Considerado o chefe da Casa Imperial do Brasil do ramo de Vassouras, Bertrand de Orleans e Bragança não reconhece o noivado do seu sobrinho e sucessor ao trono, Rafael de Orleans e Bragança, de 40 anos, com a aristocrata italiana Margherita delle Piane, de 38 anos. O anúncio foi feito este sábado no XXXVI Encontro Monárquico Nacional, em São Paulo, no Brasil, com Bertrand, Rafael e outros membros e apoiantes da família presentes. Parte da leitura do anúncio foi divulgada nas redes sociais.
O noivado terá ocorrido em maio deste ano, com Rafael a afirmar numa entrevista à revista francesa Point de Vue estar “apaixonado por uma italiana” que partilha “os mesmos princípios e valores católicos”. Margherita, diz o nomeado príncipe, percebeu o que a “missão da família Orleans e Bragança” significa para ele. Mas o casal agora enfrenta a reprovação de Dom Bertrand — de 85 anos, que nunca se casou nem teve filhos — ao matrimónio. A decisão demonstra que este cumpre a tradição que impõe que os casamentos de membros da realeza apenas sejam reconhecidos se ocorrerem com outro membro de uma casa real.
Desta feita, caso Rafael decida mesmo casar-se com a italiana, terá de renunciar aos seus direitos de sucessão ao trono do Brasil, o que também se estenderia aos seus descendentes. E se for mesmo retirado da linha de sucessão, quem herdaria o trono de Bertrand seria a sua irmã, Maria Gabriela, que vive em Lisboa, tem 37 anos e é solteira, sendo considerada por Rafael “um pilar de apoio” que assumiria o seu lugar “caso algo acontecesse”. A nomeada princesa dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança também participa nos eventos monárquicos: a 4 de julho, visitou Coimbra, onde recebeu a Grã-Cruz da Real Ordem de Santa Isabel — no evento organizado para a entrega da distinção estava também presente a noiva de Dinis de Bragança, a condessa austríaca Anna Schaffgotsch.
Rafael subiu na linha de sucessão em 2009, quando o seu irmão Pedro Luiz de Orleans e Bragança morreu no acidente do voo AF 447 da Air France, que voava do Rio de Janeiro para Paris. Ao mesmo meio de comunicação social, Rafael, que atualmente vive em Londres, referiu que a sua noiva estaria disposta a acompanhá-lo na sua agenda monárquica e mudar-se para o Brasil. À ocasião, não foi questionado sobre a possibilidade de perder o seu título de príncipe para celebrar o matrimónio. Mas quando questionado sobre a sua opinião relativamente às disputas dinásticas, afirmou que mesmo que os membros da sua família discordem das decisões de Bertrand, devem respeitá-lo “para assegurar a continuidade e sobrevivência [da monarquia]. É isso que torna uma dinastia forte”. Não se sabe até ao momento, no entanto, se tal opinião irá permanecer após o não reconhecimento do seu casamento.
Não é a primeira vez que isto ocorre na Casa Imperial do Brasil: em 1908, Dom Pedro de Alcântara renunciou ao trono para se casar com a condessa Elisabeth Dobrzensky von Dobrzenicz — os seus pais (a Princesa Isabel e o Conde d’Eu) assinaram a sua decisão, criando uma divisão na família. Os Orleans e Bragança passaram a organizar-se entre o ramo de Vassouras e de Petrópolis, ambas as cidades do Rio de Janeiro. Até aos dias de hoje, os descendentes da Princesa Isabel e do Conde d’Eu discutem quem são os verdadeiros sucessores ao trono, mesmo que o Brasil tenha abolido a monarquia em 1889.
Fontes próximas do casal revelam que caso Rafael mantenha o seu compromisso com Margherita, a festa ocorrerá a 28 de novembro deste ano, em Florença, em Itália — região em que a família da noiva possui várias propriedades, como moradias, vinhas e produções de azeite. O casal conheceu-se em 2020 em Londres através do irmão de Margherita, Guy delle Piane, que por sua vez é casado com a princesa Xenia de Croÿ, prima de Rafael.