No meio do calor, imperaram os nórdicos. Parece paradoxal, mas é o melhor resumo da quarta etapa da Volta a França. A ligação até Foix, cidade conhecida pelos triunfos da fuga, entrou para a história como a mais quente desde 2007, num registo em que estão no top 10 todas as quatro primeiras etapas desta edição. Contudo, foi através da fuga que Mads Pedersen (Lidl-Trek) bateu o colega Quinn Simmons ao sprint e assumiu a liderança da camisola verde. Por outro lado, Torstein Traeen (Uno-X Mobility) aproveitou a “passividade” do pelotão para assumir a camisola amarela com quase… oito minutos de vantagem para Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) e Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike). Em menos de um ano, esta é a segunda liderança do norueguês numa Grande Volta, depois de ter vestido a vermelha durante quatro dias na última Volta a Espanha.
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“Vestir a amarela? Honestamente não imaginava. É um pouco irrealista e realmente não entendo o que está a acontecer. Dentro de alguns dias talvez acorde e entenda o quão grande isto é. Pensava que talvez ontem [segunda-feira] pudesse ser o dia, mas o Tadej Pogacar e a Emirates controlaram a corrida. Hoje [terça-feira] foi uma história diferente. Quando entrei na fuga, não acreditei até chegarmos à última subida. Foi aí que entendi e pensei: ‘Ok, as pernas estão boas e a diferença é grande’. Simplesmente esperei e acreditei. Vermelha ou amarela? As duas. Vou aproveitar todos os dias que puder. Só espero poder usá-la o maior tempo possível. Temos que ver diariamente, mas espero aguentar algum tempo”, revelou o novo maillot jaune.
“Sabíamos que, se a Lidl — ou outra equipa semelhante — entrasse na fuga, provavelmente seria um dia para a fuga. A Lidl fez um trabalho excelente. Tinham três ciclistas na frente, mantivemos a calma e chegámos ao final sem gastar uma quantidade exagerada de energia. Quando precisas de liderar o pelotão por causa da camisola amarela, acabas por gastar um pouco de energia, mas acho que Nils [Politt], Florian [Vermeersh] e Tim [Wellens] estiveram muito bem a dividir o trabalho e creio que fizemos um bom trabalho. Foi um bom dia, no geral. Calor? Quando começámos estava com muita dor de cabeça e pensei que ia ser um dia muito longo. Depois enxaguámo-nos com água e ficou tudo bem. O objetivo é recuperar a camisola amarela, mas nunca se sabe”, explicou o campeão do mundo, que cedeu pela quinta vez a camisola amarela no Tour, sempre por gestão de energia.
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O quinto dia voltou a ser bastante quente, com as temperaturas a chegar aos 35°C durante os 158 quilómetros que ligaram Lannemezan a Pau, que tradicionalmente costuma dar palco aos puros sprinters. O traçado previa esse final, apresentando apenas uma contagem de montanha — de terceira categoria — e cerca de 1.600 metros de desnível positivo acumulado, percorrendo a região que rodeia os Pirenéus, em especial do Vale de Gers. Foi assim que a história da etapa se escreveu com um corajoso Baptiste Veistroffer (Lotto Intermarché), que arrancou em solitário logo após a partida real e, em pouco mais de 15 quilómetros, já tinha uma vantagem superior a três minutos. A partir daí, Alpecin-Premier Tech e Soudal Quick-Step assumiram o controlo da corrida a pensar no sprint final.
A primeira luta entre os sprinters ficou reservada para o sprint intermédio de Vic-en-Bigorre, onde Veistroffer foi primeiro e Max Kanter (XDS Astana) superou Pedersen. Já dentro dos últimos 30 quilómetros, a diferença baixou do minuto, mas o francês continuou a dar bastante trabalho ao pelotão, mantendo uma média superior a 40 km/h. A fuga de 144 quilómetros de Baptiste Veistroffer acabou a 14 quilómetros da meta, altura em que a Soudal acelerou o ritmo. Contudo, a cerca de seis quilómetros do fim, uma queda a meio do pelotão acabou por cortar o grupo e deixou Michael Matthews (Jayco AlUla), Victor Campenaerts (Visma) e parte da equipa da Soudal fora da discussão, incluindo Pogacar, Vingegaard, Paul Seixas (Decathlon CMA CGM) e Torstein Traeen. O sprint acabou por ser lançado por Davide Ballerini (XDS), mas Olav Kooij respondeu bem e deu a primeira vitória neste Tour à Decathlon. Kanter foi segundo e Tim Merlier (Soudal) terceiro.
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Em relação aos homens da geral, todos entraram a 14 segundos do neerlandês, não havendo diferenças consideráveis. Assim, Torstein Traeen vai chegar à primeira etapa de alta montanha com 28 segundos de vantagem para Sean Quinn (EF Education-Easy Post) e 3.50 minutos face a Mathias Vacek (Lidl-Trek). Pogacar e Vingegaard estão a 7.53.