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Alexandre Poço: "O país não vai ter eleições antecipadas"

Entre os atrasos nos exames e ausência do primeiro-ministro para ver a Seleção, Alexandre Poço garante que o Governo não foge às responsabilidades. E rejeita que esteja para breve uma crise política.

Judite França
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Ricardo Conceição
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Vasco Maldonado Correia
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O deputado e vice-presidente do PSD Alexandre Poço garante que o Governo está disponível para prestar todos os esclarecimentos sobre os problemas e atrasos na correção dos exames nacionais. Mas com asteriscos: fala em “circo” para descrever a comissão parlamentar de inquérito proposta do Bloco de Esquerda e atira para canto o pedido da Iniciativa Liberal de rever também o calendário de acesso ao ensino superior.

Em entrevista ao Sofá do Parlamento, da Rádio Observador, o social-democrata enquadra os problemas registados na plataforma criada pelo Ministério da Educação para corrigir as provas dentro dos esforços do Governo para a “transformação digital”, e justifica que, nesse processo, iriam sempre surgir dores de crescimento.

Numa conversa que teve lugar ao fim de dois dias de jornadas parlamentares da AD, que decorreram sem a presença de Luís Montenegro, Alexandre Poço desvaloriza que o primeiro-ministro se tenha voltado a deslocar ao estrangeiro para acompanhar os jogos da Seleção Nacional de futebol, no Mundial, garantindo que o líder do Governo “está sempre a governar”, esteja ou não fisicamente presente.

Ouça aqui o episódio desta semana do “Sofá do Parlamento”.

https://observador.pt/programas/o-sof-do-parlamento/exames-mudancas-de-processos-tem-dores-na-transicao/

Faz sentido que numa altura em que o país atravessa um estado de alerta decretado pelo Governo, Luís Montenegro se volte a ausentar do país para ir ver um jogo de futebol?
Todo o comando, toda a resposta política está naturalmente assegurada. Está sempre assegurada em primeiro lugar pelos ministros, mas sempre com uma coordenação ao momento por parte do primeiro-ministro. Não dou grande relevância a essa matéria. O primeiro-ministro está sempre presente naquilo que importa, que é a coordenação política, que é a capacidade de o Governo responder. A semana passada, o Governo conseguiu colocar os meios necessários para domar no menor espaço de tempo possível um incêndio de grandes dimensões. Para isso, teve uma resposta no terreno do Estado, da proteção civil, dos bombeiros, das autarquias, mas há sempre um comando político. O mais relevante é saber que esteja o primeiro-ministro onde estiver – pode estar numa cimeira internacional, pode estar a acompanhar um grande evento desportivo onde Portugal está representado, pode estar num evento do Conselho Europeu em Bruxelas – há sempre um comando político presente.

Seguindo essa linha de raciocínio, é indiferente ser o primeiro-ministro a lançar alertas ou ser o ministro da Administração Interna a fazê-lo.
É uma interpretação um bocadinho abusiva das minhas palavras. A função de primeiro-ministro obriga a que esteja, em alguns períodos, fora do território nacional. E todos nós sabemos isso.

Algum português imagina que o primeiro-ministro está desligado da realidade por estar no Conselho da NATO, ou porque esteve a assistir ao jogo da Seleção Nacional de futebol, ou quando está no Conselho Europeu?

E há algum momento em que tem de ser Luís Montenegro a dar a cara? Qual é o grau de gravidade nessa escala que implica a presença do primeiro-ministro?
O primeiro-ministro já deu a cara em vários momentos desde que assumiu o cargo. Não há que fazer disso um bicho de sete cabeças. O primeiro-ministro não se furta às suas responsabilidades. Algum português imagina que o primeiro-ministro está desligado da realidade por estar no Conselho da NATO, ou porque esteve a assistir ao jogo da Seleção Nacional de futebol, ou quando está no Conselho Europeu?

