Chegou o primeiro dia das decisões… ou o segundo, ou o terceiro. Com a mudança no traçado da Volta a França, as primeiras etapas começaram por ser desenhadas para os homens da geral. Foi assim no arranque em Espanha, em que Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), Isaac del Toro (UAE Team Emirates-XRG) e Tadej Pogacar (Emirates) — já em França — venceram e só mudou quando o pelotão se fixou no vale francês dos Pirenéus. Depois de Mads Pedersen (Lidl-Trek) ter vencido e saltado para a liderança da camisola verde, Olav Kooij estreou-se a vencer em Grandes Voltas e aliviou, em parte, a pressão de Paul Seixas no seio da Decathlon CMA CGM, numa altura em que o francês se preparava para ser colocado à prova na alta montanha.
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“O Jonas [Vingegaard] teve de trocar de bicicleta na reta final, tendo depois chegado à meta na bicicleta do Victor [Campenaerts]. Felizmente a equipa sofreu poucos danos no final e o Jonas terminou com o mesmo tempo dos seus adversários. Encaramos a etapa de amanhã [quinta-feira] com boas sensações. O Jonas está numa boa posição na classificação geral e sente-se forte. Encaramos a etapa de amanhã com confiança”, explicou o diretor da Visma, Marc Reef, sobre o final da etapa de quarta-feira.
“Na parte inicial haverá uma disputa pela fuga e temos de ver se há algum ciclista perigoso para a classificação geral. Dependendo disso, será preciso ditar o ritmo. No Tourmalet veremos uma seleção natural. É o local ideal para ver quem escala melhor. Acho que veremos um ataque do Jonas Vingegaard, para definir quem escala melhor. Será uma subida importante. Em princípio podemos simplesmente pedir ao nosso líder que o siga. Temos um plano todos os dias, mas é verdade que esse plano não é imutável. Se o Jonas perder companheiros de equipa logo no início, ou se houver um candidato perigoso à classificação geral na fuga, talvez tenhamos que acelerar o ritmo. Não queremos cenários como os do passado com Ben O’Connor ou Sepp Kuss na Volta a Espanha, em que ganharam minutos e a classificação geral ficou de cabeça para baixo. Se o plano se desenrolar de forma diferente e Tadej indicar, no meio do processo, que se sente bem, tudo pode mudar. Tadej atacar ou não dependerá do momento”, explicou Joxean Matxín Fernández, diretor da Emirates.
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Para esta quinta-feira estava reservada a segunda etapa mais dura deste Tour de France, com quase 4.200 metros de desnível positivo acumulado. A partida aconteceu em Pau e a chegada, 186 quilómetros, em Gavarnie-Gèdre, com o percurso a contar com cinco contagens de montanha. As duas primeiras, Côte de Loucrop e Côte de Mauvezin, não tiveram grande impacto, algo que mudou na segunda fase da corrida, com o pelotão a começar por escalar o Col d’Aspin (12 kms a 6,5% de inclinação) a 80 quilómetros da meta. Depois estava reservado o temível Col du Tourmalet, que voltou a ser feito pelo lado tradicional, de Sainte-Marie-de-Campan (17 kms a 7,3%). Foi ali que, em 2025, Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe) abandonou a prova e era ali que estava reservado o Prémio Jacques Goddet, de cinco mil euros, para o primeiro a passar no alto. Depois da descida faltava a chegada inédita em Gavarnie-Gèdre, com cerca de 19 quilómetros a 4%.
