Sinto que neste Mundial de Futebol se tem falado demasiado de futebol. Certo, percebo que o nome da competição — Mundial de Futebol — indicia que a referida modalidade tem algum peso no evento, mas o meu ponto é o seguinte: qual o interesse de falar de futebol quando podemos falar do telefonema de Donald Trump a Gianni Infantino, solicitando a despenalização de um jogador dos EUA, mesmo a tempo do atleta entrar em campo para ser esmigalhado pela Bélgica?
Eu achei o telefonema óptimo: foi preciso o Trump meter uma cunha ao líder da FIFA para que todo o planeta ficasse escandalizado com os padrões de conduta da entidade que gere o futebol mundial. Sendo que a malta indignada com esta cunha para se desconsiderar um cartão vermelho é, em larga medida, a mesma malta que não passou cartão nenhum a um mundial organizado pelo Qatar. É a nova versão do clássico no jews, no news: no POTUS, no sarrabulhos.
Pena o presidente norte-americano não ter negócios em Portugal. Imaginem que ele telefonava ao Ministro da Justiça a meter uma cunha para resolver um problema burocrático-legal com o diâmetro do buraco 6 de um campo de golfe, ou picuinhice que o valha. Bem, o escândalo seria tal, a justiça portuguesa estaria sob tanta pressão, que em dois ou três dias ficava logo resolvida a Operação Marquês. Com José Sócrates a sair absolvido, claro. E indemnizado, forte e feio, pelo estado português.
Mas para já — e enquanto esperamos pelas exibições do CR7 no mundial de 2030 — é torcer pela Noruega dos nossos Schjelderup, Aursnes e bacalhau. Principalmente por causa da entretanto famosa celebração dos noruegueses, que consiste em simular Vikings a remarem. O México 86 apresentou ao mundo a famosa hola, este mundial tornou famoso o estilo de navegar escandinavo de há mais de mil anos, que tinha como único objectivo chegar a qualquer lado, chacinar quem quer que lá estivesse, e pilhar tudo a que se deitasse mão. Tu queres ver que, qualquer dia, também nós podemos voltar a celebrar os nossos Descobrimentos!? Eh! Que exagero! Calma. Também não abusemos.
Mais ou menos a propósito de remar, quem rumou aos Estados Unidos para marcar presença em jogos da seleção por três vezes foi Luís Montenegro. Quem dera ao Gonçalo Ramos ter marcado presença em tantos jogos da seleção como o primeiro-ministro. Incrível, o nível competitivo de Montenegro. E não menos incrível é a pouquíssima coisa que, pelos vistos, tem para fazer no seu posto de trabalho. Imagino a inveja com que ficou, por exemplo, o Trincão, que também foi ao Mundial só para assistir aos encontros, mas ainda por cima ficou num lugar muito pior para a leitura de jogo.
E por falar no jogador da Seleção que tem o nome mais parecido com o do afluente que, em Sacavém, desagua no rio Tejo, a água faltou em Almada durante vários dias. Terá sido por causa do calor? Terá sido pelo excesso de turistas? Diz o bom senso que não devemos atribuir à meteorologia ou à demografia aquilo que pode ser atribuído à péssima gestão de socialistas e comunistas — passe a redundância — naquele concelho. E é por isso que o bom senso tem lá o “bom”. A verdade é que assim que a Câmara de Almada juntar a estas faltas de água umas faltas de luz, o concelho estará em perfeitas condições para competir com os seus comparsas de Cuba no prestigiado segmento de slum tourism.
Isto se Cuba durar muito mais, que se depender de Presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, e da sua “Lei dos Netos”, em breve o número de cubanos que embarca rumo à Flórida não se vê nem ao microscópio comparado com os cubanos que embarcarão rumo a Espanha, já como novos cidadãos espanhóis militantes do PSOE, para substituir os tinhosos dos espanhóis mesmo de Espanha que insistem em não querer votar no socialismo.
Enfim, eu não sou especialista em teorias da substituição, mas o facto é que de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento, nem boas substituições. É pôr os olhos em Pedro Sánchez e em Roberto Martínez: o Martínez teimou em não querer substituir portugueses cansados e o Pedro Sánchez não descansa enquanto não substituir todos os espanhóis que não votam PSOE.