(c) 2023 am|dev

(A) :: Direito de Resposta

Direito de Resposta

Resposta a João Pedro Marques sobre o artigo que escreveu no dia 6 de julho.

Pedro Schacht Pereira
text

O Sr. Marques é um português que escreve no Observador, e que tem a perturbadora particularidade de ter uma obsessão pela minha pessoa. Tendo sido alertado de que ele publicara mais uma prosa incontinente sobre mim, fui ver. Trata-se da crónica do dia 6/7/2026, e é um texto preocupante, pois patenteia o estado anímico instável de quem o assinou. No seu artigo, o Sr. Marques cita um post meu da rede Facebook, do dia 26/6/2026. Cito o post na íntegra:

“Não há absolutamente justificação alguma para a manutenção das caixas de comentários em jornais nas circunstâncias atuais. Servem apenas de pasto para o racismo/fascismo/populismo. O mais das vezes as pessoas nem lêem o artigo, comentam apenas o título ou caixa. Em querendo mesmo comentar, os jornais têm a possibilidade das cartas ao diretor, uma forma de comunicação que estimula a responsabilidade e a ponderação, apesar de ser tb. vulnerável ao populismo; exige, no entanto, maior dedicação e inibe os bots. As interações ou “likes” não podem valer a democracia, a liberdade e a paz.”

Ora, perguntam-se os leitores atentos: por que razão omitiu o Sr. Marques, na sua crónica de ontem, a parte do post em que eu defendo a manutenção da velhíssima e saudável instituição das cartas ao diretor? Será porque tem com a verdade uma relação seletiva, ou receia que os seus leitores descubram que o retrato que ele traça de mim não colhe? A quem pertence a apregoada desonestidade intelectual? Decida o leitor. Outra nota curiosa: acusa-me o Sr. Marques, do alto da sua neutralidade ideológica de vaudeville, de que ataco pessoas de direita. Ora, no post citado, refiro o populismo, mas sem distinguir a posição no espectro ideológico dos que o praticam, sendo claro para mim que ele é transversal a todo o espectro político, mesmo se hoje, e como está documentado, as principais ameaças à democracia vêm do populismo de extrema-direita. Nomeadamente com os ataques censórios a bibliotecas, editores, escritores e delegações escolares nos EUA de Trump, ou as listas de pessoas a abater em Portugal elaborada por um movimento terrorista e recentemente reveladas pelo jornal Expresso, e sobre os quais o nosso cruzado ainda um dia escreverá, supomos.

Entretanto, e sendo que a última vez que publiquei sobre o Sr. Marques um texto na minha página de Facebook foi em 29 de janeiro de 2023, por que razão este incontinente texto agora, a somar-se a outra referência à minha pessoa numa outra crónica das últimas semanas? Só uma cega e insalubre obsessão pode explicar tal dedicação, a somar-se ao gosto pelo Ad hominem. É que, tendo eu bloqueado o Sr. Marques de acesso à minha página há vários anos, só através de um perfil falso ou do recurso a terceiros pode ele ter acesso ao que publico. Para um auto-proclamado amante da liberdade, este espiolhar obsessivo faz muito lembrar as práticas de um regime político que faz parte do caixote de lixo da história, por muito que pessoas como o Sr. Marques gostassem de ressuscitá-lo.