Antes dos argumentos centrais, é necessário fazer dois pontos prévios. Como um bom conservador, sou absolutamente a favor do combate à poluição e da conservação da natureza. O respeito pelo planeta é, para mim, vago. Mas o respeito pela natureza que nos rodeia, onde vivemos, não é. Devemos tratar com todo o cuidado os campos, as serras e as florestas que nos rodeiam, as praias onde vamos e os mares e rios onde mergulhamos. Aliás, sou muito mais uma pessoa do campo do que da cidade.
Em segundo lugar, sou inteiramente a favor das novas indústrias que exploram novas fontes de energia e que ajudam a tratar devidamente o lixo e os resíduos. Aliás, trabalho há muitos anos com investidores nas energias renováveis (uma das apostas mais inteligentes da economia portuguesa) e nas indústrias de reciclagem e tratamento de lixo e resíduos. São, actualmente, casos de sucesso da economia europeia.
Mas sou, radicalmente, contra o histerismo climático, a instrumentalização da ‘ideologia verde’ para combater o capitalismo e a liberdade económica, e o alarmismo apocalíptico das “alterações climáticas”. Sobretudo, considero que as metas para a redução de emissões para 2035, 2040 e 2050 estão a destruir a economia europeia. Sob enorme pressão para cumprir estas metas, as indústrias europeias não conseguem travar o seu declínio. Não só devem reduzir as suas emissões como enfrentam preços de energia mais elevados que os principais competidores económicos como os Estados Unidos e a China. A União Europeia começou a recuar na política climática suicida dos últimos anos. Mas irá a tempo? Possivelmente, para a indústria automóvel europeia, já será tarde.
Além do declínio industrial, a política climática radical levou à dependência da China. Hoje, a transição energética na Europa painéis, das turbinas eólicas, das baterias e dos carros elétricos chineses. Sem esses produtos industriais, não há transição energética na Europa. Os países europeus dependem ainda das cadeias de produção chinesas, nas terras raras, no lítio e no cobre. A continuar assim, assistiremos ao fim das indústrias europeias. Desconfio mesmo que já não seja possível reverter a dependência da China sem uma guerra comercial, que terá custos enormes para a Europa.
Finalmente, o radicalismo das políticas climáticas europeias está a empobrecer os trabalhadores e as classes médias europeias. A maioria dos europeus nunca conseguirá comprar Teslas, ao contrário das elites que gostam muito de exibir as suas consciências verdes. A transição climática na Europa tornou-se um luxo para as classes médias altas e para quem tem dinheiro. Hoje, a indústria alemã perde cerca de 10.000 postos de trabalho por mês. Para onde julgam que vai a maioria dos votos desses derrotados das políticas climáticas? A resposta tem três letras: AfD.
Decadência industrial, dependência da China e empobrecimento das classes médias. Eis os resultados das políticas climáticas europeias.