Um dia após Harry e outras seis pessoas, entre as quais Elton John, terem perdido o processo por violação de privacidade contra a Associated Newspapers, proprietária do Daily Mail, Charlotte Griffiths, atual editora-chefe do Mail on Sunday — uma das publicações do grupo — lançou duras críticas ao Duque de Sussex. As mensagens privadas trocadas entre ambos tornaram-se uma peça central da batalha judicial e, depois da decisão do tribunal na terça-feira, Griffiths acusou Harry de estar a “reescrever a história” sobre a relação que mantiveram, contestando a versão dos factos apresentada durante o julgamento.
Em janeiro, Harry afirmou em tribunal que apenas tinha encontrado Charlotte Griffiths uma única vez, numa festa em 2011, e que interrompeu o contacto no dia seguinte, assim que soube que ela era jornalista. No entanto, as mensagens divulgadas durante o processo sugerem uma versão diferente dos acontecimentos, indicando que os dois continuaram a trocar mensagens e a manter contacto durante várias semanas após o encontro.
“Na verdade, encontrámo-nos mais de uma vez“, escreveu a editora-chefe do Mail on Sunday num extenso artigo publicado no Daily Mail na quarta-feira. “Nunca teria sonhado revelar a história de 15 anos que estão a ler agora (e devo confessar que, mesmo agora, optei por omitir algumas das indiscrições mais picantes de Harry) se não fosse a sua infeliz decisão de a expor, e inadvertidamente a mim, ao público, processando o Daily Mail e o Mail on Sunday”, revelou Charlotte Griffiths.
Charlotte, cujas mensagens privadas com Harry assumiram um papel relevante no processo judicial em que o filho de Lady Di acusava a Associated Newspapers de recolher informações através de métodos ilegais — sugerindo que mesmo que os jornalistas “estavam claramente a ouvir as nossas chamadas” – recordou a forma como os dois se conheceram.
Segundo editora-chefe do Mail on Sunday, no primeiro encontro, numa propriedade rural em Hampshire, Harry colocou-lhe um pequeno comprimido branco na boca. “Agora sei que posso confiar em ti!”, disse o Duque de Sussex, acrescentando que pelo facto de ela engolir aquele comprimido, sem saber o que, significava que que podia confiar nela.

“Quando estava entre amigos de confiança – éramos cerca de 16 nesse fim de semana – o Príncipe também se mostrava um brincalhão compulsivo. Vejam aquele comprimido branco que ele tão descaradamente me colocou na boca (que eu discretamente retirei da boca e dobrei num guardanapo logo a seguir). Era quase de certeza paracetamol, e não algo mais sinistro. Mas não tinha a certeza absoluta”, afirmou a jornalista.
“Saudades dos nossos momentos de carinho no cinema”
Posteriormente, segundo Griffiths, Harry terá enviado um pedido de amizade no Facebook, utilizando o pseudónimo “Spike Wells”, acompanhado por uma mensagem. “É o H… caso tenha ficado confusa com o nome e a fotografia!!”, escreveu o Duque de Sussex. As conversas entre os dois continham expressões como “querida” e “Griff”. Já a jornalista referia-se ao príncipe como “Mr. Travessura” e “Bomba H”, fazendo também alusão a um “fim de semana divertido de travessuras“.
“Saudades dos nossos momentos de carinho no cinema”, escreveu o Duque de Sussex numa das mensagens que enviou para Griffiths, que revelou ainda que a amizade entre os dois se prolongou até 2012 e incluiu um encontro numa festa realizada na véspera do Trooping the Colour.
Refletindo sobre as trocas de mensagens, a jornalista escreveu que o príncipe que conheceu há mais de uma década “era muito diferente da figura amargurada que conhecemos hoje”, acusando-o de se queixar “incessantemente da invasão da privacidade da sua família, enquanto ganha milhões a invadir a privacidade da sua família” ser “menos pomposo e arrogante naquela altura”.
Em entrevista ao programa The Mark Dolan Show após a decisão do Supremo Tribunal, de acordo com a Sky News, Griffiths disse ter ficado feliz pelo facto de a Associated Newspapers ter vencido o caso em tribunal. “Esperava este resultado, porque, claro, trabalho no The Mail on Sunday há 18 anos e nunca vi ninguém chegar perto de conseguir colocar escutas telefónicas — por isso, de certa forma, tinha fé no sistema”, afirmou.
Em declarações à TalkTV, Griffiths disse acreditar que Harry terá alterado a forma como vê o seu próprio passado. “Acho que ele reescreveu a história na sua própria cabeça”. A editora-chefe do Mail on Sunday acrescentou que reler as mensagens trocadas entre ambos foi “muito embaraçoso”, mas também um lembrete das “alegrias da juventude”, considerando que o príncipe “já não é um homem alegre”.
A jornalista rejeitou, no entanto, especulações sobre a natureza concreta da relação entre ambos, negando que a amizade tenha tido qualquer dimensão romântica ou íntima, relata o The Telegraph.