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Um Prémio Nobel para pensar Portugal

Sobre o estudo encomendado ao Prémio Nobel da Economia de 2024, James A. Robinson, acompanhado pelo economista português Nuno Palma.

Bruno Bobone
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Passaram 32 anos sobre o Estudo apresentado por Michael Porter sobre a construção de vantagens competitivas de Portugal.

Foi na altura considerado como um trabalho essencial para levantar a economia portuguesa e para lhe dar as competências para a sua afirmação no mercado europeu em que dávamos os primeiros passos.

Passados que estão estes anos, não é claro que as conclusões do estudo tenham sido aplicadas de uma forma consistente apesar de ter havido sectores da economia que tenham sido capazes de melhorar as suas características, como foram os casos do calçado, do vinho, do mobiliário e do têxtil que, se tornaram sectores de maior mais-valia e não tão dependentes da política de baixos salários criticada fortemente naquele trabalho.

Estamos hoje já longe da economia dos anos 90 e pareceu ao IDL – Instituto Amaro da Costa e à CIP, que se justificava hoje, voltar a pedir uma análise sobre as circunstâncias que condicionam o desenvolvimento da economia portuguesa e sobre as soluções que se devem procurar para assegurar um êxito no futuro da nossa sociedade.

Para isso foi lançado um desafio ao Prémio Nobel da Economia de 2024, James A. Robinson, acompanhado pelo economista português Nuno Palma, que fizessem uma análise da economia portuguesa e que dessem uma perspectiva sobre aquilo que consideram essencial mudar para transformar Portugal.

Mas importa aqui referir que, o estudo agora encomendado por estas duas instituições, não tem como objectivo a elaboração de um plano muito concreto sobre os passos a serem dados no futuro para conseguir criar um determinado programa de investimento.

Pelo contrário, aquilo que se procura é entender toda a dinâmica dessa discussão por forma a possibilitar aos responsáveis pela condução da economia portuguesa, sejam eles políticos, gestores, empresários e trabalhadores, a capacidade de compreender a situação em que nos encontramos e as perspectivas e condições que podemos utilizar para dar os passos que nos levarão a esse mesmo desenvolvimento.

Aquilo que promove um trabalho desta envergadura não são as acções concretas do dia a dia, mas as dinâmicas das relações entre participantes do meio económico e os conceitos e ambientes que devem ser considerados nas tomadas de decisão.

Por isso, a avaliação do estudo do Michael Porter não pode ser feita em face das medidas concretas que o trabalho propunha e que estavam determinadas pela opinião dos responsáveis pela sua elaboração, mas sim pelas consequências que esse trabalho e os desafios que ele continha impactaram nas decisões tomadas pelos responsáveis das estruturas que compõem esta realidade da sociedade económica nacional.

É na mudança de atitude que está a verdadeira capacidade de relançar um país no seu caminho de desenvolvimento e, para isso, aquilo que é essencial fazer- se, na sequência do estudo que será apresentado no próximo dia 30 de Julho, é organizar momentos frequentes de debate e discussão deste estudo por forma a integrar nas nossas decisões e nos enquadramentos das mesmas a perspectiva que o trabalho nos apresente como desafio à nossa comodidade de pensamento.

Em Portugal costumamos ficar impressionados pela dimensão do trabalho que se apresenta e eu proponho que desta vez nos dediquemos a aproveitar este documento como ferramenta que nos faça mudar verdadeiramente o paradigma que nos condiciona para que não voltemos mais a ser o país simpático da cauda da Europa, aonde pouco se produz e menos se espera.