O líder do PS instou este domingo o primeiro-ministro a “meter a mão na consciência” sobre a situação dos exames e exigiu saber “o que falhou” e o que se está a fazer para “restabelecer a confiança”.
À chegada para o congresso federativo da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS, em Lisboa, José Luís Carneiro reiterou as críticas a Luís Montenegro sobre os problemas com as correções dos exames nacionais e considerou que “tarda do primeiro-ministro uma palavra que dê confiança às famílias no processo” e nas notas, que serão conhecidas na sexta-feira depois de um adiamento dos prazos.
“O primeiro-ministro, em detrimento de uma resposta clara, que desse confiança, que mostrasse humildade a reconhecer aquilo que falhou, falou com algum desdém num festival de música. E aquilo que eu digo ao primeiro-ministro é que ele tem de meter a mão na consciência e tem de ter consciência de que é primeiro-ministro do país”, desafiou.
Para o secretário-geral do PS, “mais importante” do que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, “são as famílias e os jovens, os mais de 350 mil jovens que no país esperam por uma palavra de confiança do primeiro-ministro”.
“E há duas palavras fundamentais: por um lado o que é que falhou e o que é que está a ser feito para restabelecer a confiança no processo de classificação daqueles que agora concorrem ao ensino superior“, exigiu.
Depois de na véspera ter admitido viabilizar uma comissão de inquérito aos exames, instrumento que o BE propôs no parlamento, Carneiro reiterou que esta “poderá ser ou não necessária”.
“Depende dos termos em que o Governo seja capaz de ter a humildade, por um lado, de reconhecer as falhas, o que é que falhou, que é aquilo que as pessoas exigem, e o que é que foi feito para corrigir o que falhou”, disse.
Segundo o líder socialista, é preciso que o Governo clarifique “como é que se garante a confiança no processo de classificação das provas de mais de 300 mil jovens”.
“Esta decisão é da exclusiva responsabilidade deste Governo, e é disso que se está a falar”, insistiu.
“Todos atiram pedras ao PS” porque o partido “está no caminho certo”
José Luís Carneiro defendeu que, depois de o PS ter sido visto como “condenado a desaparecer”, atualmente todos lhe “atiram pedras”, considerando que isso prova que o seu partido está “no caminho certo”.
“O PS, há um ano e meio, foi visto como uma força política que estava condenada a desaparecer. O que é certo é que hoje todos atiram pedras ao PS”, disse o líder socialista aos jornalistas.
Carneiro tinha sido questionado sobre as críticas que se ouviram ao seu partido no congresso do Livre, que considerou “legítimas e democráticas”, preferindo referir-se à última reunião magna do PSD.
“Porque é que todos atiram pedras ao Partido Socialista? Houve mesmo um partido que fez um congresso, que do princípio ao fim o dedicou não a falar da esperança para o futuro do país, mas a atacar o Partido Socialista. Por alguma razão há de ser”, considerou.
Depois, já do púlpito e durante o seu discurso perante os congressistas, o secretário-geral do PS voltou a esta ideia.
“Quando há alguns dias vi o congresso do partido que hoje suporta o Governo a dedicar todas as horas do seu trabalho político a atacar o PS e a atacar o secretário-geral do PS, eu disse para mim: ‘esta é a prova de que estamos no caminho certo para afirmarmos uma alternativa e para servir Portugal'”, concluiu.
Para Carneiro, o PS é a “alternativa credível a este Governo” liderado por Luís Montenegro, que acusou de ter falhado “em todas as áreas, em todos os setores, a todas as promessas, a todos os compromissos que assumiu com os portugueses nas últimas eleições legislativas”.
O líder socialista insistiu numa ideia que vem das recentes jornadas parlamentares do partido.
“Nós não temos pressa, mas não podemos perder tempo na construção dessa alternativa”, pediu.
Por isso, Carneiro não quer apresentar neste momento todas as “propostas como se fosse já um programa de Governo”, mas quer ter preparadas “as linhas mestras”.
“E é para essas linhas mestras desse programa de Governo que eu vos convoco a todas e a todos”, pediu.