa na Europa. “O meu sonho, e acho que também o da Ruth, era ter uma casa em Itália. Era onde queríamos viver. Mas, na altura, o programa de ‘Vistos Gold’ era acessível e podíamos comprar uma casa em Lisboa”, contou o ex-advogado e professor universitário ao Observador. Decidiram-se, então, por Lisboa, e começaram a dividir o tempo entre Portugal e os Estados Unidos. A primavera e o outono são sempre passados em Lisboa mas, mais recentemente, o casal começou a viajar também para Portugal no inverno e no verão.

Em 2023, durante a primeira conversa com a ex-ministra da Cultura, Ruth Shaber, fundadora e presidente da Tara Health Foundation, que promove a igualdade de género, económica e racial nos Estados Unidos, perguntou a Graça Fonseca quais eram os principais desafios que Lisboa e o país enfrentavam. A antiga governante, que foi ministra da Cultura entre 2018 e 2022, durante o primeiro mandato de António Costa, respondeu que o maior problema era a habitação acessível, sobretudo para os mais jovens. Ruth Shaber e o marido decidiram, então, estabelecer uma fundação em Lisboa e criar uma residência para jovens mulheres “audazes”, em início de carreira. E assim nasceu a Futura, que terá como sede um edifício de seis andares no coração do Chiado aquirido por Ruth Shaber e Glenn Barnes de propósito para receber a fundação. O organismo foi registado a 21 de outubro de 2024, e a sua instituição retificada cerca de seis meses depois, a 11 de abril de 2025. De acordo com os documentos de retificação da instituição da fundação, os fundadores Ruth Shaber, Glenn Barnes e Graça Fonseca avançaram com uma dotação inicial de 250 mil euros. Desses, 248 mil euros foram entregues por Ruth Shaber, e os restantes dois mil euros por Glenn Barnes e Graça Fonseca, divididos em partes iguais.

A informação disponível no site da Futura, que replica o que ficou estabelecido nos seus estatutos, consultados pelo Observador, refere que a missão da fundação é “promover mudanças positivas e fomentar uma cultura de inovação, colaboração e cidadania global na comunidade de pensadores do futuro, empenhando-se na resolução dos desafios mais prementes dos nossos tempos, em Portugal e no planeta, reunindo indivíduos de todas as idades e origens para criar um futuro mais justo e sustentável”. Para atingir os seus fins, a Futura pode estabelecer colaborações com entidades nacionais ou internacionais, desenvolver diferentes tipos de iniciativas, que podem incluir, por exemplo, incentivar o estudo e a investigação em áreas de interesse, “conceder bolsas e atribuir prémios ou outros incentivos, incluindo financeiros”, “organizar conferências, seminários e qualquer tipo de eventos”, e “editar e publicar, sob qualquer forma, estudos e obras nos diversos domínios em que intervenha”. É neste último ponto que parece enquadrar-se a publicação de uma revista literária de poesia, um dos poucos projetos entretanto lançados pela fundação, que prefere manter os seus próximos projetos em segredo. Além da iniciativa Time Machine, que vai ser estendida a outros pontos do país (em setembro, chegará a Coimbra), a Futura lançou também um podcast, “Future Tense”, conduzido por Leonor Rothes, diretora de operações, em que os convidados são instados a imaginar como será o mundo daqui a 50 anos.

Uma residência para hospedar 12 jovens mulheres portuguesas “audazes”: o grande projeto da Futura

O registo da Fundação Futura refere que a sua sede fica localizada no rés-do-chão do n.º 58 da Rua da Emenda, em Lisboa. O edifício adquirido por Ruth Shaber e Glenn Barnes depois de ambos se terem apercebido da dificuldade de acesso à habitação pelos jovens em Portugal, encontra-se atualmente em obras e, por essa razão, a equipa da Futura encontra-se atualmente a trabalhar numa outra zona do Chiado. Se tudo correr como planeado, a sede da fundação deverá abrir portas em 2027, aos membros da equipa mas também ao público, uma vez que os planos para a Futura incluem a realização de eventos abertos à comunidade.

