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(A) :: Assaltantes do Louvre receberiam até 25 mil euros pelo roubo de peças do museu. Antigo youtuber e desempregado revelaram plano em tribunal

Assaltantes do Louvre receberiam até 25 mil euros pelo roubo de peças do museu. Antigo youtuber e desempregado revelaram plano em tribunal

Mandante "achava que podíamos ter levado mais" peças, disse um dos detidos pela suspeita da invasão ao museu em outubro de 2025, quando joias históricas foram roubadas.

Larissa Faria
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Ainda é desconhecido o paradeiro das joias históricas roubadas no Museu do Louvre, em Paris, em outubro de 2025. Mas os interrogatórios em tribunal dos dois primeiros detidos revelam como foi feito o planeamento do crime. O jornal Le Monde teve acesso aos depoimentos da dupla que, apesar de não ter admitido quem foi o mandante do roubo por medo de represálias às suas famílias, disse que este prometera um pagamento “de 15 a 25 mil euros” pelas peças.

Um dos suspeitos é Abdoulaye N., de 40 anos, que trabalhava como motorista de táxi e chegou a fazer sucesso no YouTube a publicar vídeos em que aparecia a fazer acrobacias de mota. O outro é Ghelamallah A., de 36 anos, desempregado. Ambos são pais e viviam na comuna de Aubervilliers, a cerca de 20 quilómetros do museu. Terão sido recrutados “dois ou três dias antes” do roubo, ocasião em que receberam uma gravação que exibia as joias da galeria de Apolo — o alvo do grupo. Ambos afirmam não saber o que aconteceu às peças depois de serem entregues ao organizador do roubo, que não ficou satisfeito com o resultado da ação. “Achava que podíamos ter levado mais. Tínhamos perdido tempo a entrar pela janela”, disse Abdoulaye.

O magistrado ouviu Abdoulaye e Ghelamallah nos dias 2 e 22 de junho, quando ocorreram “duas audições longas, de cerca de vinte páginas”, referiu o meio de comunicação social, que considerou que algumas das declarações foram “corroboradas pelos elementos da investigação”, enquanto outras “parecem mais desconexas ou até absurdas“. Em tribunal, Abdoulaye admitiu que sabia que se tratava do Louvre e que a ordem recebida foi “partir as janelas e recolher as joias do interior das vitrinas”, para que fossem revendidas. Disse ainda que poderiam receber até mais dinheiro que o inicialmente prometido consoante a quantidade de itens que levassem.

Ghelamallah, no entanto, afirmou que o pagamento seria “entre 20 e 25 mil euros”, e que “nunca teria posto os pés” no museu se soubesse ser este o alvo, porque tinha a indicação de que o assalto seria numa fábrica de joias na capital francesa. No dia anterior ao do roubo, treinou o manuseamento de uma rebarbadora num parque de estacionamento subterrâneo — foi esta a ferramenta utilizada para partir os vidros das vitrinas.

A dupla ter-se-ia encontrado com outras duas pessoas (das quais não revelaram os nomes) na manhã de 19 de outubro e embarcou num camião equipado com uma plataforma elevatória — que lhes permitiu, segundo Ghelamallah, “fazer-se passar por [operários de] obras de manutenção“. Os dois utilizaram a estrutura para invadir o museu, aberto ao público há trinta minutos, enquanto os outros dois criminosos permaneceram no veículo.

Alguns seguranças foram vistos a “agitar-se ao longe, atrás de uma porta”, disse Abdoulaye. O objetivo, revela, era levar o máximo de joias que pudessem. Mas a falta de destreza do seu comparsa com a ferramenta, considera, fez com que demorassem “demasiado tempo” na galeria, levando “só” oito joias. Os quatro criminosos naquele sítio derramaram gasolina sobre o camião numa tentativa de “apagar os vestígios”, disse. “Não tínhamos planeado atear fogo”. O mandante terá participado diretamente no roubo, mas Abdoulaye e Ghelamallah negaram que se trate de Slimane K. ou Rachid H., também detidos. Sem pormenores, Abdoulaye disse que seria “um tal de Jo, de Aubervilliers“.

Conseguiram escapar à polícia, com Ghelamallah e uma outra pessoa a embarcar numa Berlingo branco estacionada desde a manhã daquele dia no cais de Ivry-sur-Seine para dar suporte à fuga. Mas quem estava com todas as joias era na verdade Abdoulaye, que fugiu do cais numa scooter, o que também fez o quarto elemento do grupo. Conduziram em direção oposta à da carrinha, que estava a chamar a atenção da polícia. O trajeto que deveriam fazer com a Berlingo não foi previamente definido, pelo que Ghelamallah conduziu “ao calhas” até ao oeste de Paris, levando a polícia a considerar que as joias seriam escondidas na floresta ou entregues a outra pessoa.

Abdoulaye seguiu para a zona leste de Paris, onde terá entregue as joias ao mandante da ação num parque de estacionamento subterrâneo em Aubervilliers — tal relato foi confirmado em imagens de câmaras de vigilância analisadas pelos investigadores. “Outras pessoas” esperavam também no exterior para recolher as joias com o mandante, disse Abdoulaye. Depois disto, a polícia não sabe o que terá acontecido, mas trabalha com duas hipóteses. A primeira é que as joias continuam escondidas em Paris e os quatro detidos sabem a sua localização. A segunda é a de que um ou mais mandantes terão entregue as joias já a 19 de outubro para que deixassem o país.

Entre as peças furtadas, estavam um conjunto de esmeraldas, outro de safiras, tiaras e pregadeiras. Ficou para trás a coroa da imperatriz Eugénia, que caiu da mala de Abdoulaye durante a fuga, ainda no museu. Uma fotografia que mostra os danos causados à peça histórica foi exibida à dupla em tribunal. “Não está bem o que fizemos, é muito grave. Ainda bem que não sou suicida, senão ter-me-ia suicidado”, disse o ex-motorista de táxi. Noutro momento, questionado se as joias foram desmontadas, não esclareceu se tal ocorreu. Reconheceu a sua participação no crime, mas disse que o ocorrido após as suas ações o “ultrapassa”.