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Aprender a cuidar: porque é que a Nova Medical School vai abrir as suas portas a crianças e jovens durante este Verão

Abrir a universidade à comunidade é, no fundo, uma questão de coerência. Uma escola médica que se afirma ao serviço das pessoas não pode existir apenas para os que já a frequentam.

Ana Moita Macedo
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Há um equívoco persistente sobre o que significa formar pessoas saudáveis. Continua a tratar-se a saúde como um assunto de adultos — algo que se resolve no consultório, no hospital, depois de o problema já existir. Mas a verdade é mais incómoda: as escolhas que determinam a saúde de uma vida inteira começam muito cedo, na infância, antes ainda de termos consciência de que estamos a escolher. O que comemos, como nos movemos, como dormimos, como lidamos com o medo ou com a informação — tudo isto se aprende. E aquilo que se aprende, ensina-se.

É por isso que a literacia em saúde merece ser reconhecida como uma das competências mais decisivas do nosso tempo. Não se trata de transformar crianças e jovens em pequenos profissionais de saúde, mas de algo mais profundo e mais democrático: dar a cada pessoa, desde cedo, as ferramentas para compreender o próprio corpo, para questionar aquilo que ouve, para distinguir evidência científica de ruído. Uma criança que aprende a perguntar “porquê” sobre a sua saúde torna-se uma pessoa adulta capaz de decidir com critério — e, mais do que isso, capaz de fazer a diferença para quem a rodeia. A literacia em saúde não é um luxo educativo, é um ato de cidadania.

É com esta convicção que a Nova Medical School abre, mais uma vez, as suas portas à comunidade alargando a oferta dos seus programa de Summer Schools. Programas como o Kids ou o Junior Lifestyle Smart Habits, o Brain Challenge ou o Doctor Camp nasceram de um desafio simples: e se uma escola médica, com os seus laboratórios, os seus simuladores, com a participação de investigadores, docentes e estudantes, deixasse de ser um lugar fechado e se tornasse um espaço de descoberta para os mais novos? E se as crianças e jovens pudessem pôr as mãos na ciência, em vez de a verem sempre num ecrã?

Vivemos rodeados de informação sobre saúde — e nunca foi tão difícil saber em quem confiar. A internet oferece respostas imediatas, sedutoras, e frequentemente erradas. Competir com isto não se faz com mais aulas formais nem com mais proibições. Faz-se com experiências que o digital não consegue replicar: o cheiro de um laboratório, a textura de um modelo anatómico, a emoção de uma descoberta partilhada, a presença de um adulto que ajuda a sonhar, a imaginar um futuro profissional que pode salvar vidas. É aqui que os programas de formação mais informais, criativos e imersivos ganham um valor que não devemos subestimar. Não competem com os ecrãs pela atenção — competem pela imaginação. E essa é uma batalha que vale a pena travar.

Abrir a universidade à comunidade é, no fundo, uma questão de coerência. Uma escola médica que se afirma ao serviço das pessoas não pode existir apenas para os que já a frequentam. Tem de sair à rua, ir ao encontro das pessoas, das famílias, das escolas, dos bairros. Tem de assumir plenamente que parte da sua missão se cumpre não em graus académicos, investigação, publicações e conferências, mas no brilho dos olhos de uma criança que percebe, pela primeira vez, como funciona o seu próprio coração. Estas crianças não serão todas médicas. Mas serão, espera-se, adultos mais críticos, mais responsáveis, mais capazes de cuidar de si e dos outros.

A saúde de uma comunidade não se mede só pela qualidade dos seus hospitais. Mede-se pela literacia das suas pessoas. E essa constrói-se cedo, no nosso caso com compromisso, e de portas abertas.

Nota sobre os Programas Summer Medical Schools:

No programa Kids Life Style Smart Habits, e no Kids Brain Challange, ambos dirigido a crianças dos 6 aos 10 anos, a prevenção deixa de ser uma palavra abstrata. Passa a estar ligada ao que comemos, ao que fazemos, a como gerimos a atenção, o nosso tempo e o stress. Associa-se o conhecimento do corpo a jogos e desafios que ajudam a transformar informação em acão.

Nos programas para jovens dos 11 aos 14 anos, Junior Lifestyle Smart Habits e  Junior Brain Challenge fazem-se perguntas, observam-se fenómenos, recolhem-se dados, analisam-se resultados e tiram-se conclusões. Os jovens são convidados a questionar a descobrir, a ter espirito crítico e a atuar em beneficio da sua própria saúde.

Para jovens dos 15 aos 18 anos, há dois programas com objetivos distintos, como o Lifestyle & Health Promotion e o Doctor Camp. O primeiro visa promover comportamentos e práticas sustentáveis de saúde e bem estar que possam não só prevalecer ao longo da vida, como servir de influência a família e amigos. O segundo, Doctor Camp, constitui uma oportunidade para que jovens que aproximam da escolha de um percurso académico e profissional possam conhecer de perto e de forma interativa algumas profissões de saúde. Estimula-se o raciocínio clínico, a comunicação, o trabalho em equipa, através de atividades concretas como treino de suporte básico de vida ou trabalho em laboratório.

Aprender saúde aos seis anos não é o mesmo que aos dezasseis. Aos mais novos, queremos despertar curiosidade e criar familiaridade com o corpo. Nos mais crescidos, queremos estimular autonomia, pensamento crítico e responsabilidade.