Com uma área bruta de 1.628 metros quadrados, cinco pisos acima do solo e um abaixo da cota de soleira, de acordo com o anúncio de venda do prédio, ainda online, o edifício na Rua da Emenda, perto do Elevador da Bica, data do período de 1770 a 1780. Os dois últimos pisos são mais tardios, do final do século XIX — quando, segundo a documentação disponível da base do Arquivo Municipal de Lisboa, pertencia a António Rodrigues Vieira — e das primeiras décadas do século XX. O último andar, e também o mais recente, será habitado por Ruth Shaber e Glenn Barnes. Embora se trate de um edifício histórico, a Câmara Municipal de Lisboa permitiu que se mexesse no telhado para a construção de uma mezzanine, onde será instalada uma biblioteca, revelou o ex-advogado ao Observador. O segundo, terceiro e quarto andares serão transformados numa residência — um dos grandes projetos da Futura —, destinada a hospedar, em quarto próprio, 12 mulheres portuguesas, entre os 25 e os 35 anos, que sejam “audazes, que tenham grandes ideias e que queiram fazer parte de um tipo de projeto socialmente progressista” que procura responder aos principais desafios que Portugal e o mundo enfrentam, explicou Glenn Barnes. Nos pisos inferiores, haverá um espaço “comunitário”, com uma biblioteca e uma área para exposições, concertos e leituras públicas, um café e um jardim “para aproximar a comunidade”, disse Ruth Shaber durante o lançamento da Lisbon Literary Review, na Casa Fernando Pessoa.

As mulheres que virão a beneficiar das bolsas da Futura terão direito a alojamento gratuito no edifício da Rua da Emenda durante um ano. As despesas de alimentação também ficarão a cargo da fundação. Cada bolseira trabalhará num projeto individual, mas haverá também um “projeto colaborativo”. “Como a Graça [Fonseca] está sempre a dizer: estamos a apoiar mulheres, não o projeto”, afirmou o ex-advogado norte-americano. “Não somos uma incubadora. Queremos ajudá-las a ganhar formação e pô-las em contacto com os recursos certos para acelerarem as suas carreiras e projetos.” Em conversa com o Observador, Glenn Barnes disse ter consciência de que a residência não vai resolver o problema da habitação em Lisboa, mas, se calhar, vai ajudar a “criar um modelo para alguma coisa, e uma das questões sociais que a Futura vai pedir a essas mulheres que abordem é a habitação social acessível. Ou a migração, a democracia e a limpeza dos oceanos — esse tipo de projetos”, especificou. Graça Fonseca, no lançamento da Lisbon Literary Review, destacou também que este não é um projeto para suprir a falta de alojamento na capital, embora a fundação tenha surgido na sequência de uma conversa sobre o problema da habitação. Porém, talvez, venha a contribuir para a criação de “algo que ajude o país”, através da cedência de um espaço em Lisboa a “mulheres que, de outra forma, não [o] teriam”. Um “espaço com capacidade e recursos para fazer a diferença”, destacou a antiga governante.

Uma revista literária focada na poesia: o primeiro projeto da Futura

O primeiro projeto da Futura a sair do papel, a revista literária Lisbon Literary Review, nasceu do encontro fortuito entre os editores Glenn Barnes e Daniela Pereira. Antes de se instalarem em Portugal, Glenn Barnes e a mulher não tinham qualquer conhecimento da língua portuguesa, o que dificultava a comunicação do dia-a-dia. O casal vive numa zona histórica da cidade e os vizinhos, mais velhos do que eles, não falam inglês. “A Ruth e eu somos mais velhos e não aprendemos línguas facilmente. A Daniela foi nossa tutora”, contou Glenn Barnes ao Observador. Começaram a ter aulas há cerca de cinco anos e Daniela Pereira, que se tornou uma amiga próxima, garante que, embora o ex-advogado raramente se atreva a falar português “porque tem vergonha”, “já vai falando, e fala muito melhor do que diz que fala”. Durante uma conversa telefónica com o Observador, a professora de português destacou a grande vontade que tanto Glenn Barnes como a mulher têm de se integrarem em Portugal e de “consumirem cultura”. “Eles não querem estar em Portugal só porque tem sol e pastéis de nata”, brincou. Também Graça Fonseca destacou o “exemplo positivo” do casal, “dois norte-americanos que escolherem o país para viverem e que querem fazer algo positivo”, disse, durante a apresentação da revista, a 8 de julho.

