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Militar norte-americano acusado de expor genitais a jovens entre 16 e 24 anos no Reino Unido evitou julgamento britânico

Hannes Marschalek foi julgado num tribunal militar nos EUA e chegou a acordo judicial. Caso tivesse sido julgado no Reino Unido, poderia ter enfrentado uma pena de prisão de até dois anos.

Margarida Vieira dos Santos
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Um membro da força aérea norte-americana evitou ser julgado pela justiça britânica, apesar das acusações de que expôs o pénis a uma adolescente de 16 anos e a outras quatro jovens no Reino Unido. A notícia, avançada pelo The Guardian, informa que o caso do alegado agressor sexual foi transferido para as forças armadas dos EUA, com quem negociou um acordo judicial de pena reduzida.

Hannes Marschalek, de 37 anos, assumiu funções na Royal Air Force Lakenheath, a maior base aérea ao serviço dos EUA existente no território britânico, em 2021. Enquanto ocupava o posto de sargento-chefe, o cidadão norte-americano foi alvo de várias queixas, efetuadas junto da polícia do condado vizinho de Cambridgeshire, de que tinha exibido os órgãos genitais a  mulheres com idades entre 16 e 24 anos, enquanto estas passavam em frente à sua casa, onde vivia com a mulher e a filha.

Uma mulher, segundo o jornal britânico, disse ter visto Marschalek “parado à porta ou perto dela, com a porta completamente aberta”, sem camisola, com os calções descidos até aos joelhos e o pénis exposto. “A sua mão esquerda segurava o telemóvel com o ecrã virado para ele e a câmara apontada para onde [a mulher] estava… A sua mão direita estava sobre o pénis”. Em outubro de 2022, a polícia de Cambridgeshire deteve o militar norte-americano e colocou-o sob custódia.

Três semanas após a detenção e o interrogatório de Marschalek, e já depois de ter iniciado uma investigação ao caso, a polícia aceitou transferir o processo para as autoridades militares dos EUA, na sequência de um pedido formal. Em declarações ao The Guardian, um porta-voz da polícia britânica disse que, quando Marschalek foi detido, descobriu que trabalhava para o exército norte-americano. “Os seus empregadores foram notificados da sua detenção e da investigação”, acrescentou.  “Esta decisão foi cuidadosamente ponderada e todas as vítimas foram informadas sobre a transferência da investigação para as forças armadas dos EUA”.

A transferência do caso para as autoridades militares norte-americanas permitiu que Marschalek fosse julgado por um tribunal militar numa base aérea dos EUA em 2023, enfrentando acusações de má conduta. Acabou por chegar a um acordo judicial com os procuradores, ao abrigo do qual uma das acusações foi retirada. Em troca, admitiu ter estado nu à porta de casa em duas ocasiões, entre agosto e outubro de 2022. A acusação inicial alegava que se tinha masturbado à entrada da residência, mas qualquer referência à masturbação foi eliminada da versão final dos factos.

Marschalek, de acordo com o jornal britânico, sustentou que tinha retirado a roupa após fazer exercício e colocado as peças na máquina de lavar, encontrando-se nu quando abriu a porta da frente da residência. Segundo o próprio, permaneceu nessa posição durante, no máximo, 20 segundos. Acrescentou ainda que a casa não tinha ar condicionado e que abriu as portas da frente e das traseiras para criar uma corrente de ar e refrescar o espaço.

“Definitivamente acabei de me exibir para algumas mulheres que vinham do comboio. Lol”

No entanto, em julho de 2022, Marschalek terá enviado mensagens a dois amigos nas quais afirmava ter-se exibido a mulheres que passavam junto à sua casa. “Definitivamente acabei de me exibir para algumas mulheres que vinham do comboio. Lol“, escreveu numa delas. “Tirei toda a roupa quando entrei. Fui abrir uma janela e estava mesmo à frente delas quando elas passaram”, admitiu noutra.

Após o acordo judicial, o juiz militar condenou Marschalek a dois meses de detenção num centro prisional em Lakenheath e determinou a sua expulsão da Força Aérea norte-americana. Caso tivesse sido julgado pelos tribunais britânicos, poderia ter enfrentado uma pena de até dois anos de prisão, segundo o The Guardian.

Em abril deste ano, porém, um tribunal militar de recurso dos EUA anulou a condenação por considerar que os procuradores tinham acusado Marschalek do crime errado. Os procuradores procuram agora reverter essa decisão. Durante o recurso, os advogados do militar rejeitaram a caracterização do agora ex-membro do exército como um “exibicionista em série”.