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Onda de calor no Reino Unido fez 440 vítimas mortais por dia, segundo dados do Imperial College

As elevadas temperaturas continuam a assolar o noroeste da Europa. Em junho, o continente registou a sua maior e mais intensa onda de calor de sempre.

Afonso Serras
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A onda de calor que afetou o território inglês e do País de Gales, matou cerca de 440 pessoas por dia, segundo estimativas que constam na análise feita pelo Imperial College London. Entre os meses de maio e junho, o número de mortes devido ao aumento da temperatura chegou aos 2.700.

O estudo noticiado pelo The Guardian concluiu que mais de 40% das pessoas afetadas não teriam morrido sem este aumento da temperatura. Clair Barnes, investigadora no Imperial College of London avisa que a gravidade das elevadas temperaturas deve alertar as pessoas de que estes fenómenos climáticos são razão de preocupação e algo para o qual os cidadãos europeus se devem preparar.

Mark McCarthy, que faz parte da agência meteorológica do Reino Unido (Met Office) e também interveio no mesmo estudo, afirma que as temperaturas extremas da região estão a aumentar a um ritmo mais acelerado do que as médias. E este verão poderá ser ainda pior devido à possibilidade de ocorrência do fenómeno “El Niño”. Segundo os especialistas, o fenómeno das temperaturas extremas continuará a piorar, enquanto a emissão de gases poluentes continuar.

O calor intenso pode afetar várias pessoas, independentemente do estado de saúde em que se encontrem. É considerado ainda um “assassino silencioso”, pois os primeiros sintomas são facilmente negligenciados pela maioria das pessoas. Foi por isso que, no pico deste recente evento climático houve três “avisos vermelhos” consecutivos, por parte das autoridades de saúde britânicas.

A UKHSA (UK Health Security Agency), o equivalente em Portugal à DGS, declarou que mais de 10 mil pessoas morreram na Grã-Bretanha, por conta das condições climatéricas causadas pelas ondas de calor entre 2020 e 2024. E os dados mais recentes, que dizem respeito à onda de calor do final de maio, mostram que cerca de 550 pessoas morreram devido às elevadas temperaturas. Mais de 60% foram o resultado direto do “calor extra” proporcionado pela crise climática.

Em território europeu, a onda de calor de junho foi a mais extensa e grave de sempre, de acordo com um relatório da universidade norte-americana do estado do Indiana. Na Alemanha, onde os termómetros chegaram a uma temperatura recorde de 41,7ºC, morreram 5.500 pessoas, segundo dados do governo alemão.

Em Inglaterra, no mês de maio, os termómetros no oeste de Londres chegaram a máximas de 35,1ºC, enquanto que no leste do país, ultrapassaram os 37ºC em junho. As habitações no país, construídas para o clima temperado oceânico da Grã-Bretanha, não têm a estrutura adequada para responder ao calor intenso que o evento climático trouxe.