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Desta vez, ele conseguiu mesmo aproveitar o facto de Carlos não estar lá: Sinner vence Zverev e volta a conquistar Wimbledon

Depois de cair cedo em Roland Garros, o italiano não desperdiçou uma nova oportunidade em Wimbledon e venceu Alexander Zverev para revalidar o título e chegar ao quinto Grand Slam da carreira.

Mariana Fernandes
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2026 está a ser um ano que ninguém poderia antecipar no que diz respeito à temporada de ténis. Entre a lesão de Carlos Alcaraz, a capacidade competitiva de Novak Djokovic e a irregularidade de Jannik Sinner em Grand Slams, tem sido impossível prever o que vai acontecer nos dias mais importantes dos torneios mais importantes. E este domingo não era exceção.

Jannik Sinner e Alexander Zverev defrontavam-se na final de Wimbledon depois de metade de um ano em que, se a lógica tivesse sempre reinado, tudo até poderia ter sido completamente invertido. O italiano chegava à primeira final de Grand Slam do ano, depois de ter perdido a meia-final do Open da Austrália e de ter ficado pela segunda ronda em Roland Garros, enquanto que o alemão procurava o segundo Grand Slam do ano e da carreira depois de ter finalmente conquistado um major precisamente em Roland Garros.

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Do lado de Sinner, que disputava a segunda final em Wimbledon, o italiano aparecia no Centre Court depois de duas semanas algo medianas: precisou de cinco sets para ultrapassar Miomir Kecmanovic, superou Nuno Borges, Jenson Brooksby, Shintaro Mochizuki e Jan-Lennard Struff com tiebreaks em três das quatro partidas e só apareceu verdadeiramente na meia-final, com uma exibição brutal que não deu qualquer hipótese a Novak Djokovic. Logo depois de afastar o sérvio, porém, deixou cautelas em relação à final.

“Quando começa a ganhar muitos jogos e não perde muitos… Isso mostra que está a jogar um ténis incrível. Vi um bocadinho durante estas duas semanas, não muito. Ele está muito, muito agressivo neste momento. A confiança dele é boa, está muito relaxado no ‘court’ atualmente, o que é bom. Vamos ver. Estou contente por enfrentá-lo. Vou tentar dar o meu melhor e vamos ver como corre”, atirou Sinner, que era o campeão em título depois de há um ano ter vencido Carlos Alcaraz na final de Inglaterra.

Do lado de Zverev, que disputava a primeira final em Wimbledon, o alemão aparecia no Centre Court cerca de um mês depois de ter o melhor dia da carreira em Paris — e também sem impressionar ao longo das últimas duas semanas. Também precisou de cinco sets para afastar Alexander Blockx, eliminou Valentin Royer, Marcos Giron, Jiri Lehecka e Taylor Fritz e também conseguiu subir de rendimento na meia-final, anulando o britânico Arthur Fery em três sets. Antes da final, não escondeu que o facto de ter vencido Roland Garros garante uma confiança adicional.

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“Acho que existem duas coisas diferentes em mim. Uma delas é que sim, quando ganhas um Grand Slam já sabes o que é e sentes que podes voltar a fazê-lo, tens essa sensação dentro de ti. A segunda coisa é que sinto que trabalhei muito no meu jogo, sinto que o meu jogo melhorou. E às vezes no desporto é tão simples como isso. Vou manter-me concentrado, vou manter-me com fome, quero mais. Quero continuar a jogar ao mais alto nível e continuar a ganhar”, disse Zverev, que já sabia que iria ultrapassar Carlos Alcaraz no segundo lugar do ranking ATP independentemente do resultado deste domingo.

Com um registo particular muito favorável a Jannik Sinner, que até aqui tinha vencido em dez dos 14 duelos entre os dois, a ideia de que a lógica de 2026 está mesmo invertida apareceu logo no primeiro set: ao longo de mais de uma hora com apenas um ponto de break que o alemão salvou, ninguém perdeu o próprio jogo de serviço e o equilíbrio obrigou a um longo tiebreak em que Alexander Zverev, depois de desperdiçar um set point e salvar outro, conseguiu mesmo ganhar o set inicial e colocar-se em vantagem na final de Wimbledon (6-7, 7-9).

O equilíbrio manteve-se no segundo set, com ambos os finalistas a vencerem todos os jogos de serviço e a levarem novamente a decisão para o tiebreak. Aí, porém, a história foi diferente. O italiano venceu os quatro primeiros pontos, o alemão esboçou uma reação, mas já não conseguiu contornar a superioridade contrária: Sinner venceu o segundo set e empatou a final de Wimbledon com mais de duas horas de jogo, aproveitando os primeiros instantes de verdadeiro ascendente no Centre Court (7-6, 7-2).

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O italiano beneficiou de uma clara quebra emocional do alemão, que parecia algo perdido em court no início do terceiro set, demasiado conversador com a própria box e a cometer erros que ainda não tinha cometido até então. Ainda assim, foi mesmo Zverev a forçar Sinner a defender-se do segundo ponto de break da final, desperdiçando o momento com uma escorregadela que ainda assustou, já que o tenista se agarrou imediatamente ao joelho, mas que não terá deixado sequelas. Pouco depois, Sinner respondeu na mesma moeda, mas capitalizou o break point e acabou por fechar o terceiro set no seu próprio jogo de serviço, aproximando-se da revalidação do título em Inglaterra (6-3).

O quarto set começou com o relógio da partida a bater nas três horas certas e o alemão a aproveitar para deixar o court pela primeira vez e passar alguns segundos no balneário. Depois de um arranque morno, Zverev salvou dois pontos de break, mas acabou mesmo quebrado nesse mesmo jogo e depois de uma vantagem do italiano, que deu um passo de gigante rumo à vitória. No fim, Jannik Sinner não deixou fugir o quarto set e o triunfo (6-4), derrotando Alexander Zverev para conquistar Wimbledon pelo segundo ano consecutivo e chegar ao quinto Grand Slam da carreira, o primeiro na atual temporada, à 100.ª vitória em majors e à 37.ª nas últimas 38 partidas.

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