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Para muitos é apenas uma coincidência histórica, para alguns pouco mais do que uma curiosidade. Contudo, aquele Suíça-Colômbia a 26 de junho de 1994, no Stanford Stadium (Califórnia), seria bem mais do que isso. Aí, já com as duas equipas sem aspirações de chegarem à fase seguinte do Mundial, Pacho Maturana, técnico dos cafeteros, não teve dúvidas em voltar a apostar naquele jogador que tivera a pior noite no jogo anterior, Andrés Escobar, marcador de um autogolo na derrota frente aos Estados Unidos. Menos de uma semana depois, estava morto, estendido no chão de um parque de estacionamento junto a uma discoteca com seis tiros dados ao mesmo tempo que o homicida gritava “golo, golo, golo”. Já foi há 32 anos mas uma entrevista do irmão ao The Athletic na semana passada voltou a fazer com que parecesse ser há muito menos tempo.
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Tudo se passou perto da porta de um espaço noturno em Medellín. Escobar, defesa do Atlético Nacional que teve essa infelicidade contra os norte-americanos mas que não deixou de ser um indiscutível da sua equipa, envolveu-se numa discussão com os irmãos traficantes de droga Santiago Gallón Henao e Pedro David Gallón Henao. Tinham perdido muito dinheiro em apostas ilegais por aquele autogolo. Humberto Muñoz Castro, motorista dos barões da droga, matou ali o jogador à queima-roupa, num crime que chocou o mundo e que mergulhou a Colômbia numa reflexão sobre o poder do narcotráfico na sociedade. Todos passaram ao lado da desilusão desportiva de uma seleção que Pelé chegou a apontar como “favoritaça” à vitória final em 1994, porque o futebol não deixa de ser a coisa mais importante entre as coisas menos importantes da vida. Afinal, quatro anos depois, não foi diferente, em França. Seguia-se um hiato de 16 anos sem presenças.
https://observador.pt/2026/07/04/queda-de-maradona-assassinato-de-escobar-e-um-brasil-entre-senna-e-o-voo-da-muamba-as-historias-do-mundial-de-1994-que-valeu-o-tetra/
Em 2014, no Brasil, a Colômbia aparecia com uma das gerações com mais qualidade de sempre. Não tinha propriamente elementos muito “carismáticos” como Higuita, Valderrama, Asprilla ou Rincón, entre outros, mas apresentava nomes como James Rodríguez (então no Mónaco, após brilhar no FC Porto), Teo Gutiérrez, Jackson Martínez, Fredy Guarín, Quintero ou Yepes, a que se juntaram quatro anos depois Radamel Falcão, Davinson Sánchez, Yerri Mina ou Uribe. Não deu para chegar aos quartos como em 2014 mas ficou quase uma “ameaça” que não se confirmaria, com os cafeteros a falharem a presença no Qatar antes de voltarem a uma fase final de novo com peito cheio e prontos para serem a maior surpresa da competição. Para isso, na verdade, faltava apenas uma partida (num patamar onde se juntaria à Noruega). Mas havia uma Suíça.
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Eram estilos diferentes, conceitos diferentes, ideias diferentes e um duelo que prometia ser um dos mais equilibrados dos oitavos de final, mesmo com essa baixa de peso de Johan Manzambi que tem sido a grande figura dos helvéticos na competição. Vancouver dizia adeus aos jogos do Mundial, alguém iria dizer olá aos quartos com a Argentina. Nem mesmo a questão de haver uma base mais ou menos consolidada podia entrar na equação, tendo em conta o passado recente de ambos os conjuntos e respetivos treinadores.
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Dentro do que se previa, entre mais uma enchente de loucos de adeptos colombianos ao Canadá (e não, não é apenas ilusão de ótica pelo amarelo das camisolas), o encontro foi marcado pelo equilíbrio e pela luta a meio-campo das duas formações, que se conseguiram soltar uma primeira vez já depois dos 20 minutos iniciais numa jogada com toques curtos pelo meio entre James Rodríguez, Luis Suárez (de regresso à titularidade) e Luis Díaz antes do remate de Puerta para grande defesa de Gregor Kobel (21′). Estava dado o mote para um assalto à baliza que não ganhou novos capítulos, ao contrário do que aconteceu na outra baliza que teve um primeiro aviso de Rieder para defesa de Camilo Vargas num dos raros erros defensivos dos colombianos (30′) antes de nova tentativa numa transição de Ndoye que ficou nas mãos do guarda-redes contrário (31′). Os minutos passavam, o encaixe era total e nem se percebia ao certo como seria possível desfazer o nó.
