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(A) :: Como João Palhinha passou de estar perto do Sporting a alvo próximo do Benfica em cinco semanas

Como João Palhinha passou de estar perto do Sporting a alvo próximo do Benfica em cinco semanas

Sporting manteve estratégia de paciência por médio, entre opção do Tottenham, modelo de negócio e características dos outros médios, mas chegada de Altimira fechou a porta – e abriu janela do Benfica.

Bruno Roseiro
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No início de junho, João Palhinha era opção apenas para o Sporting. A meio de junho, já com Marco Silva a trabalhar no Seixal, havia Sporting e Benfica na corrida. No final de junho, a prioridade voltava apenas a ser o Sporting. Agora, a meio de julho, está cada vez mais próximo do Benfica. No meio de toda uma novela de avanços, recuos e impasses, apenas uma premissa se manteve inalterável: a prioridade do médio de 31 anos passa por regressar à Liga portuguesa após quatro anos entre Inglaterra e Alemanha. É esse o ponto base que faz com que esteja cada vez mais perto de reforçar o conjunto da Luz, com a garantia de que, qualquer que seja o modelo de negócio, os encarnados terão de vender para manter o equilíbrio das contas.

https://observador.pt/2022/07/02/saio-realizado-conseguimos-reerguer-o-clube-palhinha-chega-a-premier-via-fulham-e-sporting-recebe-pelo-menos-20-milhoes/

Antes, o cenário pareceu sempre outro. Há muito que em Alvalade se olhava para a nova temporada como o início de um novo ciclo depois do sucesso dos últimos três anos “manchado” pela derrota na final da Taça de Portugal. Era nessa perspetiva que, entre as saídas de nomes como Morten Hjulmand, Francisco Trincão, Morita e Pedro Gonçalves (os portugueses ainda não estão confirmados mas será uma questão de tempo), a que se poderia juntar ainda a de Gonçalo Inácio caso surgisse uma proposta irrecusável que até agora está longe de aparecer, o Sporting olhava para João Palhinha como um três em um no mercado de verão: podia entrar na hierarquia de capitães, era mais um jogador formado no clube e colmatava uma lacuna no plantel.

Isso era o que o Sporting tinha para oferecer a Palhinha, juntando um contrato que o colocaria como um dos mais bem pagos ao nível de Francisco Trincão com um vínculo a médio/longo prazo de quatro anos a que se poderiam juntar os prémios por objetivos transversais a todos os elementos do plantel leonino. A partir daí, sobravam os problemas por contornar. Alguns acabaram por cair, outros tornaram-se insuperáveis.

https://observador.pt/2024/07/11/internacional-portugues-joao-palhinha-assina-pelo-bayern-munique/

O primeiro passava pela possibilidade de o Tottenham comprar o médio. Palhinha esteve cedido à formação londrina na última temporada, com números que passaram despercebidos mas que foram os melhores da carreira numa época a nível de jogos (47) e de golos (sete), e marcou inclusivamente o golo na última jornada que carimbou em definitivo a permanência dos spurs na Premier League. Os adeptos ficaram rendidos ao português, o português agradeceu aos adeptos o apoio ao longo da temporada, na hora da verdade a opção do conjunto liderado por Roberto De Zerbi foi outra e a possibilidade de assegurar o passe do jogador por 30 milhões de euros acabou por cair sem que o Bayern recebesse qualquer indicação para negociar o valor.

https://twitter.com/FabrizioRomano/status/2074928564978262075

Perante essa “desistência”, e com a formação germânica a tentar encontrar solução para um excedentário nas opções de Vincent Kompany, o Sporting via a posição reforçada. Mais: com o jogador seria fácil chegar a uma base de entendimento, até pela ligação estreita que tinha com alguns dos responsáveis da SAD verde e branca como Bernardo Palmeiro, atual diretor-geral dos leões que, em 2024, e a título particular, ajudou o jogador nas negociações do contrato que fez quando se transferiu do Fulham para a Baviera. Problema: o formato do negócio. Aí, as partes tinham ideias contrárias, com o Bayern a querer uma venda imediata acima dos 20 milhões de euros e o Sporting à procura de um modelo de empréstimo com compra obrigatória até um total máximo de 20 milhões de euros para diluir mais o investimento em termos contabilísticos.

