Nos últimos dias, ao mesmo tempo que sindicatos e movimentos de professores têm denunciado vários problemas na correção digital dos exames nacionais, os diretores escolares não têm reportado problemas, adiantou ao Observador Filinto Lima, presidente da ANDAEP (Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas). Esta associação de diretores e a Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) foram recebidas esta segunda-feira pelo ministro da Educação e ambas saíram do encontro confiantes de que as notas serão afixadas no novo prazo estipulado pela tutela, 17 de julho.
“Saímos esperançosos [da reunião] porque saímos com 95% dos itens corrigidos“, conta Filinto Lima. Quando a reunião teve início, por volta das 16h, esta percentagem era de 93,2%, mas numa hora e 45 minutos aumentou significativamente, algo que o líder da ANDAEP viu com bons olhos.
Segundo Filinto Lima, nesta reunião — que tinha como tema o futuro estatuto do diretor e o regime de gestão e administração das escolas — Fernando Alexandre fez questão de abordar o tema dos exames e “garantiu que havia qualidade nas classificações”.
“Não digo que tudo correu às mil maravilhas neste processo, mas penso que nesta fase final, e tendo a garantia do ministro, estamos mais esperançosos”, afirmou Filinto Lima. Questionado sobre as queixas que até ao dia de hoje continuam a cair em plataformas como a MetaProf, o representante dos diretores afirmou que tem “percebido os constrangimentos existentes mais pelos blogs [de professores] e não pelos diretores”, que não têm reportado grandes queixas.
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Sobre a informação partilhada pelo Ministério da Educação de como algumas escolas não forneceram todas as folhas de exame às forças de segurança para serem, posteriormente, classificadas, Filinto Lima diz que o assunto foi levemente abordado no encontro desta segunda-feira. E critica a postura assumida pela pasta liderada por Fernando Alexandre. “Penso que essas situações não devem ser divulgadas. Devem ter sido casos muito residuais, dois ou três. É de evitar haver um comunicado do MECI” sobre o tema, afirmou, sublinhando que “numa altura destas, em que as pessoas estão ansiosas e à espera, foi mais uma acha para a fogueira”.
“Não ajuda à situação” divulgar este tipo de informação publicamente, defende Filinto Lima, pedindo, por outro lado, “ações de paz”.
Segundo o presidente da ANDAEP, em cima da mesa não esteve em momento algum a perda de férias dos professores classificadores. Filinto Lima acrescenta ainda que não teve “conhecimento de nenhum diretor” ter ligado para “professores a pedir para adiarem férias” de forma a que estejam disponíveis para corrigir exames. Além disso, acrescentou, “nem nós diretores tivemos orientação da tutela nesse sentido”.
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Consulta gratuita dos exames vai exigir “colaboração das escolas”
Considerando a reunião desta segunda-feira “produtiva”, Carlos Louro, o representante da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), disse confiar na informação que o Ministério da Educação deu.
“Temos confiança no que nos foi transmitido, nomeadamente (e atendendo ao número de provas que já estão classificadas) que até à data os alunos terão acesso àquilo que é a classificação pela qual lutaram”, disse em declarações aos jornalistas após o encontro com o ministro.
Carlos Louro, que se reuniu com o Ministério de Fernando Alexandre antes de Filinto Lima, assegurou ainda que “nas escolas tudo faremos para que na data estipulada os alunos tenham acesso aos elementos para consulta”. O representante referia-se especificamente ao link que será disponibilizado aos alunos para que possam consultar a correção do seu exame.
Nesse processo — anunciado pelo ministro da Educação há cerca de uma semana — “vai existir a colaboração das escolas”. “Os alunos vão requerer e terão acesso à prova codificada, anónima, e será mais uma colaboração que as escolas terão de fazer. É um processo semelhante ao que acontecia com as provas em papel. Confiamos que vamos responder às exigências”, afirmou.
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Conselho de Escolas desvaloriza críticas: “Há sempre erros” nos processos de correção
Durante a tarde desta segunda-feira, o ministro Fernando Alexandre reuniu-se também com o Conselho de Escolas, a um dia de terminar o prazo para classificar os cerca de 300 mil exames nacionais.
No final do encontro, António Castel-Branco recordou os números anunciados de manhã por Fernando Alexandre, quando 92% dos exames já estavam corrigidos, e, tal como Filinto Lima, mostrou-se esperançado de que as notas serão divulgadas na sexta-feira.
Mas a poucos dias da divulgação dos resultados dos mais de 300 mil exames nacionais do ensino secundário, os diretores continuam sem saber qual será o seu trabalho no processo de disponibilização aos alunos das provas em formato digital.
Esta segunda-feira, António Castel-Branco disse que as escolas poderão ter de “certificar quem é o aluno, mas não será nada por aí além”.
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Sobre se estão preocupados em não conseguir fazer esse trabalho atempadamente, o presidente disse “não haver motivos para preocupação”: “Pode haver algum acréscimo de trabalho, mas nós já estamos habituados com reapreciações, com isso tudo”, disse António Castel-Branco. Este representante acrescentou ainda que o ministro garantiu aos diretores que o processo “está a correr de forma célere”, que os problemas têm estado a ser resolvidos e que deverá estar “tudo pronto na sexta-feira”.
“O que nós pretendemos é que os alunos no dia 17 tenham os seus resultados dos exames e possam, em caso de não estarem satisfeitos, pedir reapreciações caso haja algum erro. O processo está a ser garantido pelo Ministério da Educação de modo a que tudo possa acontecer com serenidade, com calma e não haja problemas para os nossos alunos”, afirmou.
O também presidente de um agrupamento de escolas admitiu que “há sempre erros” nos processos de correção das provas: “Todos os anos houve e são sempre resolvidos, portanto são coisas pontuais que podem acontecer, como ficar uma pergunta por corrigir ou haver qualquer questão na identificação do código”.
“Há erros pontuais, mas não nos podemos esquecer de que há uma alteração muito grande no processo de correção das provas. É algo enorme, com plataformas e com aplicações envolvidas, com trabalho manual também, o caso da digitalização das provas, e podem acontecer vários erros na engrenagem”.
Este ano, os alunos voltaram a realizar os exames do 11.º e 12.º ano em papel mas, pela primeira vez, as mais de 300 mil provas foram todas digitalizadas. O processo de digitalização revelou falhas desde o início, com professores a não conseguir aceder à plataforma onde estavam os itens para corrigir, com folhas de respostas em falta ou correções que desapareciam. “É óbvio que os professores têm tido um trabalho muito acrescido”, reconheceu o presidente do Conselho de Escolas, agradecendo “o trabalho extraordinário que os professores fazem sempre e que estão a fazer neste momento”.