A Polícia Judiciária anunciou esta quarta-feira a detenção de uma funcionária de tribunal suspeita de “abuso de poder, violação de segredo por funcionário, violação de segredo de justiça, acesso ilegítimo, acesso indevido e desvio de dados”.
A PJ adianta que a detenção da mulher, de 28 anos, que exercia as funções de técnica de justiça auxiliar, esteve a cargo da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T).
A investigação, após “uma denúncia anónima remetida ao Ministério Público em outubro de 2025, visou a confirmação da utilização pela suspeita de bases de dados institucionais e sistemas de informação restritos da Justiça para pesquisar e divulgar, de forma reiterada, informação pessoal e processual de natureza reservada”.
Através da plataforma Discord, que permite a criação de “servidores” (espaços virtuais) fechados e utilizando o nome Incognita, a suspeita divulgava “dados pessoais de cidadãos, imagens de vítimas de criminalidade violenta e peças processuais extraídas de processos judiciais”, explica a PJ.
A polícia conseguiu “intercetar acessos efetuados a partir de equipamentos informáticos de um Tribunal Judicial, bem como de outras moradas e ligações associadas à suspeita” e considera existirem “fortes indícios da atividade criminosa”.
A detida será presente às autoridades judiciárias, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação, sendo o inquérito titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Almada.