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(A) :: Afinal, PSD não prevê ouvir Carneiro nem outros ex-ministros do PS sobre dados da imigração

Afinal, PSD não prevê ouvir Carneiro nem outros ex-ministros do PS sobre dados da imigração

Porta-voz do PSD disse há nove dias que "fazia sentido" chamar "ex-governantes" à AR e ser "natural" ouvir José Luís Carneiro. Afinal, grupo parlamentar não prevê chamar ex-ministros do PS. Nem Costa.

Rui Pedro Antunes
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Afinal, o PSD não prevê chamar José Luís Carneiro nem outros ex-ministros do PS no âmbito das audições que vai realizar no Parlamento sobre o aumento da população imigrante revelado pelo INE. O porta-voz do partido disse há uma semana e meia ser “natural” que o secretário-geral do PS fosse chamado na qualidade de antigo ministro da Administração Interna e que não seria ouvido “só um” ex-governante. No entanto, a ideia do grupo parlamentar nunca foi chamar ex-ministros. O requerimento para as audições, que deve ser revelado nos próximos dias, não terá nenhum ex-governante do PS nessa qualidade.

Fonte da bancada parlamentar do PSD justifica ao Observador que “a responsabilidade política está apurada há muito: é do PS“. E, se assim é, não há necessidade de chamar ex-governantes para apurar o que, no entender do PSD, já é claro. No limite isso pode vir a acontecer ao longo do processo, mas só mesmo se se justificar na sequência de audições que já estão programadas. “Se entendermos que devemos chamar os ex-membros do governo, assim se fará”, diz a mesma fonte do grupo parlamentar do PSD, embora admita que tal não está (nem esteve) programado.

A intenção foi anunciada há nove dias por Sebastião Bugalho, que tinha admitido que seriam chamados ex-governantes ao Parlamento. Desde logo, o título escolhido pelo próprio site oficial do PSD mostra que não foi feita uma interpretação diferente dos jornalistas daquela que a comunicação do partido queria fazer no dia 29 de junho. “PSD quer ouvir ex-ministros do PS sobre dados demográficos revelados pelo INE“, pode ler-se na página oficial do partido.

Afinal, não será bem assim, como agora se esclarece. Apesar da aparente dessintonia que existiu, uma fonte social-democrata conhecedora do processo disse ao Observador que existe total coordenação entre Sebastião Bugalho e o líder parlamentar Hugo Soares. Uma outra fonte do PSD admite que o porta-voz se devia ter ficado pela declaração que levava escrita e não ter dado o flanco falando de José Luís Carneiro e outros ex-governantes do PS.

Afinal, o que disse Bugalho há nove dias?

Naquela que foi a sua primeira intervenção como porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho atirou à anterior governação por terem sido omitidos os números reais da população imigrante em Portugal. O também vice-presidente do PSD responsabilizou o Governo de Costa pelo aumento da população estrangeira e pela “política migratória desregrada”.

Nesse sentido, explicava Bugalho, “o PSD, por via do seu grupo parlamentar na Assembleia da República” iria “proceder a um conjunto de audições com vista a esclarecer, escrutinar e apurar o seguinte: O Governo então em funções agiu com conhecimento ou sem conhecimento do aumento populacional agora tornado público? Que políticas públicas desse Governo foram projetadas ou condicionadas por esse aumento populacional fruto da política migratória desregrada desse Governo? Se sabiam o que fizeram? E se não o fizeram, por que não o fizeram?”

Perante o anúncio que acabara de fazer, os jornalistas presentes na sede do PSD perguntaram a Sebastião Bugalho quem seriam as pessoas chamadas para essas audições, onde o porta-voz referiu pela primeira vez ex-ministros: “Parece-me que faz sentido e que é proporcional que o PSD chame à Assembleia da República, em sede de comissão parlamentar, os governantes que tiveram responsabilidades relacionadas com este processo e a ausência de informação sobre a população do país estrangeira e nacional durante estes anos. Eram os responsáveis, devem ser responsabilizados.”

Sobre se seriam vários governantes, Sebastião Bugalho reiterava que seria mais do que um ex-ministro chamado: “O impacto do aumento populacional é absolutamente transversal do ponto de vista das áreas setoriais da governação. Portanto, certamente não chamaremos só um ex-governante.”

Questionado diretamente sobre se o atual líder do PS seria chamado a essas audições, o porta-voz do PSD respondeu que “o atual secretário-geral do PS tem evidentemente responsabilidades, não só na extinção do SEF, como pelo facto de ter sido titular da pasta da administração interna, diretamente relacionada com a política migratória, como até antes tinha outras funções como responsabilidade pela rede consular.” E acrescentou: “Parece-me natural que José Luís Carneiro seja chamado a esse esclarecimento, mas, como lhe digo, essas audições serão calendarizadas, anunciadas, pelo Grupo parlamentar do PSD, liderado pelo doutor Hugo Soares.”

Sebastião Bugalho nunca esclareceu que outros ex-ministros pretendia chamar, mas deixava claro que os ex-governantes seriam chamados. Foi mais cauteloso quando questionado sobre se António Costa seria ouvido, embora também não tenha excluído totalmente chamar o presidente do Conselho Europeu: “Neste momento, aquilo que procuraremos é chamar à Assembleia da República em sede de comissão, e o grupo parlamentar tornará isso público de forma mais detalhada num futuro muito próximo, muito em breve, que não fechamos nenhuma porta. Não temos nenhuma porta como a que referiu [chamar Costa] aberta, mas certamente também não a trancamos”.

Nos próximos dias vai entrar o requerimento do PSD para as audições neste âmbito. Serão chamadas diversas entidades tuteladas pelos ministérios que tinham as pastas da imigração, mas no rol de nomes que o grupo parlamentar do PSD vai entregar, sabe o Observador, não vai mesmo estar nenhum ex-ministro. Não está, por isso, previsto chamar o atual secretário-geral do PS, José Luís Carneiro.

Já esta quarta-feira na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, o deputado do PSD Alberto Fonseca apresentou um pedido potestativo da bancada social-democrata para adiar a votação de um requerimento do PS para o parlamento ouvir o Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre as implicações económicas e orçamentais da revisão das estimativas da população em Portugal. A audição do INE, pedida pelo PS, pretendia precisamente perceber as implicações estatísticas, económicas e orçamentais das estimativas de população residente de 2025, com a revisão das séries de 2021 a 2024. Responsáveis do INE estarão, naturalmente, na lista que o PSD entregará em breve com as audições.