A certa altura, enquanto decorriam as aulas de português, o ex-advogado, que escreve poesia desde jovem e que contribuiu com poemas para diferentes publicações nos Estados Unidos, perguntou a Daniela Pereira, com quem partilha a paixão pela poesia, se estaria disponível para traduzir para português alguns dos seus textos. Inicialmente, “nem era com a intenção de os publicar em algum lado. Era mesmo porque ele adora Portugal, adora português, e gostava de ver os seus poemas em português”, explicou a coeditora da Lisbon Literary Review. As traduções eram feitas em conjunto. “Passávamos horas juntos naquilo. Era mesmo, mesmo muito giro, porque era um tradutor a falar com um autor” sobre o seu trabalho e como passar os seus poemas para outra língua. Há cerca de dois anos, o poeta perguntou a Daniela Pereira se conhecia alguma revista portuguesa onde pudessem publicar as traduções. Depois de alguma pesquisa, a professora de português rapidamente concluiu que não existia nenhuma publicação que correspondesse àquilo que o ex-advogado procurava. “Existem algumas [revistas de poesia em Portugal], mas aquilo que ele queria [não existe], porque ele é americano, e nós sabemos que as revistas na América são outra realidade, porque há mercado.” Daniela Pereira explicou isso a Glenn Barnes, que lhe respondeu imediatamente: “Vamos criar a nossa”. “Começámos e, dois anos depois, aqui estamos.”

Depois de estarem resolvidas as burocracias inerentes à criação de qualquer revista, deu-se início à divulgação do projeto, em fevereiro deste ano. Numa primeira fase, foram afixados cartazes em diferentes livrarias do país. Em abril, a “chamada” pedindo contribuições para o número inaugural da revista literária foi estendida às redes sociais da Futura. O número de respostas superou, desde logo, as expectativas dos editores, que contavam receber muito menos contactos. “Quando a Daniela e eu começámos, disse-lhe que seria ótimo se tivéssemos 30 ou 40 páginas de poesia. Não seria incrível — seria mais como uma brochura [do que uma revista] —, mas era um começo. Era o primeiro número, ninguém sabia quem éramos”, contou Glenn Barnes. “Quando nos reunimos com a gráfica, dissemos que a revista teria 60 páginas. Ficou com 120. É óbvio que existe público que quer ter uma revista como esta”, acrescentou.

Desde fevereiro, o número de submissões não tem parado de aumentar. De tal forma que Daniela Pereira ainda não conseguiu ler alguns dos emails que recebeu em abril, quando a divulgação ganhou um novo fôlego com a chegada às redes sociais, mas garante que todos os contactos terão resposta. “Neste momento, a maior dificuldade é mesmo a quantidade de submissões que temos tido”, admitiu, detalhando que, desde o lançamento, na Casa Fernando Pessoa, “caiu uma chuvada” de mensagens. “Não me estou mesmo a queixar, tem sido muito bom. Superou as expectativas, principalmente as minhas”, disse, admitindo que, inicialmente, temia que o número de participações fosse demasiado baixo e Glenn Barnes, que tinha “mais esperanças”, ficasse desiludido.

As 120 páginas do número inaugural da revista reúnem textos em verso, o principal foco da publicação, mas também prosa, da autoria de 20 autores e tradutores. A maioria são jovens que começam agora a dar os primeiros passos no mundo da literatura. Os únicos nomes facilmente reconhecíeis serão os de José Manuel Barroso, antigo jornalista e diretor do Primeiro de Janeiro e Diário de Notícias, que nos últimos anos se tem dedicado à escrita de poesia e de ficção; e de Luísa Sobral, cantora e compositora, que publicou no ano passado o seu primeiro romance, Nem Todas as Árvores Morrem de Pé. Além destes, os editores convidaram “dois outros poetas conhecidos”, dos quais não tiveram qualquer resposta. “Não sabiam quem éramos. Agora podemos enviar-lhes a revista com um pedido por escrito. Acho que dirão que é interessante”, comentou o ex-advogado, que contribuiu ele próprio com três poemas, enquanto Daniela Pereira participou com um ensaio e duas traduções de Virginia Woolf. O primeiro número da revista inclui ainda algumas ilustrações e fotografias. Todas as contribuições foram pagas (cada autor recebeu 100 euros por cada peça). Apesar de os autores jovens estarem em maior número, a coeditora explicou ao Observador que a Lisbon Literary Review não pretende ser uma revista de “jovens talentos”. “O que tentamos fazer é uma mistura. Tentamos pôr jovens talentos a par com talentos estabelecidos. Por exemplo: nesta revista, temos Virginia Woolf. Acho que isso eleva mais [os jovens autores]. Mostra para fora que podem ser tão bons como, por exemplo, a Virginia Woolf. Portanto, estão no mesmo sítio, nas mesmas páginas.”

