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(A) :: Luís Neves pagou 5 mil euros a empreiteiro para "pequenas despesas" e "fundo de maneio". Revelará faturas "se entender que é necessário"

Luís Neves pagou 5 mil euros a empreiteiro para "pequenas despesas" e "fundo de maneio". Revelará faturas "se entender que é necessário"

Ministro da Administração Interna deu entrevistas a três canais sobre a contratação polémica de um amigo que trabalhou para a PJ: "Sabendo o que sei hoje, o percurso teria sido diferente."

Martim Andrade
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Leonor Riso
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Eram para ser apenas três paredes e uma casa de banho, mas as obras acabaram por se ampliar para incluir “um pequeno alpendre”, um tanque e “uma parte em que os carros estacionam” — e suscitaram a polémica que rebentou na passada quinta-feira. Tudo começou depois de o jornal Nascer do Sol ter revelado que o ministro da Administração Interna contratou a título pessoal um empreiteiro que realizou várias obras ao serviço da Polícia Judiciária, quando Neves era diretor nacional da PJ.

Nas entrevistas dadas aos canais Now, TVI e CNN, Luís Neves não esclareceu de que forma pagou 5 mil euros ao empreiteiro João Carvalho. À TVI, questionado sobre este valor em particular, o ministro afirmou: “São 5 mil euros que eu lhe fui dando de cada vez, aos fins de semana, que eu lhe dava para pequenas despesas e para fundo de maneio. Ele há de apresentar… Repare uma coisa, as obras é uma parede, são três paredes, uma casa de banho com 7m2, e um alpendre e um tanque que foi feito. É disto que estamos a falar.” Ao Observador, o ministro recusou mostrar os comprovativos dos pagamentos ao empreiteiro.

Sobre as faturas das obras registadas no portal e-Fatura como pagas pela empresa unipessoal da mulher de Luís Neves, no valor de 27.483 euros — e que incluem os 5 mil euros pagos a João Carvalho —, o ministro afirmou que dizem respeito a materiais adquiridos e que foram declaradas às Finanças. “Eu poderei mostrar as faturas de forma absolutamente transparente”, referiu à TVI. “Mas não é só clicar num botão.” Luís Neves pode revelá-las, mas só “se entender que ainda é necessário”. Luís Neves justifica que teve “um diminuto tempo para responder” e que não é responsável por este assunto, porém, considera que a faturação disponibilizada no portal e-Fatura é um “comprovativo suficiente”. “Mas alguém vai passar uma fatura que não está paga?”, exclama Luís Neves.

https://observador.pt/2026/07/10/luis-neves-faturas-de-obras-chegam-a-27-mil-euros-mas-ministro-recusa-mostrar-comprovativos-de-pagamento-a-empreiteiro/

Segundo o governante, no que toca a fornecimentos, 90% das faturas foram pagas por transferência bancária ou por multibanco, quando pagas ao balcão.

Ministro nega favorecimento em contratos na PJ

Em entrevista ao canal Now, Luís Neves explicou que entre 2019 e 2023, quando o empreiteiro João Carvalho celebrou 70% dos seus contratos públicos, nunca tinha interagido com o empresário. Luís Neves reforça que apesar de atualmente serem “amigos”, nunca houve “qualquer favorecimento” para a adjudicação de trabalhos na Polícia Judiciária. “Tal como ganhou contratos, também perdeu outros”, mencionou o ministro, garantindo que as oportunidades surgiram sempre através de concursos públicos.

Mas a polémica que coloca o ministro da Administração Interna sob fogo está centrada num imóvel em Odemira, que comprou em 2024. Já formada uma relação de amizade com o empreiteiro, Luís Neves confessa que convidou João Carvalho a visitar a recém-adquirida propriedade alentejana e pediu uma “opinião de amigo”. “Se fosse seu, o que é que fazia?”, recorda o governante ter questionado o empreiteiro. Por “razões pessoais dele”, Luís Neves confirma que decidiu encarregá-lo de um trabalho que considerava “uma coisa simples” e que João Carvalho se comprometeu a realizar “aos poucos, aos fins de semana”. “Tinha confiança para não exigir contrato”, admite Luís Neves.

“Às vezes está quatro, cinco, seis meses sem lá ir”, referiu ainda.

O ministro explica que foram pagos os valores pelos materiais utilizados para a construção, e que só no final dos trabalhos “é que se vê quanto é que se gastou”. O ex-diretor nacional da PJ estima que o projeto custe, no final, entre 20 e 30 mil euros. Para o governante, o facto de se tratar de uma obra “simples” justifica o facto de não ter exigido a assinatura de um contrato, dando o exemplo de várias obras que já solicitou, de diferentes magnitudes, em que celebrou contratos.

Sendo agora amigos e Luís Neves um membro do Governo, o governante admite que “hoje faria de maneira diferente”, considerando a hierarquia da relação. Contudo, torna a reforçar que o grosso das obras adjudicadas à Construbarcelos pela PJ “foi feito antes de se conhecerem” e que “está tudo muito limpinho”. O ministro da Administração Interna revela ainda que conversou com Luís Montenegro sobre o tema, mas o primeiro-ministro “disse o que diz sempre: Trabalho e foco”.

O jornal Nascer do Sol adianta que o empreiteiro João Carvalho foi alvo de uma investigação em 2017 por suspeitas de falsificação de documentos e insolvência dolosa. Questionado sobre esta notícia, Luís Neves diz que não tem a capacidade de “confirmar”, mas garante que o empresário “nunca foi acusado”. O ministro da Administração Interna reitera que a Construbarcelos e João Carvalho foram alvo de um “screening” do gabinete de segurança da PJ, que “vê e vai a todo o lado”, e que nada alarmante foi detetado. “Nunca ninguém colocou nenhuma questão”, continua.

“Somos amigos”, frisou Luís Neves sobre João Carvalho, que considerou “um homem absolutamente extraordinário, uma pessoa boa e simples”. “Sabendo o que sei hoje, naturalmente o percurso teria sido diferente, sem nunca renegar a amizade”, afirmou.