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Fact Check. Estudo atmosférico HAARP causou terramotos na Venezuela?

Vídeos nas redes sociais culpam programa de pesquisa dos EUA pelos terramotos de 24 de junho que mataram 4.400 pessoas. As alegações são falsas.

Miguel Cordeiro
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A frase

Sistema HAARP a funcionar na Venezuela para causar terramotos.

— Utilizador do Facebook, 06 de julho de 2026

Os terramotos que atingiram a Venezuela a 24 de junho já provocaram pelo menos 4.400 mortos, mais de 16 mil feridos e 17 mil desalojados. A tragédia foi acompanhada nas redes sociais também com teorias de que os terramotos foram provocados por algum tipo de interferência humana.

Os vídeos a circular em várias publicações nas redes sociais culpam o Programa de Pesquisa Auroral Ativa de Alta Frequência (HAARP) pelos sismos de 7,5 e 7,2 de magnitude, que atingiram a região norte do país com 39 segundos de intervalo. As imagens mostram lasers e luzes no céu e alegam que isso prova que foi o HAARP a desencadear o terramoto. A AFP já concluiu que as imagens foram fabricadas.

O HAARP é um programa dos Estados Unidos da América desenvolvido no estado do Alasca. É uma estação de pesquisa que utiliza o transmissor de alta frequência mais potente do mundo para estudar a ionosfera, uma camada da atmosfera terrestre situada entre cerca de 60 e 80 quilómetros acima da superfície. A Universidade do Alaska Fairbanks é responsável pelo programa desde 2015, antes estava adjudicado à Força Aérea dos EUA.

Os especialistas explicam que nenhuma força de laser seria capaz de causar desastres tão devastadores. “As nossas instalações simplesmente não conseguem gerar ou amplificar eventos climáticos, nem iniciar ou amplificar terramotos”, disse a diretora do HAARP, Jessica Matthews, à AFP a 1 de julho. “Os nossos equipamentos de pesquisa transmitem ondas de rádio numa frequência que não pode ser absorvida pelas camadas atmosféricas responsáveis pelo clima da Terra”, acrescenta.

Na secção de perguntas frequentes a organização responde à pergunta: “O HAARP pode controlar ou manipular o clima? Não. As ondas de rádio nas faixas de frequência transmitidas pelo HAARP não são absorvidas nem na troposfera nem na estratosfera — as duas camadas da atmosfera que determinam o clima da Terra. Como não há interação, não existe maneira de controlar o clima. O sistema HAARP é, basicamente, um grande transmissor de rádio. As ondas de rádio interagem com cargas e correntes elétricas, mas não interagem de forma significativa com a troposfera. Além disso, se as tempestades ionosféricas causadas pelo próprio Sol não afetam o clima na superfície, não há possibilidade de que o HAARP o faça. As interações eletromagnéticas ocorrem apenas no vácuo parcial da região rarefeita — porém eletricamente carregada — da atmosfera situada acima de aproximadamente 60 a 80 km de altitude, conhecida como ionosfera. A ionosfera é formada e continuamente renovada à medida que a radiação solar interage com as camadas mais elevadas da atmosfera terrestre”.

O vídeo que está a circular nas redes sociais como alegada prova de que o HAARP é o culpado pelos terramotos já circulava em março, meses antes dos sismos atingirem a Venezuela. Para além disso, as imagens a circular na internet mostram gravações feitas durante a noite, mas os terramotos atingiram o país durante o dia, pelas seis da tarde.

De qualquer forma, os terramotos podem causar bolas de luz ou brilhos, mas isso não é comum. Mas de acordo com o cientista e porta-voz do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), “na maioria das vezes, os tremores de terramoto danificam linhas de energia ou outras infraestruturas, que então sofrem descargas elétricas, arcos elétricos ou explosões”.

Conclusão

O HAARP tem sido recorrentemente alvo de teorias da conspiração nas redes sociais. Já antes dos terramotos na Venezuela o programa tinha sido culpabilizado de manipular a meteorologia, de atear incêndios florestais, desencadear furacões, sismos e outros eventos climáticos extremos. Mas o Programa de Pesquisa Auroral Ativa de Alta Frequência, ativo desde 1993, não tem essa capacidade.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.