Com a criação da Lisbon Literary Review, os seus editores pretendem criar “um espaço partilhado para a poesia e as artes gráficas”. “Eu e a Daniela tínhamos consciência, e agora ainda temos mais, de que existe aqui [em Portugal] uma grande comunidade de poetas, tradutores e artistas — porque a revista também inclui trabalhos gráficos —, que trabalham com ambas as línguas ou que conhecem ambas as línguas”, salientou Glenn Barnes, lembrando que o ato de escrever ou pintar é uma experiência solitária, que apenas deixa de o ser quando o trabalho é partilhado com alguém, como acontece, por exemplo, durante as leituras públicas de poesia — as chamadas poetry slams —, que têm uma “audiência é maior” e que constituem “uma comunidade de experiências partilhadas”. “Através da coincidência da criação da Futura, temos os fundos para o fazermos e para continuarmos durante três ou quatro anos. A não ser que [a revista] seja um desastre. Nesse caso, terminamos o projeto”, admitiu o ex-advogado.

Na apresentação da revista, Daniela Pereira descreveu a Lisbon Literary Review como “uma oportunidade única para tentar acabar com uma das grandes injustiças” que assola o mundo da literatura: “A quantidade de escritores que só são reconhecidos depois de já não estarem cá”. O projeto “nasceu com o intuito de colocar todos estes autores no centro. Por isso é que todos os nossos colaboradores são remunerados”, destacou a coeditora durante o evento na Casa Fernando Pessoa, chamando a atenção para o facto de o índice da revista apresentar apenas os nomes dos autores, sem qualquer outra referência, “para que fique na memória o nome de quem criou a obra de arte”. Também em conversa telefónica com o Observador, a professora de português chamou a atenção para a importância de valorizar autores e criadores, descrevendo a Lisbon Literary Review como “um espaço de valorização”. “Queremos valorizar quem envia coisas para nós, e acho que isso é um fator muito diferenciador e, claro, apelativo”, disse, referindo-se ao facto de todos os participantes receberem 100 euros por criação. “Além deste espaço de acolhimento e de valorização de autores, outra coisa nova [que a revista tem] são as traduções anotadas. É muito interessante ler uma tradução anotada, perceber por baixo da caneta o processo de criação artística na tradução, que normalmente não se vê como uma arte.”

A Lisbon Literary Review terá uma periodicidade trimestral. O próximo número deverá sair em setembro. A edição física custará 10 euros e a digital 5, mas o primeiro número é gratuito. Para já, encontra-se apenas disponível no site da revista, mas Glenn Barnes e Daniela Pereira querem que chegue também às livrarias, o que ainda não foi possível assegurar. Ao Observador, a coeditora admitiu que essa é, para já, uma das grandes prioridades do projeto, embora esteja a ter “alguma dificuldade em chegar aos livreiros”. “O nosso plano principal é conseguir chegar às livrarias. Temos a revista à venda no nosso site, mas sabemos que a maior parte das vendas em Portugal ainda se fazem em livrarias, e queremos muito que assim continue”, comentou.

Glenn Barnes e Daniela Pereira irão manter-se como editores durante os próximos números, mas a equipa da Lisbon Literary Review poderá crescer no futuro. O ex-advogado e poeta acredita que chegará uma altura em que será melhor que tanto ele como a sua coeditora passem o cargo para outras pessoas e se concentrem, apenas, em escrever para a revista. Em relação a planos para o futuro, “existem muitas ideias. E, neste momento, até demais. Mas tudo depende do quanto conseguimos estabelecer a revista”, admitiu Daniela Pereira. “Esse é o nosso plano principal, e único para os próximos dois ou três meses [chegar às livrarias]. Para depois da revista estar estabelecida, sim, temos outras ideias, mas não gostava de falar sobre elas, porque ainda estão na gaveta e dependem todas deste plano inicial.”