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(A) :: Luís Montenegro vs. Roberto Martinez

Luís Montenegro vs. Roberto Martinez

O voo de regresso de Montenegro, depois da derrota da Seleção, terá sido pesado. Imagino-o a pensar : "Será que estou com a estratégia certa? Será que ando só a passar a bola para o lado?".

José Maria Matalonga
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Portugal caiu nos oitavos de final. Todos torcíamos pela nossa Seleção, mas sejamos honestos, nem todos esperávamos  que chegássemos longe, face às exibições que vimos! Luís Montenegro esteve lá no camarote, muito bem, mostrando que aquele momento era importante para todos nós. Só não sabemos se foi lá para tirar dúvidas ou para aprender como se faz para ganhar, especialmente quando já havia tantas luzes de aviso a piscar, só por milagre, a carruagem não ia descarrilar! Mas como o futebol é uma paixão nacional e a maioria dos Portugueses é crente por natureza, preferimos assobiar para o lado.

Gosto de futebol, principalmente de um golo bonito do Messi ou de outros, protagonizados neste Mundial por Seleções que ninguém conhecia. Agora, estas novas regras do VAR já me ultrapassam. Aquilo de anularem um golo depois de uma jogada, em que a equipa dá uma volta ao campo, com intervenção de quatro jogadores antes de rematar, só porque, de repente, alguém sopra ao ouvido do árbitro para  ir ao monitor….e ver um golo que todos chorámos de alegria, ser apagado pelo ” Big Brother” da arbitragem! Não Compreendo.

Outra coisa que, como leigo na matéria, me custa a engolir é ver uma equipa que precisa desesperadamente de ganhar o jogo  em  90  minutos,  justificar    que “o importante é a posse de bola”.   Andam ali às voltas pelo campo, para a frente e para trás, só para não perderem o brinquedo, ou melhor a bola! Mas, afinal, o objectivo do jogo não é avançar, chegar à baliza do adversário, rematar o máximo de vezes e rezar para que uma entre? Sim, é preciso acertar no  alvo, mas isso os nossos profissionais, que ganham milhões, já sabem de cor.

Ora, dizem que o voo de regresso de Luís Montenegro, depois de assistir à derrota da nossa Seleção, foi pesado. Foram várias horas de intensa reflexão a alta altitude. Imagino-o a pensar :

” Será que estou com a estratégia certa? Será que ando só a passar a bola para o lado  e esqueci que o objectivo é marcar golos? Estarei a explicar claramente o que os meus eleitores esperam de mim?”

Há sinais de aviso de alguma falta de objectividade em como as ideias passam, que começa a preocupar. A diferença é que, neste campeonato político, temos o melhor treinador do momento no Governo, o que, claramente, não era o caso da nossa Seleção. Aquelas conferências de imprensa do Roberto Martinez, tão politicamente correctas, depois de vermos um descalabro em campo, deixavam qualquer um a pensar: “Será que este tipo está a falar do mesmo jogo  ou esteve de costas a ver séries da Netflix!

Por outro lado, muitos achavam que o Chega, ou melhor, André Ventura, vinha ajudar a trazer objetividade e um novo estilo à política. Esperava-se que mostrasse  que a direita, assente nos seus valores, conseguiria atalhar caminho rumo ao progresso, distanciando-se daquela tática socialista de tentar criar riqueza através de impostos e não pelo trabalho e dinamismo da economia. No entanto, Ventura tem-se comportado como aquele jogador que já foi muito bom, mas que hoje condiciona tudo e todos pelo seu egocentrismo e uma vontade cega de bater recordes pessoais. Se Montenegro não compreender isto rápido, e não começar a falar claro, sem preconceitos, sobre quais são os objectivos do Governo e a tática exata para lá chegar, a bancada vai começar a vaiar. Se a mensagem for clara para o povo, a oposição ficará refém do seu próprio bloqueio, passando por ser a única que não quer que os Portugueses emendem a mão.
Só assim, daqui a quatro anos, em vez de termos apenas “vedetas” isoladas no campo político, teremos uma verdadeira equipa em que nos possamos rever e sentir finalmente que estamos no rumo certo. Caso contrário,  mais valia Luís Montenegro ter poupado o bilhete de avião e ficado a ver o jogo no sofá.