Kai Wegner, o atual presidente da Câmara de Berlim, anunciou na tarde desta sexta-feira numa conferência de imprensa que não se vai candidatar à reeleição em setembro. O membro da União Democrata-Cristã (CDU) cede assim à pressão do partido, depois de um caso polémico que afetou o seu Governo em janeiro — quando o autarca decidiu ir jogar ténis enquanto um apagão atingiu a região sudoeste da capital alemã, deixando 45 mil residências sem luz. De acordo com Wegner, a redução da confiança no seu Governo impede-o de comunicar as suas propostas ao eleitorado, cita o The Guardian.
A 3 de janeiro de 2026 um incêndio criminoso provocou um apagão em Berlim. 45 mil residências e mais de 2 mil empresas ficaram às escuras por quase uma semana. Mais de 100 mil pessoas foram afetadas e hospitais, escolas e lares ficaram comprometidos durante uma onda de frio, obrigando a evacuação de idosos para abrigos aquecidos, recorda o DW.
Contudo, Wegner decidiu ir jogar ténis com a companheira, a secretária de Educação da cidade, Katharina Günther-Wünsch, entre as 13h e as 14h de um domingo. O autarca confirmou a informação depois da insistência dos jornalistas, mas reforçou que esteve sempre contactável. “Não fiquei entediado nem a descansar, mas passei o dia todo ao telefone a tentar coordenar e obter o máximo de informações possíveis”, disse, assumindo que o jogo de ténis foi “uma pequena pausa” para “espairecer”. “A melhor maneira de o fazer é praticar desporto”.
Na conferência de imprensa desta sexta-feira, Wegner reconhece que está sob pressão devido à polémica. “Não consigo mais transmitir a minha mensagem porque outro debate está a ofuscar tudo”, disse o autarca, que apesar de assumir ter cometido “erros de comunicação”, rejeita as críticas à sua gestão da situação de emergência. Wegner também esclareceu que pretende permanecer no cargo até às próximas eleições: “Fui eleito prefeito”, disse, num tom desafiador.