É um país com dois governos. Um reconhecido internacionalmente e que controla o centro e o sul do país (apoiado pela Arábia Saudita, que é o seu maior aliado). Outro é um Governo não reconhecido liderado pelos houthis, a milícia xiita pró-Irão que controla partes do norte, incluindo Saana, a capital. É neste contexto conturbado que o aeroporto internacional de Saana, a capital do Iémen, foi atacado esta segunda-feira.
Num comunicado citado pela televisão Almasirah, controlada pelos houthis, o grupo do Iémen acusou inicialmente o “inimigo saudita” por ser o responsável por atacar o aeroporto internacional de Saana com um “número de ataques criminosos, numa escalada perigosa” que atingiu a pista da principal infraestrutura aeroportuária iemenita.
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O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Iémen com ligações aos houthis acusou a Arábia Saudita de ter posto fim ao período de desescalada que estava em vigor e ao cessar-fogo. Num comunicado publicado na rede social X, o ministério afirmou que Riade “deu início à guerra” e que deverá assumir “total responsabilidade” pelas consequências dessa decisão, prometendo retaliar.
https://twitter.com/TvAlmasirah/status/2076632161982279715
Ainda assim, contrariando as acusações dos houthis de que teria sido a Arábia Saudita a atacar o aeroporto, as Forças Armadas do Iémen — do Governo internacionalmente reconhecido — emitiram um comunicado a garantir que visaram a infraestrutura para impedir que um avião iraniano aterrasse.
“As milícias terroristas houthi, apoiadas pelo regime iraniano, insistiram que os iranianos violassem o território iemenita, razão pela qual a pista do aeroporto foi alvo de ataques”, lê-se no comunicado, citado pelo canal saudita Al-Arabiya. “As Forças Armadas consideraram a utilização do aeroporto nessas circunstâncias uma violação da soberania iemenita, salientando que o exército tomará as medidas necessárias para evitar quaisquer tentativas semelhantes no futuro.”
Ao mesmo tempo, o Executivo reconhecido pela comunidade internacional deu conta de que os houthis apreenderam um avião e fizeram “reféns” funcionários da Cruz Vermelha. No X, Muammar Al-Eryani, ministro da Informação do Governo central do Iémen, escreveu que “a milícia terrorista dos houthis deteve uma aeronave da Cruz Vermelha no Aeroporto de Saana, impedindo que parta”. “Fez o piloto e as assistentes reféns, numa escalada perigosa e numa violação flagrante do direito internacional humanitário”, afirmou o governante.
https://twitter.com/ERYANIM/status/2076618503474299335?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2076618503474299335%7Ctwgr%5Eb3882844192c1977ca0ceaaa1a6e2cb4ee95a19a%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fobservador.pt%2Fliveblogs%2Feua-continuam-a-atacar-irao-teerao-reivindica-ataques-contra-oma-e-bahrein%2F
A Arábia Saudita é um dos principais apoiantes do Governo internacionalmente reconhecido do Iémen. A diplomacia do país ainda não reagiu oficialmente ao sucedido, nem às acusações dos houthis.