Os dias foram passando, passando e tudo continuava na mesma. Os sinais entre Sporting e João Palhinha eram positivos, as negociações com o Bayern não avançaram, o modelo de negócio também não ajudava até tendo em conta tratar-se de um jogador de 31 anos, com um ordenado que seria elevado, sem possibilidade de rentabilidade que não fosse desportiva (ou seja, fugindo a um perfil como aquele que tem sido desenhado pelos leões nas últimas janelas de mercado). A estratégia de paciência para assegurar a contratação do médio começava a esgotar-se e, nessa fase, tudo começou a “jogar” ao contrário para resolver o impasse.

Logo à cabeça, a vontade que o Sporting demonstrou sempre em fechar esse setor da equipa ainda antes do arranque da pré-temporada, tendo em conta a necessidade de reconstrução de todo o meio-campo perante a revolução de uma para outra época. Depois, as características das contratações já asseguradas, em especial Issa Doumbia, para “encaixar” com a posição 6. Por fim, a vontade manifestada por Sergi Altimira, que era a outra opção para o lugar, de sair para Alvalade. Foi isso que acabou por acontecer, com a possibilidade de Palhinha chegar ainda ao Sporting a ficar fechada nos dias seguintes face ao desenho do meio-campo.

https://twitter.com/SportingCP/status/2074799485603975644

O médio ficava assim com uma primeira porta de regresso a Portugal fechada mas não era a única. Foi neste contexto que apareceu o Benfica, sabendo que passara para a pole position depois da saída do Sporting da corrida. Agora, aquilo que está em cima da mesa entronca em muito do que já tinha sido discutido pelo clube de Alvalade: o Bayern tem preferência numa venda imediata acima dos 20 milhões de euros, os encarnados querem um empréstimo de um ano mesmo ficando com a opção de compra obrigatória mas nunca por um montante acima dos 20 milhões de euros. É aqui que Marco Silva entra também na equação.

Por um lado, o técnico conhece bem João Palhinha, com quem trabalhou duas temporadas no Fulham, antes da saída do médio para Munique, e entende que a contratação do internacional português pode ser uma base importante para consolidar uma nova estrutura e identidade de jogo (mesmo que isso levasse à saída de Enzo Barrenechea, por exemplo). Por outro, e na sequência da derrota frente ao Flamengo no Algarve no passado sábado, Marco Silva voltou a deixar um alerta em relação à necessidade de chegarem mais reforços à Luz a breve prazo para suprir algumas carências da equipa, numa fase em que chegaram apenas duas caras novas além do jovem Gabriel Índio: o central francês Lenglet e o extremo polaco Jakub Kaminski.

https://observador.pt/2023/06/23/joao-palhinha-eleito-melhor-jogador-do-fulham-na-temporada-2022-23/

É neste contexto que o Benfica, que terá também de realizar mais-valias com vendas de jogadores, tenta agora chegar a uma plataforma de entendimento que permita “oferecer” João Palhinha a Marco Silva mas não desequilibre o exercício em termos financeiros, tendo em conta que a rentabilidade do médio será apenas desportiva, tendo em conta os 31 anos e a intenção do próprio jogador de fechar de vez a porta a uma nova aventura numa liga estrangeira. Com uma outra nuance: ao contrário do que aconteceu com o Sporting a determinada altura, a estratégia de paciência tem um hiato temporal mais curto em relação à perspetiva dos encarnados, que começam oficialmente a temporada já na próxima semana, no dia 23, com o encontro na Suíça diante do St. Gallen, a contar para a primeira mão da segunda pré-eliminatória da Liga Europa.

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