A Comissão Europeia quer cortar dois milhões de euros do financiamento previsto até 2028 para a Bienal de Veneza, depois da decisão da organização em reabrir o pavilhão da Rússia contra recomendação do júri internacional que atribui os prémios da exposição — e que depois levou à demissão dos cinco elementos desta comissão.
A decisão foi comunicada este sábado pela comissária europeia para a Democracia, Henna Virkkunen, através das redes sociais. Numa publicação no X, a política finlandesa anunciou oficialmente que a UE tinha recomendado à Agência Executiva relativa à Educação, ao Audiovisual e à Cultura (EACEA) o corte deste financiamento, referindo que a Cultura na Europa, “financiada pelo dinheiro dos contribuintes, deveria promover e salvaguardar valores democráticos” e, segundo a comissária, estes valores “não são respeitados pela Rússia”.
https://twitter.com/HennaVirkkunen/status/2076006232960159831#
A polémica remonta a abril deste ano, quando o presidente da Fundação Biennale confirmou que o pavilhão da Rússia em Veneza iria voltar a abrir as portas, após ter estado encerrado nas últimas duas edições em 2022 e 2024. A organização nunca proibiu a participação de Moscovo, mas falharam em 2022 devido à desistência dos artistas e dos curadores naquela que foi a primeira edição após ter eclodido o conflito na Ucrânia. Em 2024, o pavilhão esteve aberto, mas foi utilizado apenas pela Bolívia.
Mas, em 2026, o júri da Bienal de Arte anunciou um boicote formal. Não só a Rússia, mas todos os países cujos líderes fossem acusados de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional seriam excluídos da atribuição de prémios — incluindo, também, Israel, por exemplo. Em resposta, o presidente Pietrangelo Buttafuoco e a restante organização defenderam que a exposição internacional “deve permanecer um espaço aberto à participação internacional”. Até o Governo italiano manifestou-se publicamente contra o parecer do júri, defendendo a neutralidade institucional e recusando qualquer forma de censura.