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(A) :: Mortalidade associada ao calor está abaixo das previsões. DGS não prevê "aumento muito significativo"

Mortalidade associada ao calor está abaixo das previsões. DGS não prevê "aumento muito significativo"

A diretora-geral da Saúde adianta que a onda de calor mais recente não está a provocar um nível de mortalidade em linha com as previsões, mas alerta que é necessário aguardar mais alguns dias.

Tiago Caeiro
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A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, afirma que a mortalidade associada à mais recente onda de calor está abaixo das previsões. Embora os dados finais ainda não estejam consolidados, a responsável máxima pela área da saúde pública em Portugal acredita que o país não vai assistir a um “aumento muito significativo da mortalidade” em excesso nos próximos dias. “Não vamos ter um aumento muito significativo. Aquilo que aconteceu vai ficar abaixo da previsão”, disse Rita Sá Machado, em entrevista ao jornal Público e Rádio Renascença.

“Em relação a esta segunda onda [de calor], começamos já a ter alguns números, um excesso de 63 óbitos, em redor do dia 6 de julho”, adiantou a diretora-geral da Saúde, ressalvando ser “importante clarificar que as ondas de calor têm um impacto que não é a curto prazo“, pelo que é importante esperar pelos dados que serão conhecidos nos próximos dias.

Ainda temos de aguardar aproximadamente 15 dias para conseguirmos ter uma monitorização e para conseguirmos, de alguma forma, perceber melhor este fenómeno”, referiu.

Portugal registou já 237 mortes em excesso decorrentes da onda de calor, mostram os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS), que constam do portal do sistema de vigilância da mortalidade.

A DGS identificou um excesso de mortalidade no país nos últimos quatro dias, entre os dias 4 e 7 de julho. O maior número de mortes registou-se esta segunda-feira, dia 6 de julho, quando foram contabilizados 362 óbitos, o que corresponde a um desvio de 32% em relação ao número de óbitos expectável para esse dia (274).

https://observador.pt/2026/07/08/portugal-regista-237-mortes-em-excesso-durante-onda-de-calor-inem-com-maximos-de-procura-desde-janeiro/

Segundo a diretora-geral da Saúde, a maior sobrecarga no número de óbitos ocorreu nas pessoas com 75 anos ou mais. “Sabemos que os óbitos neste período de tempo foram sobretudo devido a cancros e a doenças do aparelho circulatório, portanto estamos a falar de enfartes e de acidentes vasculares cerebrais”, referiu a responsável.

Ainda que nos primeiros dois dias da onda de calor, 2 e 3 de julho, a DGS não tenha identificado um excesso de mortalidade, o número de mortes está acima do patamar das 300 desde o segundo dia de julho. De acordo com os dados da DGS, o último período de excesso de mortalidade antes do atual tinha sido registado entre os dias 6 de dezembro de 2025 e 29 de janeiro de 2026, e coincidiu com a fase mais crítica da época gripal e das infeções respiratórias.

Questionada sobre se o país está preparado para enfrentar ondas de calor cada vez mais frequentes, Rita Sá Machado referiu que “nos últimos dias, houve um esforço muito grande de todos os agentes comunitários, autarquias, agentes de proteção civil, para não só dar recomendações explícitas à população, mas também para procurar ter respostas locais, como, por exemplo, abrigos”.