Agentes da Polícia do Vale do Tamisa devem viajar aos Estados Unidos da América nas próximas semanas para falar com familiares de Virgínia Giuffre, a mulher que acusou André de abuso sexual e que morreu em 2025, avança o The Times. A ida das autoridades para os EUA confirma a investigação ao caso, que terá ocorrido em 2001 e será o terceiro na mira dos investigadores. Giuffre terá conhecido André através de Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein, quando tinha apenas 17 anos.
A mulher alegava ter sido abusada sexualmente pelo ex-príncipe em três ocasiões — a primeira delas em Londres, no apartamento de Maxwell. Uma fotografia do filho de Isabel II a abraçar a jovem Giuffre, em que a cúmplice de Epstein aparece ao fundo, tornou-se emblemática, e a sua divulgação em 2011 impulsionou o afastamento de André do cargo de enviado comercial do Reino Unido.

Em maio de 2026 a Polícia do Vale do Tamisa apelou ao público para que partilhasse informações sobre o caso de André Mountbatten-Windsor, que foi detido em fevereiro por suspeita de “má conduta no exercício de cargos públicos”. Na altura, as autoridades esclareceram que também investigariam acusações de cunho sexual — e confirmaram já terem entrado em contacto com os representantes legais de uma mulher que alega ter sido abusada pelo ex-príncipe em 2010. Dias depois, tornou-se público que o irmão de Carlos III também está a ser investigado por um caso que terá ocorrido no Royal Ascot de 2002. Agora, as autoridades britânicas querem falar com o irmão e a cunhada de Giuffre, Sky e Amanda Roberts, o que contabiliza o terceiro caso de abuso sexual a ser investigado. Entretanto, estas não serão entrevistas formais, porque ambos não são considerados testemunhas diretas do ocorrido.
O alegado abuso sexual já havia sido alvo de averiguações pelas autoridades britânicas. A Polícia Metropolitana assumiu no passado que recebeu três denúncias, em anos diferentes. A diferença é que agora é a Polícia do Vale do Tamisa a investigar — os agentes já solicitaram os arquivos do caso à Polícia Metropolitana e devem entrevistar os ex-agentes de segurança de André em breve.
Giuffre foi ouvida três vezes mas investigação nunca seguiu
Foi em 2015 que a Polícia Metropolitana recebeu as primeiras denúncias de atividades de tráfico sexual conduzidas por Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell em Londres — nomeadamente em 2001, quando Virgínia Giuffre esteve na capital britânica para o primeiro encontro com André. Virgínia Giuffre chegou a ser entrevistada pela Polícia Metropolitana em três ocasiões, mas uma investigação formal ao caso nunca foi aberta. Um dos motivos para a investigação não seguir em frente no Reino Unido estará relacionado com a idade de consentimento no país, que é de 16 anos, enquanto a alegada vítima tinha na altura 17.
“Uma decisão foi tomada em novembro de 2016 de não avançar com uma investigação criminal. Esta decisão foi reavaliada em agosto de 2019 e novamente em 2021 e em 2022, em cada instância a posição de não investigar manteve-se inalterada, e a sra. Giuffre e a sua representação legal foram informadas”, esclareceu a Polícia Metropolitana num comunicado divulgado em dezembro de 2025, quando revelou que não iria seguir com uma investigação sobre o pedido feito pelo ex-príncipe André ao seu segurança privado em 2011, por informações confidenciais sobre Virgínia Giuffre.
Os detalhes do caso foram relatados no livro de memórias de Giuffre, publicado meses depois da sua morte. A mulher acusou formalmente André de abuso sexual em 2021. O processo decorreu na justiça norte-americana e em fevereiro de 2022 ambos chegaram a acordo. Giuffre recebeu 14,3 milhões de euros, em que parte do valor foi doada à instituição que criou para apoiar vítimas de abuso e tráfico sexual. Entretanto, o antigo duque de Iorque nunca assumiu qualquer culpa no caso e continua a negar que sequer a conheceu nos anos 2000.