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Testemunhas contestam versão do ICE e dizem que migrante morto pelas autoridades não tentou atropelar agentes

Serviço de Imigração dos EUA alegou que Lorenzo Salgado Araujo tentou atropelar agentes durante uma operação de fiscalização. Testemunhas dizem que versão das autoridades não corresponde à realidade.

Martim Andrade
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Lorenzo Salgado Araujo foi morto esta terça-feira por um agente do Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos da América (ICE, na sua sigla em inglês). As autoridades norte-americanas justificaram a decisão alegando que o migrante de nacionalidade mexicana “recusou seguir uma série de ordens verbais e tentou atropelar o agente de autoridade”, escreveram numa nota após o incidente em Houston. Contudo, testemunhas no local contestam esta versão e garantem que Salgado Araujo não se dirigiu na direção dos profissionais do ICE.

Jose Trinidad Rojas também foi detido naquela operação de fiscalização numa rua da cidade texana. Numa declaração escrita enviada ao Washington Post, o homem de 51 anos garante que o testemunho dos agentes do ICE “é uma mentira”. “É impossível que tenham dito que iam ser atropelados… quando não havia agentes à frente ou atrás do carro. Estavam nos lados [do veículo]”, cita o jornal.

De acordo com o advogado Hugo Balderas-Ibarra, que recolheu o testemunho de Rojas, de Daniel Tirado Pantoja — outro detido — e o irmão da vítima mortal, Victor Salgado, os agentes “apareceram e começaram a disparar dos lados do carro”. O responsável pela defesa dos migrantes detidos garante que ouviu as versões da história de cada um que esteve no local, naquela terça-feira que terminou com a morte de Lorenzo Salgado Araujo, e que todos transmitiram os mesmos factos, mesmo estando detidos em locais distintos. Apesar das acusações de má conduta dos agentes, os três mexicanos enfrentam um processo de expulsão do país.

Num comunicado enviado esta sexta-feira ao Washington Post, o Departamento de Segurança Interna admitiu que o agente que intercetou o carro de Salgado Araujo tinha visto “um indivíduo numa carrinha branca que se parecia com um suspeito” identificado a entrar no país sem documentos. Terá sido aí que abordaram o cidadão mexicano e alegaram, na terça-feira, que dispararam apenas em autodefesa, após Salgado Araujo não ter cumprido ordens.