O ministro da Administração Interna, Luís Neves, construiu uma piscina — e não um tanque, como afirmou numa entrevista ao canal Now este domingo — numa das suas propriedades no Alentejo, neste caso no concelho de Odemira, revela esta segunda-feira a TVI/CNN. De acordo com a estação televisiva, a Câmara Municipal de Odemira não recebeu qualquer pedido de licença nem uma comunicação para a construção da piscina, que, por se tratar de uma obra urbanística, precisaria de ser comunicada ou autorizada.
Nas imagens captadas pela TVI/CNN na propriedade de Luís Neves, é possível ver uma piscina — aparentemente recém-construída — junto a uma casa térrea. A propriedade será usada como alojamento local, e explorada pela AL Campos, uma empresa registada em nome da mulher de Luís Neves.
Inicialmente, as obras naquela mesma propriedade deveriam incluir apenas a construção de “três paredes e uma casa de banho”, mas acabaram por evoluir também para “um pequeno alpendre”, um “tanque” e “uma parte em que os carros estacionam”, disse o ministro da Administração Interna, em entrevista ao canal Now, referindo-se à empreitada que está a ser levada a cabo pela empresa Construbarcelos, detida por João dos Santos Carvalho, um empreiteiro que realizou várias obras para a Polícia Judiciária, quando Luís Neves era diretor nacional da PJ — como revelou na quinta-feira o semanário Nascer do Sol.
https://observador.pt/2026/07/12/luis-neves-pagou-5-mil-euros-a-empreiteiro-para-pequenas-despesas-e-fundo-de-maneio-revelara-faturas-se-entender-que-e-necessario/
Contactada pela TVI/CNN, a Câmara Municipal de Odemira confirmou não ter recebido qualquer pedido de licença para a construção da piscina, nem de comunicação prévia da obra. “Relativamente ao pedido enviado, não foi possível encontrar qualquer processo de licenciamento/comunicação de obras para os dados de pesquisa fornecidos”, respondeu a autarquia.
Numa outra entrevista, à CNN, Luís Neves sugeriu que a Câmara de Odemira estaria a analisar o pedido de licença. “Estão a tratar da licença, são questões muito simples, interna, externamente. O edifício não tem um metro a mais”, disse o ministro da Administração Interna, desvalorizando o facto de não ter feito o pedido de licença mais cedo. Luís Neves entendeu que não seria necessário fazer um pedido de licença para a obra as obras em causa. “Entendo que, para aquelas obras, não é preciso ser pedida”, defendeu.
Outro dos pontos que está por esclarecer é relativo à forma como Luís Neves fez um pagamento de 5 mil euros ao empreiteiro João dos Santos Carvalho, a quem, disse o ministro, deverá pagar no total, entre 20 e 30 mil euros, pelas obras na propriedade em causa. “São 5 mil euros que eu lhe fui dando de cada vez, aos fins de semana, que eu lhe dava para pequenas despesas e para fundo de maneio. Ele há de apresentar [as faturas]”, disse Luís Neves, desvalorizando a necessidade de divulgar publicamente as faturas relativas à empreitada. Ao Observador, o ministro recusou mostrar os comprovativos dos pagamentos ao empreiteiro.
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