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Bispo de Setúbal apela à serenidade face à crise de abastecimento de água em Almada

Américo Aguiar afirma que "não é o momento de procurar culpados nem de alimentar divisões". Neste momento é essencial unir esforços para minimizar os impactos desta situação, defende o cardeal.

Agência Lusa
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O bispo de Setúbal apelou esta quinta-feira “à serenidade” face à crise no abastecimento de água no concelho de Almada, defendendo que “este não é o momento de procurar culpados nem de alimentar divisões“.

Numa mensagem dirigida à vigararia de Almada/Caparica, o cardeal Américo Aguiar disse acompanhar a situação com preocupação, mas também com esperança, e apelou à responsabilidade de todos para que se evite qualquer desperdício.

“Quero pedir-vos, antes de mais, serenidade. A água é um dom de Deus, um bem essencial e insubstituível, um património de todos. Cuidemos dela com responsabilidade, evitando qualquer desperdício e acolhendo, com confiança e espírito de colaboração, as orientações e indicações das autoridades competentes”, escreveu Américo Aguiar.

O bispo de Setúbal reforçou que “este não é o momento de procurar culpados nem de alimentar divisões”, considerando que haverá tempo “para apurar responsabilidades e retirar as devidas lições”.

“Agora é tempo de unir esforços para minimizar os impactos desta situação, resolver os problemas e cuidar das pessoas, sobretudo das mais frágeis: os idosos, os doentes, as crianças e quantos vivem mais sós ou enfrentam maiores dificuldades”, sustentou.

O cardeal assegurou conhecer bem a capacidade de solidariedade das gentes da sua diocese e manifestou a certeza de que saberão estar próximos uns dos outros, partilhando e ajudando quem mais precisa e pediu aos párocos, diáconos, consagrados e leigos que permaneçam atentos às necessidades das pessoas, “para que ninguém se sinta abandonado neste momento”.

O concelho de Almada, no distrito de Setúbal, decretou situação de alerta na sequência das falhas no abastecimento de água no concelho registadas nos últimos dias em várias localidades do município, com especial incidência na Costa da Caparica.

“Enquanto vigorar a situação de alerta, serão implementadas restrições ao consumo de água que permitam preservar este recurso essencial para o abastecimento doméstico e para os serviços indispensáveis à população”, informou a Câmara de Almada.

Entre as medidas, está o corte total do abastecimento em determinadas zonas do concelho, das 22h00 às 06h00, e a proibição de todas as utilizações de água da rede pública que não correspondam a usos domésticos ou essenciais, designadamente, a rega de jardins públicos e privados e de campos de golfe, a lavagem de viaturas, o enchimento de piscinas, a utilização de chuveiros e lava-pés nas zonas balneares, o funcionamento das fontes ornamentais, lagos artificiais e outros elementos de uso estético de água e a lavagem de pavimentos exteriores, logradouros, paredes e telhados.

Na quarta-feira, cerca de 1.500 pessoas juntaram-se num protesto contra a falta de água na Costa da Caparica, exigindo soluções para o problema e pediram a demissão da presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros.

A população tinha inicialmente convocado um cordão humano, mas o protesto acabou por assumir a forma de um desfile entre o Centro Comercial O Pescador e a rotunda de acesso ao IC21, sob vigilância de um forte dispositivo da GNR.