No discurso de abertura das jornadas parlamentares da AD, Nuno Melo alertou para nuvens negras no horizonte. O país está a caminho de eleições?
Aquilo que me parece que o presidente do CDS-PP quis fazer foi uma análise política de um conjunto de votações no Parlamento que parecem às vezes sugerir que há uma vontade dos partidos da oposição de criar dificuldades ao Governo para lá daquelas que são as naturais. Na AD queremos eleições? Não. Vai o país ter eleições? Não. Está a AD interessada em qualquer tipo de crise política? Não. Queremos que o país passe por isso? Não. O país teve muitas eleições num curto espaço de tempo e deve aproveitar agora este tempo até às próximas, que só vão acontecer daqui por mais de 3 anos, para que o Governo tenha a possibilidade de governar, para que as políticas possam começar a surtir efeito. Antevemos nós no PSD que haverá alguma eleição no horizonte? Não. Mas não podemos deixar de, às vezes, assinalar, que, por vezes, notamos um comportamento dos partidos da oposição, talvez por excitação do momento, em que parece que podem querer precipitar o país para um caminho que não acho que exista. Tal como não há nenhum português que ache que o primeiro-ministro não está permanentemente a governar, também não há nenhum português que queira que o país tenha uma crise política ou eleições.

Hugo Soares voltou a posicionar a AD ao centro, entre a “sofreguidão ideológica do PS e o radicalismo populista do Chega”. Isto não é exatamente a mesma estratégia que foi seguida por Rui Rio a tentar mostrar um PSD mais ao centro, mais longe desse rótulo do partido de direita?
Não, não é essa a preocupação. A preocupação que temos e que procuramos deixar claro é a de que o PSD é hoje a força que tem a responsabilidade de governar, que é a força que procura avançar com um programa político e tem de o fazer sabendo que não tem maioria absoluta. É uma visão de moderação, de transformação, de sermos a única força política que consegue, mesmo num cenário em que não há maioria no Parlamento, conversar com quem está à nossa esquerda e com quem está à nossa direita, o que nos coloca numa posição de grande responsabilidade.

Na AD queremos eleições? Não. Vai o país ter eleições? Não. Está a AD interessada em qualquer tipo de crise política? Não. Queremos que o país passe por isso? Não. Antevemos nós no PSD que haverá alguma eleição no horizonte? Não.

“Proposta da comissão de inquérito é mais de quem quer espetáculo, circo, em torno de um tema importante”

Fernando Alexandre sai fragilizado da polémica em redor dos exames nacionais?
Acredito que o ministro, que é um homem muito capaz, inteligente, sagaz, competente, tem, em todas as declarações que tem feito, expressado compreensão e solidariedade com a dificuldade na correção dos exames nacionais. E tem assumido as responsabilidades, não tem virado a cara a um problema que entendemos que tem de ser resolvido. Há naturalmente um espaço que classificaria como custo de transição ou dores de transição de um Governo que quer desmaterializar processos e digitalizar. Naturalmente estas transformações digitais têm custos e têm dores na transição. E isto não é uma desculpa. Lamentamos que isto esteja a acontecer. Estamos totalmente disponíveis para dar todos os esclarecimentos em torno desta matéria.

Mas numa comissão de inquérito?
Não precisamos de fazer um espalhafato brutal em torno dos assuntos. Essa proposta da comissão de inquérito é mais de quem quer espetáculo, circo, em torno de um tema importante, do que perceber o seguinte: o que é que está a causar esta situação? De que forma se resolvem os constrangimentos informáticos? De que forma é que se garantem as datas que são necessárias para a correção dos exames para dar paz às famílias portuguesas? É muito mais importante nós sabermos isto do que o espetáculo e o frenesim dessas propostas.

A Iniciativa Liberal veio propôr que também o calendário de acesso ao ensino superior seja revisto. Há disponibilidade para olhar para essa proposta ou também é espalhafato?
Não vou estar aqui a antecipar qualquer tipo de datas. Está a ser feito um esforço brutal por parte do Ministério da Educação para que os exames possam ficar corrigidos a tempo de o processo das candidaturas dos estudantes ao ensino superior acontecer nos prazos referidos e nos prazos que estão previamente estabelecidos. É com esse objetivo que nós temos de trabalhar.