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(A) :: Tribunal austríaco considerou discriminatória proibição do uso de burkinis por hotel. Gerente terá alegado que peça era pouco higiénica

Tribunal austríaco considerou discriminatória proibição do uso de burkinis por hotel. Gerente terá alegado que peça era pouco higiénica

Autoridades multaram hotel, levando gerente a recorrer à justiça. Tribunal afirmou que argumento "não se sustenta, uma vez que os burquínis são feitos dos mesmos materiais que outros fatos de banho".

Margarida Vieira dos Santos
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Numa decisão tornada pública esta semana, o tribunal de Salzburgo considerou que o hotel da estância de esqui Saint Johann im Pongau discriminou duas mulheres muçulmanas, de nacionalidade austríaca, por as ter impedido de vestir burkinis. O gerente do estabelecimento, segundo o The Guardian, terá dito alegado que a peça de roupa era pouco higiénica, para além de deixar outros hóspedes desconfortáveis, o que fez com que as mulheres apresentassem queixa.

Em fevereiro, as autoridades locais multaram o hotel em 100 euros, levando o gerente do hotel da estância de esqui a recorrer aos tribunais. No entanto, a justiça austríaca rejeitou o recurso e ordenou também que o estabelecimento pagasse uma taxa de 20 euros, para além da multa anterior, para cobrir custos processuais.

O argumento do gerente, de acordo com o tribunal de Salzburgo, “não se sustenta, uma vez que os burkinis são feitos dos mesmos materiais que outros fatos de banho e as análises de rotina da água não encontraram irregularidades”. Entretanto, o juiz responsável pelo caso declarou que a decisão tomada esta semana não criaria um precedente nacional, porque “a discriminação indireta é permitida sob certas condições”, relata o jornal britânico.

Na Áustria, não existem restrições específicas ao uso de vestuário muçulmano por mulheres e raparigas com mais de 14 anos, embora a legislação proíba a utilização de véus que cubram o rosto em espaços públicos — o que impede, na prática, o uso da burka e do niqab.