“Estamos preparados para o que vem a seguir?”, questionou o diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), Hans Kluge, que alertou esta terça-feira que a Europa poderá enfrentar “semanas ainda mais mortíferas” devido ao calor extremo, à medida que uma nova onda de calor se forma sobre o Atlântico. Segundo a organização, Portugal e o sul de Espanha poderão registar temperaturas de até 43 graus nos próximos dias, enquanto França e os países do Benelux se preparam para uma nova vaga de calor. Devido ao “contexto urgente”, foi convocada uma reunião de emergência com mais de 130 participantes.
“Devido a este contexto urgente, convoquei ontem uma reunião de emergência sobre o calor extremo, que reuniu representantes de 41 Estados-Membros da OMS/Europa, bem como da Comissão Europeia e de vários grupos da sociedade civil. Com mais de 130 participantes, foi um sinal claro de quão seriamente os países estão a tratar o calor extremo como uma emergência de saúde pública, e não apenas como um evento meteorológico”, afirmou Kluge em comunicado.
Kluge afirmou ainda que os planos de ação para proteger a saúde durante períodos de calor extremo “salvam vidas”, apontando várias medidas adotadas por países europeus. Entre os exemplos que o diretor regional da OMS deu estão o sistema italiano de monitorização da mortalidade em tempo quase real, as campanhas de comunicação sobre riscos para a saúde desenvolvidas em Espanha, o reforço das proteções laborais na Áustria e a ativação do nível máximo de alerta na Bélgica.
“Estes exemplos são importantes porque são replicáveis. As ferramentas existem. A base de evidência é sólida. Quando os planos estão em vigor e são testados antes de uma crise, salvam vidas”, afirmou o diretor regional da OMS. No entanto, Hans Kluge diz que “nem metade dos Estados-Membros da Região Europeia da OMS possui um plano nacional de ação para a saúde em situações de calor” e acredita que muitos não reconhecem que estão em risco, mesmo quando é dado um “alerta vermelho”.
Entretanto, a OMS diz estar a apoiar vários países europeus, numa altura em que os esforços se concentram em corrigir as falhas identificadas nas últimas semanas e em preparar os sistemas de saúde para responder de forma mais eficaz a futuras ondas de calor extremo.
IPMA afasta, para já, cenário de calor extremo em Portugal
Em declarações ao Azul, do jornal Público, o meteorologista do IPMA Jorge Ponte sublinhou que o alerta da OMS deve ser interpretado no contexto do conjunto da região europeia, não significando que todos os países venham a enfrentar condições semelhantes. Apesar de uma nova vaga de calor poder atingir várias áreas do continente, as previsões atuais apontam para que Portugal fique, pelo menos nesta fase, afastado das temperaturas mais extremas, pelo menos durante o fim de semana e na primeira metade da próxima semana, registando valores mais próximos da média habitual para esta altura do ano.
Segundo o meteorologista, uma depressão em altitude localizada a noroeste da Península Ibérica deverá promover a entrada de ar marítimo proveniente do Atlântico, contribuindo para temperaturas menos elevadas.