Já sem Alex Molenaar (Caja Rural-Seguros RGA), que caiu na véspera, a fuga demorou a formar-se por conta das muitas tentativas, mas Campenaerts e Pedersen acabaram por escapar na aproximação à primeira subida categorizada. Contudo, o belga e o dinamarquês não foram além do sprint intermédio de Pouzac, onde o ciclista da Lidl ganhou mais 25 pontos na luta pela classificação dos pontos. Depois foi a vez de Ben O’Connor (Jayco AlUla) atacar a solo, não resistindo ao ritmo da Emirates no Col d’Aspin. Nessa altura, Cian Uijtdebroeks (Movistar) foi o primeiro líder a ceder, depois de ter sido forçado a trocar de bicicleta. Seguiram-se Sergio Higuita (XDS Astana), Kévin Vauquelin (Netcompany Ineos) e Aurélien Paret-Peintre (Decathlon). Em sentido inverso, o irmão Valentin (Soudal Quick-Step) foi o primeiro a atacar, encontrando resposta de Lenny Martinez (Bahrain-Victorious). No entanto, o duo francês foi alcançado na descida.
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Já no Tourmalet, o camisola amarela Torstein Traeen (Uno-X Mobility) cedeu nos primeiros quilómetros, seguindo-se Tom Pidcok (Pinarello Q36.5) e Richard Carapaz (EF Education-EasyPost). Nos últimos sete quilómetros da primeira categoria especial deste Tour, o desequilíbrio de forças tornou-se evidente, com a Emirates a proteger Tadej Pogacar através de Brandon McNulty, Adam Yates e Isaac del Toro, enquanto que Jonas Vingegaard tinha “apenas” Sepp Kuss, Remco Evenepoel seguia com Florian Lipowitz, Juan Ayuso com Mattias Skjelmose (Lidl) e Paul Seixas estava sozinho. Tobias Halland Johannessen (Uno-X) perdeu o contacto à entrada para os últimos cinco quilómetros, com Del Toro a arrancar com Pogacar na roda logo a seguir. Vingegaard teve de responder em solitário com Seixas. O francês descolou mas ninguém conseguiu acompanhar o dinamarquês, que entrou em mais um duelo de forças com o campeão do mundo. No final do Tourmalet, o espaço abriu a favor de Pogacar, que se estreou a vencer o Prémio Jacques Goddet com 31 segundos de vantagem.
Atrás, Del Toro, Lipowitz e Seixas dobraram o Tourmalet a 1.27 minutos de Pogacar, ao passo que o grupo de Evenepoel, Ayuso, Skjelmose, Martinez e Kuss passou a 1.46. Na descida, o Emirates dilatou a diferença para perto de 50 segundos e passou desde logo para a liderança virtual, ao passo que o grupo de Evenepoel alcançou o de Seixas, Uijtdebroeks abandonou em definitivo o Tour e Traeen caiu violentamente ao embater na roda traseira do colega de equipa Anders Halland Johannessen. Na subida final, que é a terceira mais longa desta edição, Tadej e Jonas continuaram a ritmo, separados por cerca de 1.20 minutos. A vantagem aumentou até ao alto de Gavarnie-Gèdre, onde Tadej Pogacar concluiu um impressionante solo de 43 quilómetros para vencer pela 23.ª vez na Volta a França e ficar a 12 triunfos do recorde de Mark Cavendish — desde 1984, com Bernard Hinault, só o britânico e o esloveno atingiram as 23 vitórias. Jonas Vingegaard entrou na meta a 2.14 minutos e, pela 17.ª ocasião, o esloveno venceu uma etapa e o dinamarquês ficou em segundo, naquele que é o maior registo nesse capítulo da história do Tour.
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Na geral, Pogacar voltou a assumir a liderança depois de ter igualmente chegado às 123 vitórias na carreira e às 14 na temporada — Emirates vai com 55 — à frente de Vingegaard, mas desta vez sem haver empate entre os dois canibais, que estão separados por 2.42 minutos. No terceiro lugar está agora Del Toro, que bateu Evenepoel ao sprint e segue a 3.27 do colega de equipa e a 45 segundos do segundo lugar. Daí para baixo, a luta pelo pódio continua ao rubro, com Evenepoel, Ayuso, Seixas, Lipowitz e Martinez a entrarem no mesmo minuto do mexicano. A classificação da montanha também é liderada por Pogacar, que vai ceder a camisola a Vingegaard, ao passo que o Del Toro é o melhor jovem.
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