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(A) :: Itália. Concessionários de praia impedem clientes de comer refeições trazidas de casa. "Mar não pode tornar-se um luxo", defende governador

Itália. Concessionários de praia impedem clientes de comer refeições trazidas de casa. "Mar não pode tornar-se um luxo", defende governador

Restaurantes proíbem clientes que alugam espreguiçadeiras e chapéus de sol no areal de comerem alimentos trazidos de casa. Em Vieste, uma criança foi impedida de comer uma sandes à beira-mar.

Larissa Faria
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Em Portugal, a polémica sobre se era ou não permitido colocar chapéus de sol em frente aos espaços concessionados na praia marcou o início do verão e levou a ministra do Ambiente a sugerir a criação de mapas; já em Itália, país onde grandes áreas de praia são concessionadas e obrigam a pagamento, o debate é outro: pode-se ou não consumir comida trazida de casa debaixo de um chapéu de sol alugado?

A questão surgiu em Vieste, uma cidade costeira na Puglia, no sul do país. Segundo o Corriere della Sera, uma mãe foi advertida de que o filho não podia consumir uma sanduíche — que a própria tinha escondido no fundo do saco de praia — trazida de casa. Só era permitido comer o que fosse comprado no estabelecimento. O sucedido foi ainda divulgado pela imprensa internacional, exemplo do jornal britânico The Guardian, que destacou que em Itália, até 70% da costa em algumas regiões, como Emilia-Romagna e Liguria, é privada: ou seja, em mais de metade do areal disponível, quem quiser usufruir de banhos de sol e mar tem que pagar.

Se, por um lado, os empresários italianos alegam pagar uma grande quantia para poder operar nas praias, do outro os clientes reclamam face aos preços daquilo que é vendido e o direito de comerem nas praias o que preferirem, sem a obrigação de consumir no restaurante que lhes aluga os equipamentos. O representante da associação de concessionários de praia, a Assoturismo, argumenta que os clientes não se limitam a levar apenas pequenas refeições, mas sim “piqueniques que prejudicam a imagem dos clubes de praia”. Nicola Ragno disse àquele jornal que as “refeições completas” dos banhistas criam “problemas de higiene, de gestão de resíduos e de ordem geral, ao mesmo tempo que complicam os serviços que os proprietários dos negócios prestam através de investimentos significativos e pessoal dedicado”.

O presidente da região italiana da Puglia, no entanto, discorda das afirmações de Ragno. Num vídeo partilhado na sua página no Facebook, Antonio Decaro afirmou “com espanto” que ninguém pode impedir as pessoas de comer na praia a comida que trouxeram de casa, considerando ainda “exorbitantes” os preços do aluguer de espreguiçadeiras e dos chapéus de sol. “O mar é um bem comum e não deve tornar-se um luxo”, afirmou na legenda da publicação. As regras impostas de forma independente pelos clubes de praia, no entanto, não ocorrem apenas na Puglia, mas também noutras regiões do país, como foi noticiado pelo The Guardian, que chamou “polícia do panini” aos fiscais dos clubes de praia que advertem os clientes.

Desde 2019, a associação Mare Libero (“mar livre” em português) contesta as “medidas ilegítimas das administrações municipais em todo o país”, que considera ser “quase sempre mais favoráveis aos interesses privados das concessionárias que gerem os estabelecimentos do que aos direitos dos cidadãos”, citando “abusos do património público” e a “negação do livre acesso dos cidadãos às praias e ao mar“.