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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, realçou esta quarta-feira que Portugal está numa “trajetória de cumprimento” dos objetivos assumidos na NATO, esperando que os seus interesses no âmbito da “segurança marítima” do Atlântico sejam acautelados pelos restantes aliados. Montenegro mostrou-se convicto de que a integridade territorial da Dinamarca não “está em causa”, apesar da insistência de Trump e, acrescentou que o presidente dos EUA não guarda rancor para com a Aliança.
“Portugal está à altura da sua responsabilidade enquanto parceiro e, naturalmente, também espera que, no âmbito da Aliança, os nossos interesses possam ser acautelados, nomeadamente no que diz respeito à segurança marítima, que é uma área na qual temos redobrado empenho na defesa do nosso território, e também na defesa do interesse de toda a Aliança Atlântica”, realçou Luís Montenegro, à chegada à cimeira da NATO, que decorre em Ancara, capital da Turquia.
O chefe do executivo salientou que esta “centralidade atlântica” é “prioritária” para Portugal.
Na opinião do primeiro-ministro, esta reunião de chefes de Estado e de Governo dará “sequência ao reforço do pilar europeu dentro da NATO e dos compromissos de investimento de todos os países da Europa, no âmbito do qual Portugal tem vindo a assumir também a sua responsabilidade”.
O governante realçou que Portugal terminou o ano de 2025 cumprindo o objetivo de ter um investimento em Defesa superior a 2%, que se fixou nos 2,01%, salientando que tal só foi possível “através de um esforço adicional”.
“Estamos numa trajetória de cumprimento, o que acontece pela primeira vez desde 2014. Isso significa que, a par daquilo que são as nossas missões e a integração em muitas operações no âmbito da NATO, como acontece hoje na Roménia, na Eslováquia, na Lituânia”, enumerou.
“E ficamos também muito satisfeitos por esta cimeira adotar com prioridade exatamente essa mesma política”, acrescentou.
Montenegro antecipou que nesta reunião de alto nível será assumida “a unidade da Aliança Atlântica e o respeito e a manutenção da prevalência do artigo 5.º enquanto elemento absolutamente crucial da solidariedade e da partilha da política de segurança e Defesa de todos os 32 Estados-membros da NATO”.
Montenegro convicto que integridade da Dinamarca “não está em causa”
Em declarações aos jornalistas na cimeira dos chefes de Estado e de Governo da NATO, Luís Montenegro frisou que, se a Aliança tem um compromisso de “garantir a integralidade territorial de todos os Estados-membros da NATO face a países externos e terceiros”, isso também se deve aplicar a casos internos.
“E creio que, independentemente das declarações e do contexto em que elas foram proferidas, não estará em causa, de maneira nenhuma, a integralidade territorial de nenhum Estado-membro da NATO, incluindo, naturalmente, a Dinamarca”, afirmou.
Questionado se manifesta assim solidariedade com Copenhaga, após Donald Trump ter esta terça-feira, à chegada a Ancara, novamente insistido que a Gronelândia deve pertencer aos Estados Unidos, Montenegro respondeu: “Solidariedade com Copenhaga, solidariedade com o princípio de salvaguarda da integralidade territorial de todos os Estados-membros”.
“Repito, se o fazemos com um contexto externo, é óbvio que, em primeiro lugar, devemos salvaguardá-lo também no contexto interno”, reforçou.
Interrogado se acha que existe efetivamente algum rancor de Donald Trump para com a NATO, o primeiro-ministro respondeu: “Creio que não”.
“Naquilo que eu já me pude aperceber dos trabalhos até ao momento, não me parece que haja razão para dizer isso”, afirmou.
Os chefes de Estado e de Governo da NATO reúnem-se esta quarta-feira em Ancara, no segundo e último dia da cimeira da Aliança Atlântica que terá como principal foco o reforço do investimento em defesa, nomeadamente dos aliados europeus face a um recuo dos Estados Unidos (EUA), e o apoio à Ucrânia.
A reunião decorre numa altura de tensão entre a Europa e os EUA, com a administração norte-americana liderada pelo republicano Donald Trump a recuar no seu investimento no âmbito da Aliança Atlântica, inclusive com a retirada de tropas do território europeu, argumentando que cabe aos aliados europeus um maior papel na defesa do chamado “velho continente”.