As vítimas mortais do incêndio em Almería, na província espanhola da Andaluzia, “ignoraram as ordens de evacuação” que lhes foram transmitidas e, quando, à última hora, decidiram fugir, foram “para o lado errado, dirigindo-se para uma armadilha, o que lhes acabaria por custar a vida“. Esta é a descrição feita por Antonio Sanz, ministro responsável pela proteção civil e resposta a emergências do governo andaluz, da forma como o fogo – que continua a lavrar neste sábado – terá levado à morte de pelo menos 12 pessoas.
Além das vítimas confirmadas, as autoridades continuam à procura de 23 pessoas cujo paradeiro é desconhecido, tendo a Guardia Civil já recebido sete participações de desaparecimento. Vários dos mortos são cidadãos estrangeiros, incluindo quatro britânicos que estavam nesta zona de Los Gallardos.
Neste sábado, o ministro dos Transportes do Governo espanhol, Óscar Puente, questionou a decisão de não ter sido utilizado o sistema de alertas móveis ES-Alert para avisar a população em risco. E foi em resposta a essa insinuação que o ministro andaluz Antonio Sanz defendeu a atuação das autoridades.
As pessoas deveriam ter saído do local, mas ficaram. Depois, quando acabaram por decidir abandonar a zona, à última hora, seguiram pelo caminho errado, entrando numa armadilha que lhes custou a vida”, afirmou o responsável.
De todo o modo, Sanz sustentou que o envio de uma mensagem de alerta generalizado poderia ter gerado o caos entre a população, defendendo que as instruções de evacuação foram transmitidas de forma direcionada pelas equipas de emergência e pelas autarquias de cada localidade.
Porém, citado pelo jornal The Telegraph, um britânico que mora em Bédar, uma zona atingida pelo incêndio, garantiu que “a evacuação não foi especialmente bem organizada. Só ouvi o meu vizinho a dizer ‘pega numas roupas e foge!'”. Por essa altura, o fogo já se propagava a enorme velocidade, confirmou uma fonte oficial da Guardia Civil – “a decisão de ordenar a evacuação foi tomada o mais rapidamente possível, com a informação que tínhamos ao dispor”.
Enquanto mais de 500 bombeiros e 32 meios aéreos continuam a combater as chamas, agentes da Guardia Civil estão a percorrer as zonas queimadas e os edifícios destruídos à procura de mais vítimas. Alguns dos corpos encontrados ficaram carbonizados ao ponto de as autópsias não terem permitido ainda a sua identificação.
Quatro cadáveres encontrados no interior de um automóvel com volante à direita deverão, acreditam as autoridades, pertencer a uma família britânica. Outras oito vítimas foram encontradas perto da aldeia de Bédar, aparentemente quando tentavam fugir a pé ao avanço das chamas.
Segundo as primeiras investigações, o incêndio terá começado na tarde de quinta-feira devido a faíscas provocadas pela rutura de um cabo elétrico em Los Gallardos.
Impulsionadas por ventos na ordem dos 50 quilómetros por hora, as chamas subiram rapidamente pela encosta em direção à aldeia montanhosa de Bédar, onde cerca de metade dos 950 habitantes são reformados britânicos. Em apenas duas horas, o incêndio percorreu cerca de 15 quilómetros, segundo as autoridades.
Antonio Sanz afirmou que este é “o incêndio mais devastador até à data” na região e descreveu a situação como uma “tragédia sem precedentes”.
https://observador.pt/2026/07/10/espanha-incendio-na-provincia-de-almeria-causa-11-mortos-queda-de-cabo-eletrico-tera-causado-tragedia-sem-precedentes-na-andaluzia/
“A situação do incêndio é complexa. Trata-se de um incêndio numa zona com muitos desfiladeiros, onde não foi possível fazer entrar maquinaria e onde não há zonas de acesso. A topografia é péssima”, explicou Sanz, citado pela agência Efe.
Já o presidente do Governo, Pedro Sánchez, expressou “profunda tristeza e consternação” pelas consequências do incêndio. “Quero expressar as minhas condolências às famílias daqueles que morreram no incêndio florestal de Los Gallardos”, escreveu nas redes sociais. O chefe do Executivo espanhol também desejou “uma rápida recuperação aos feridos” e expressou “solidariedade a todos os moradores afetados”.
Entretanto, a Junta da Andaluzia decretou três dias de luto oficial pelas vítimas do incêndio, a vigorar entre sexta e domingo, segundo o boletim oficial extraordinário publicado, que refere ainda que a bandeira andaluza ficará a meia-haste nos edifícios públicos. Em paralelo, adianta o jornal El Mundo, os conselheiros do novo Governo de Juanma Moreno só tomam posse esta tarde num evento interno, após a cerimónia inicialmente agendada para esta manhã no Palácio de San Telmo ter sido adiada devido ao incêndio.
Foi também criado um gabinete de denúncias para a localização de desaparecidos no Posto da Guarda Civil de La Garrucha, com vista a ajudar os familiares que não conseguem encontrar os membros da sua família. As autoridades apelaram às pessoas para se dirigirem a esta unidade, de forma a conseguirem acelerar o processo de identificação das 23 pessoas desaparecidas na sequência do incêndio.