Se tivesse um filho em época de exames, Manuel Castro Almeida reconhece que “era capaz de estar um bocadinho preocupado”. Mas, embora assuma que a nova forma de classificar exames “correu mal”, o ministro da Economia e Coesão Territorial considera que não houve “nenhum desastre” e “o ministro [Fernando Alexandre] está a dominar a situação”. “Daqui a um ano ninguém se lembra disto“, garante.
Em entrevista à SIC Notícias, o ministro da Economia começa por reconhecer que, se estivesse na situação dos milhares de pais com filhos que fizeram exames nacionais, “era capaz de estar um bocadinho preocupado” com o atraso provocado pelos problemas no novo sistema de classificação. “Houve aqui uma perturbação, um abalo, que causa intranquilidade”, admite Castro Almeida, “mas o ministro já veio dizer que está em condições de garantir tranquilidade, três dias depois”.
“Um atraso de três dias não é uma coisa desastrosa“, repete, reconhecendo que não foi “uma boa situação, quando as coisas correm mal, correm mal” – mas “não é nenhum desastre e a situação está controlada”.
As pautas com as notas dos exames nacionais do ensino secundário serão afixadas mais tarde devido às “dificuldades informáticas no processo de classificação eletrónica”. De acordo com o Governo, em vez de serem disponibilizadas nas escolas no dia 14 de julho, serão afixadas a 17 de julho.
https://observador.pt/2026/07/09/exames-nacionais-ministro-da-educacao-garante-controlo-do-processo-de-correcao/
Questionado sobre outro tema, mais ligado ao seu campo de ação, o ministro Castro Almeida admite que o crescimento da economia portuguesa ficou aquém das expectativas em 2024 e 2025 e que, em 2026, a economia continua a expandir-se a um ritmo moderado.
Segundo Castro Almeida, dois acontecimentos extraordinários alteraram o cenário económico previsto: a guerra no Golfo e as tempestades que atingiram a região Centro no início do ano.
As previsões foram feitas sem saber que haveria uma tempestade que só acontece uma vez em cada século. E também não era suposto haver a guerra no Irão, que teve um grande efeito no preço do petróleo”, afirmou.
Ainda assim, o governante destaca que Portugal continua a crescer acima da média da zona euro.
“No primeiro trimestre de 2026, a economia portuguesa cresceu 2,3% em termos homólogos, enquanto a zona euro cresceu apenas 0,3%. Crescemos dois pontos percentuais acima da média europeia”, afirmou. “É pouco, mas é substancialmente acima dos nossos parceiros europeus.”
Castro Almeida salientou, porém, que Portugal continua a enfrentar um atraso significativo em termos de riqueza.
“Temos um fosso de cerca de 20 pontos percentuais no PIB per capita para recuperar. Estamos aproximadamente nos 80% da média europeia. Se crescêssemos de forma consistente dois pontos acima da média europeia, recuperaríamos rapidamente esse atraso. Mas a verdade é que este fosso mantém-se há cerca de 30 anos e temos estado, durante esse período, praticamente a marcar passo”, concluiu.