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(A) :: "Padre de ferro" absolvido pelo Tribunal da Relação no caso de alegado assédio sexual contra funcionária de paróquia em Lisboa

"Padre de ferro" absolvido pelo Tribunal da Relação no caso de alegado assédio sexual contra funcionária de paróquia em Lisboa

Sacerdote foi afastado em 2021 após denúncias de assédio sexual contra funcionária da paróquia. Após condenação, Tribunal da Relação deu razão ao padre e absolveu-o do crime de que tinha sido acusado.

João Francisco Gomes
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O Tribunal da Relação de Lisboa absolveu o padre Ismael Teixeira, o sacerdote católico do Patriarcado de Lisboa que ficou conhecido como “padre de ferro”, do crime de coação sexual pelo qual tinha sido condenado no ano passado a uma pena suspensa de mais de três anos de prisão.

No acórdão com data de 9 de julho, a que o Observador teve acesso, o coletivo de juízes desembargadores que apreciou o recurso apresentado pelo sacerdote deu razão aos argumentos da defesa e considerou que era impossível dar como provados os factos que lhe eram imputados.

Ismael Teixeira foi absolvido do crime e ainda do pedido de indemnização que tinha sido formulado contra ele pela antiga funcionária da paróquia de São Mamede, na Baixa de Lisboa, que o acusara de assédio sexual.

O caso remonta ao verão de 2021, quando o padre Ismael Teixeira foi afastado pelo Patriarcado de Lisboa da sua paróquia por suspeitas de assédio sexual contra uma funcionária. Na altura, o sacerdote — uma celebridade no meio eclesiástico, famoso pela prática de triatlo e ultramaratonas, o que lhe valeu o epíteto de “padre de ferro” — desvalorizou o caso, considerando-o como um “boato”.

O caso levou a uma forte divisão na paróquia, como contou o Observador numa reportagem sobre o caso na altura. A mulher acusava Ismael Teixeira de lhe fazer convites com segundas intenções e de a assediar sexualmente. O caso reavivou outras polémicas em torno de Ismael Teixeira e o patriarca de Lisboa, na altura Manuel Clemente, acabaria por afastar o sacerdote.

https://observador.pt/especiais/assedio-d-manuel-clemente-deu-duas-semanas-ao-padre-de-ferro-para-sair-as-reunioes-de-urgencia-e-as-suspeitas-da-ultima-decada/

Em janeiro de 2025, o padre foi condenado em primeira instância a três anos e seis meses de prisão, com pena suspensa, por coação sexual sobre a mulher. Logo no momento, anunciou que iria recorrer da decisão e garantiu que estava inocente.

Os desembargadores do Tribunal da Relação de Lisboa decidiram, um ano e meio depois, absolver o sacerdote, apontando inúmeras fragilidades à sentença condenatória e dizendo que, em última análise, era impossível dar como provados os factos que sustentavam a condenação.

O padre reagiu este domingo à sentença. À SIC, que avançou a decisão da Relação de Lisboa, o padre Ismael disse que a absolvição põe fim a um “calvário que começou em maio de 2021”, quando foi afastado pelo Patriarcado. Numa declaração enviada ao Observador em reação à absolvição, o padre Ismael Teixeira congratulou-se com a decisão.

“Esta decisão põe termo a um processo que, ao longo de cinco anos, teve consequências profundas na minha vida pessoal, no meu bom nome e no exercício do meu ministério sacerdotal. Durante todo este tempo, respeitei o funcionamento das instituições judiciais e confiei que os factos seriam plenamente apreciados nas instâncias competentes”, diz o sacerdote. “Para quem conhece o meu percurso desportivo, estes anos foram, sem dúvida, o mais exigente dos meus Ironman: uma prova vivida muitas vezes no silêncio, sustentada pela fé em Deus, pelo apoio daqueles que permaneceram ao meu lado e pela confiança na Justiça.”

O sacerdote diz agora pretender voltar à vida sacerdotal, de que se encontra afastado desde 2021. “Espero poder agora recuperar plenamente o meu bom nome, regressar à normalidade da minha vida e retomar, de acordo com as determinações dos meus legítimos superiores, o exercício do ministério sacerdotal a que consagrei a minha existência”, sublinha o sacerdote, garantindo ainda que não alimenta “sentimentos de vingança ou de ressentimento”.

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