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Djibril Sow foi lançado ao intervalo para o lugar de Jashari e a Suíça entrou melhor na segunda parte, com o encontro a ter pela primeira vez uma equipa a assumir de forma clara o encontro entre um resvalar dos duelos para despiques mais acesos que foram valendo alguns amarelos. Rieder teve um livre direto bem colocado mas a passar por cima da barreira ao lado da baliza (53′), Luis Suárez encontrou tempo e espaço na carreira de tiro após um erro de Xhaka mas o remate saiu muito ao lado (62′) e as principais figuras das duas equipas foram entretanto saindo de campo, casos de James Rodríguez, Jhon Arias, Suárez, Lerma, Ricardo Rodríguez, Zakaria ou Embolo. Ndoye ainda teve um remate cruzado na área ao lado mas ninguém evitaria o prolongamento (90′). Os suíços foram melhores na segunda parte mas o jogo foi nivelado… por baixo.
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O prolongamento voltou a começar morno mas, contra aquilo que deveria ser a tendência na teoria, acabou por despertar na sequência de uma bola na trave de Davinson Sánchez, na sequência de um canto de Juan Quintero na esquerda do ataque (99′). Jaminton Campaz, que tentou agitar o ataque colombiano pela ala direita, teve um bom remate para defesa de Kobel (101′), Amdouni entrou e, na primeira vez que tocou na bola na área, atirou para grande intervenção de Camilo Vargas (103′). Continuava a faltar apenas um golo que conseguisse desembrulhar a partida, que nem mesmo depois de um raríssimo erro de Xhaka surgiu perante o remate de Campaz por cima sozinho na área (115′). Tudo seguiria de forma natural para o desempate por grandes penalidades, onde a Suíça foi mais forte para marcar encontro com a Argentina (4-3).
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A estrela
- Rieder fez um bom jogo, Puerta foi um pulmão sem fim, os centrais das duas equipas tiveram exibições limpas e, no meio de tudo isso, o jogo acabou por ser decidido nos detalhes. Aí, Kobel ganhou a Camilo Vargas: no desempate por grandes penalidades, o guarda-redes do B. Dortmund conseguiu travar a quarta tentativa de Cucho Hernández e segurou de vez o triunfo para os helvéticos, já depois de 120 minutos onde, sempre que foi chamado, foi mantendo a baliza a zeros com uma bola na trave pelo meio.
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O joker
- Com vários jogadores titulares a deixarem sinais de fadiga, e com a estrela Manzambi de fora por lesão, houve dois heróis improváveis que não tremeram na hora de bater as suas grandes penalidades: Zeki Amdouni, antigo avançado do Benfica que bateu Camilo Vargas com muita classe, e Cedric Itten, possante avançado do Werder Bremen, que não tremeu com uma conversão ao meio da baliza. Foram eles que estenderam a passadeira para Rúben Vargas, na quinta tentativa, carimbar a passagem.
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A sentença
- A Suíça vai agora defrontar a Argentina no Kansas, na madrugada de domingo (2h), naquele que será o jogo que fecha os quartos de final da prova depois de França-Marrocos (quinta-feira, 21h), Espanha-Bélgica (sexta-feira, 20h) e Noruega-Inglaterra (sábado, 22h). Já a Colômbia, de quem se esperava muito neste Mundial, falha o objetivo de chegar aos quartos como tinha acontecido na edição de 2014.
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A mentira
- Esperava-se muito deste jogo entre Colômbia e Suíça, mesmo partindo do pressuposto que era a partir da solidez defensiva que ambas tentavam explorar depois os seus melhores argumentos. No entanto, era complicado prever que o encontro tivesse tão poucos motivos de interesse durante 90 minutos, com um pormenor que ajuda a explicar e muito aquilo que foi o nulo no tempo regulamentar para o primeiro prolongamento dos oitavos: não houve qualquer remate dos dois conjuntos desde os 63’…
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