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Mary, Mapi, Alexia. De onde veio e onde vai parar o London City Lionesses?

Separou-se do Millwall, encontrou estratégia e milhões em Michele Kang, já contratou Mary Earps, Mapi León e Alexia Putellas. Como o London City Lionesses está a tomar de assalto o futebol feminino.

Mariana Fernandes
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A notícia não é uma novidade — nem sequer para os mais distraídos: Alexia Putellas deixou o Barcelona, que representava há mais de uma década e onde era um autêntico símbolo, e assinou pelo London City Lionesses. Antes, Mary Earps tinha deixado o PSG para assinar pelo mesmo clube. Depois, Mapi León também deixou o Barcelona para assinar pelo mesmo clube. No espaço de semanas, as inglesas contrataram uma das melhores guarda-redes, uma das melhores defesas e uma das melhores médias da história recente do futebol feminino. E quase ninguém sabe de onde vêm e para onde querem ir.

Naturalmente sediado em Londres, o London City Lionesses tornou-se o grande protagonista do mercado de verão feminino ao contratar Earps, Putellas e León — ou seja, ao contratar a guarda-redes que foi campeã europeia com Inglaterra em 2022, a média que foi campeã europeia em quatro ocasiões com o Barcelona e campeã do mundo com Espanha em 2023 e a defesa que conquistou as mesmas quatro Ligas dos Campeões com o Barcelona e a última Liga das Nações com Espanha. Mais do que isso, ao contratar três das maiores figuras do futebol feminino europeu e mundial, protagonistas e donas da primeira geração verdadeiramente global em que as jogadoras se tornaram também celebridades.

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Em Inglaterra, porém, não estarão sozinhas. Mary Earps, Alexia Putellas e Mapi León vão juntar-se a um plantel onde já estavam Jana Fernández, três vezes campeã europeia com o Barcelona, Daniëlle van de Donk, campeã europeia com os Países Baixos, ou Kosovare Asllani, capitã de equipa que passou por Manchester City, PSG e Real Madrid e que tem lugar cativo na seleção da Suécia, acrescentando-se ainda Nikita Parris, Delphine Cascarino e Alanna Kennedy. Uma equipa de mão cheia que é um autêntico statement de quem quer tornar-se campeão inglês o mais depressa possível.

Ora, essa ambição, naturalmente, está inscrita no ADN do London City Lionesses desde o dia da fundação. O clube tem origem no Millwall Lionesses, a equipa feminina do histórico Millwall. Em 2019, o Millwall emitiu um comunicado onde anunciava a intenção manifestada pelos diretores do departamento de futebol feminino de se afastarem do clube para se tornarem uma entidade independente e autónoma, sob um novo nome. A separação foi mediada e confirmada pela Football Association, tornando-se oficial em junho do mesmo ano, e o investidor por detrás de toda a estratégia foi revelado: Anthony Culligan, um multimilionário que fez fortuna com investimentos em bitcoin, cuja mulher, Diane, acabaria por assumir o cargo de presidente do novo clube.

Os primeiros anos não foram fáceis, com o objetivo de subir do Championship para a Women’s Super League (WSL) a ficar sempre demasiado longe. Em 2023, depois de uma temporada em que o clube passou várias semanas na liderança da classificação e acabou por ficar no terceiro lugar na sequência da saída da treinadora, Melissa Phillips, para o Angel City dos EUA, todas as jogadoras enviaram uma carta conjunta a Diane Culligan onde lhe pediam que vendesse o London City Lionesses ou aumentasse o investimento. As atletas queixavam-se da instabilidade financeira, da incapacidade de reforçar a equipa nas janelas de mercado e da demora na contratação de um substituto permanente para Phillips, já que a adjunta da norte-americana tinha sido interina até ao fim da temporada.

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Em dezembro de 2023, numa altura em que também já atravessava um processo de divórcio litigioso com o marido, Diane Culligan cedeu e vendeu o London City Lionesses a Michele Kang — a empresária norte-americana que tem investido e muito no futebol feminino, sendo dona das Washington Spirit, nos EUA, e das OL Lyonnes, que fazem parte do grupo que detém o Lyon e onde John Textor é acionista maioritário, mas que operam de forma autónoma. E com Kang, tal como tinha acontecido nos EUA e em França, tudo começou a mexer.

Kosovare Asllani foi contratada ao AC Milan logo em 2024, numa clara declaração de intenções. O treinador escolhido foi Jocelyn Prêcheur, que tinha acabado de conquistar a Taça de França com o PSG, e Michele Kang conseguiu ainda chegar a acordo com o Bromley Football Club, em Londres, para que o clube passasse a usar o Hayes Lane para os jogos em casa. Ao mesmo tempo, adquiriu um terreno de cerca de um milhão de metros quadrados em Aylesford, Kent, onde já está a ser construído um centro de treinos, e assinou um contrato de dois anos com a Nike.

O salto, porém, aconteceu há cerca de um ano. Depois de cinco temporadas consecutivas a falhar o objetivo de subir, o London City Lionesses conseguiu finalmente a promoção ao principal escalão do futebol feminino em maio de 2025, tornando-se a primeira equipa feminina independente a disputar a WSL — e o jogo decisivo, um empate contra o Birmingham, foi o primeiro jogo do Championship feminino a ser transmitido em direto na televisão em Inglaterra. Na última temporada, a primeira ao mais alto nível, ficaram no sexto lugar e a meio da tabela, garantindo a manutenção sem margem para dúvidas.

Jocelyn Prêcheur foi despedido em dezembro do ano passado e a meio da temporada, numa altura em que o London City Lionesses não estava a atingir os resultados esperados, e o substituto escolhido foi Eder Maestre, espanhol que estava no Tenerife. Para a próxima temporada, Michele Kang conta com Mary Earps, Alexia Putellas, Mapi León e muitas mais para chegar ao que ainda parece impensável: levar uma equipa feminina completamente independente à conquista de um dos melhores campeonatos do mundo.

“Estou muito entusiasmada por embarcar neste novo capítulo com o London City Lionesses. A ambição do clube e o seu compromisso inabalável em crescer enquanto a única equipa feminina independente tocou-me muito. Estou ansiosa por ter impacto em campo enquanto lutamos por títulos. Fora de campo, quero desenvolver a minha paixão pelo desenvolvimento das jovens e estou igualmente entusiasmada por poder trabalhar com a Michele e elevar o futebol feminino em Inglaterra e globalmente”, disse Alexia Putellas pouco depois de assinar. O mote está dado.