(c) 2023 am|dev

(A) :: "Eles não vão esquecer o nosso uniforme, nem nós vamos esquecer o rosto deles". Casal britânico resgatado de ravina após incêndio em Almería

"Eles não vão esquecer o nosso uniforme, nem nós vamos esquecer o rosto deles". Casal britânico resgatado de ravina após incêndio em Almería

“Olha outra vez, tenta uma última vez”, foi o pressentimento de agentes da Guarda Civil que salvou dois turistas de uma ravina em Los Gallardos. Isso e o "esforço titânico" do casal para responder.

Mariana Furtado
text

Num dos gritos que fizeram ecoar no meio da escuridão da zona montanhosa de Los Gallardos — “Olá. Guarda Civil!” —, uma equipa de agentes da Guarda Civil espanhola obteve a (in)esperada resposta. Um casal de turistas britânicos, gravemente ferido pelo incêndio em Almería, conseguiu reagir e chamar a atenção das autoridades. Acabaram resgatados durante a madrugada de sexta-feira.

Nesse dia, a noite já caía e os agentes já haviam verificado a área. Mas sentiram que precisavam de voltar. A TVE, que revelou o caso no sábado, conversou com três dos agentes envolvidos. “A experiência que vamos acumulando ao longo dos anos é que nos diz: olha outra vez, tenta uma última vez, olha mais uma vez, por via das dúvidas”, explicou o sargento Pedro Barre, um dos socorristas, à televisão pública espanhola.

https://twitter.com/radio5_rne/status/2076253018677199214

“Para nós, era inacreditável que ainda houvesse vida ali, que ainda houvesse pessoas vivas”, diz um emocionado Manuel Moyano, outro agente da Guarda Civil que foi em socorro do casal. Ainda assim, tentaram uma e outra vez até que ouviram o que podia ser uma resposta “muito ao longe”. “Chegámos a pensar que poderia ser o eco”, admite Barre.

Nestas condições, “o facto de eles conseguirem gritar foi um esforço titânico”, afirma Rafael Zea, um dos agentes da Guarda Civil envolvidos na operação de resgate que durou cerca de duas horas. Barre descreve a “surpresa” e a “emoção” daquele momento: “Eles não vão esquecer o nosso uniforme, com certeza, nem nós vamos esquecer o rosto deles, nunca na vida”.

O casal encontrava-se a fazer uma caminhada quando foi cercado pelas chamas do incêndio que deflagrou na zona de Los Gallardos, na província de Almería (Andaluzia), no sul de Espanha. Segundo as autoridades que os encontraram, ambos apresentavam queimaduras graves em cerca de 40% do corpo e encontravam-se semiconscientes quando foram localizados numa ravina de difícil acesso.

Foram posteriormente transportados para a unidade de queimados do Hospital Virgen del Rocío, em Sevilha. Embora os ferimentos sejam graves, os médicos confirmam que estão livres de perigo.

O balanço do incêndio em Los Gallardos agravou-se no final de domingo com dois novos desdobramentos: a confirmação da morte de uma idosa de 93 anos, que se encontrava internada no Hospital Torrecárdenas, em Almería, fazendo subir o número de vítimas mortais para 13, e a atualização do Centro Integrado de Dados (CID), que somou dois novos casos à lista de desaparecidos, elevando o total oficial para dez.

https://observador.pt/2026/07/12/espanha-fogo-em-almeria-esta-controlado-e-cerca-de-mil-pessoas-que-tinham-sido-retiradas-da-zona-foram-autorizadas-a-regressar/

Conforme o Observador já tinha noticiado no sábado, as primeiras vítimas mortais deste trágico fogo na Andaluzia acabaram por perder a vida ao “ignorarem as ordens de evacuação” iniciais, de acordo com o ministro da Proteção Civil andaluz, Antonio Sanz. Ao tentarem fugir à última hora, os moradores terão ido “para o lado errado, dirigindo-se para uma armadilha, o que lhes acabaria por custar a vida”, segundo Sanz.

https://observador.pt/2026/07/11/vitimas-de-incendio-em-almeria-ignoraram-ordem-de-evacuacao-e-fugiram-para-o-lado-errado-diz-ministro/

A origem do incêndio estará associada à queda de um cabo de alta tensão nas imediações da estrada N-340. O ministro Antonio Sanz sublinhou o impacto deste desastre ao classificá-lo como uma “tragédia sem precedentes” e o incêndio “mais devastador” alguma vez registado na região.