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O Presidente da Turquia avisou esta quarta-feira a União Europeia (UE) que limitar os investimentos em Defesa aos Estados-membros do bloco prejudicaria a Aliança, porque criaria duplicações e uma “divisão artificial” no continente.
Na sua intervenção de abertura na reunião dos chefes de Estado e de Governo da NATO, em Ancara, Recep Tayyip Erdogan defendeu que é crucial “levantar as restrições entre aliados ao nível de cooperação de Defesa”, designadamente na indústria.
Especificamente no que se refere à Europa, o Presidente turco advertiu que, à medida que os europeus assumem mais responsabilidades pela defesa do continente, devem também “abster-se de tomar decisões e ações que podem enfraquecer a integridade da Aliança e da relação transatlântica”.
“E aqui gostaria de me dirigir especificamente aos nossos aliados que também são membros da União Europeia (UE): só se pode tirar o máximo benefício dos esforços da União em Defesa se se evitarem duplicações desnecessárias com a NATO e a exclusão de aliados que não são membros da UE”, avisou.
Erdogan advertiu que “qualquer outra abordagem faria com que os recursos limitados fossem desperdiçados e criaria uma divisão artificial na Europa”.
“Isso é algo que não desejamos de todo e é evidente que esta atitude não serve os objetivos da base industrial de Defesa transatlântica”, afirmou.
O Presidente turco referia-se ao facto de a UE, nos vários fundos que tem mobilizado para a Defesa – em particular os empréstimos de 150 mil milhões ao abrigo do programa SAFE -, serem sobretudo destinados à indústria do bloco, estando limitado o montante que pode ser investido em aquisições de armamento fora da UE.
Na sua intervenção inicial, Erdogan abordou ainda a guerra na Ucrânia, afirmando que partilha a “visão de paz” do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e garantiu que a Turquia vai continuar a apoiar a Ucrânia.
“Ao mesmo tempo que fazemos isso, estamos também a tirar partido dos nossos canais de comunicação para encaminhar a Rússia para a paz”, disse.
No que se refere ao Irão, o Presidente turco disse “apreciar profundamente a posição firme” de Donald Trump, “ao garantir que a crise iraniana entre numa trajetória de resolução, apesar das tentativas de sabotagem”.
“Para além dos nossos esforços diplomáticos, estamos prontos para dar o contributo necessário para desminar o Estreito de Ormuz”, disse, agradecendo ainda a ajuda dada por países como os Estados Unidos, Espanha, Alemanha e Itália, que destacam sistemas de defesa antiaérea para a Turquia após o país ter sido alvo de ataques de ‘drones’.
O Presidente turco abordou ainda o conflito entre Israel e a Palestina, reiterando que a “chave para uma paz duradoura no Médio Oriente é a solução de dois Estados”.