No domingo, um dia depois de a família de uma menina de 11 anos ter comunicado o seu desaparecimento às autoridades, a criança foi encontrada morta dentro de um saco num lago perto de Baruipur, nos arredores de Calcutá, na Índia. O caso chocou o estado de Bengala Ocidental e desencadeou vários dias de protestos violentos, que culminaram no linchamento de um homem inocente, apontado pela comunidade local como responsável pelo crime. Entretanto, a polícia deteve dezenas de pessoas por atos de violência e vandalismo e informou ter abatido a tiro um dos quatro suspeitos detidos no âmbito da investigação ao homicídio da menor, que também foi vítima de violação, relata o The Guardian.
A menina terá sido agredida e colocada no saco antes de ser atirada para um lago ainda com vida, apresentando múltiplas marcas de mordidelas e arranhões. Segundo o jornal britânico, os familiares acusam a polícia de não ter levado o desaparecimento da criança a sério, afirmando que foram os próprios a procurar pistas e analisar imagens de videovigilância da zona, com o objetivo de a encontrarem.
O homicídio provocou a fúria da comunidade local, que bloqueou estradas, incendiou veículos e linchou um homem que acreditava estar envolvido no crime. Mais tarde, quando a polícia deteve os principais suspeitos, o seu nome não constava entre os indivíduos associados ao caso, levando as autoridades a reconhecerem publicamente a sua inocência. “Prendemos 35 pessoas por violência e vandalismo até ao momento. Outros envolvidos estão a ser identificados através de vários vídeos que se tornaram virais”, disse à Reuters o chefe da polícia Arvind Kumar Anand.
Entretanto, na madrugada de quarta-feira, um dos quatro suspeitos pela violação e homicídio da menina foi morto a tiro pela polícia. Prabhas Mondal, segundo as autoridades, tentou fugir depois de ter sido levado para o local do crime no âmbito da investigação. “O meu filho já recebeu o castigo pelo pecado cometido”, afirmou a mãe do homem numa entrevista, de acordo com a NBC.
Suvendu Adhikari, que assumiu o cargo de ministro-chefe de Bengala Ocidental após a vitória do Partido Bharatiya Janata (BJP), liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, nas eleições estaduais de maio, garantiu que não haverá “nenhuma clemência” para os autores de crimes como violação e homicídio — nem para aqueles que espancam até à morte pessoas “inocentes e sem culpa”.
A violação e o assassinato da menina de 11 anos deram origem a fortes críticas da oposição, que acusa o recém-eleito Governo de falhar na proteção das mulheres. As circunstâncias da morte de Prabhas Mondal também suscitaram críticas, com vários a alertarem que o caso levanta sérias questões sobre o respeito pelo Estado de direito.