O Presidente norte-americano, Donald Trump, voltou à carga sobre a Gronelândia. Após meses sem falar sobre o assunto, o chefe de Estado defendeu, esta terça-feira, que deviam ser os Estados Unidos da América (EUA) — e não a Dinamarca — a “controlar” a maior ilha do mundo.
“A Gronelândia não ajuda a Dinamarca. A Dinamarca não gasta dinheiro para realmente ajudar a Gronelândia”, disse Donald Trump, num encontro em Ancara, onde está para a cimeira da NATO. O território que pertence à Dinamarca é uma “parte importante para os Estados Unidos e está rodeado por navios chineses e russos”.
Donald Trump admitiu mesmo que o assunto da Gronelândia “prejudicou a relação com a NATO”, lembrando ainda “todo o dinheiro” que os EUA gastam a proteger a Europa “da Rússia”.
Numa entrevista ao canal de televisão TV2, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reiterou esta terça-feira ao Presidente norte-americano que a Gronelândia “não está à venda”. “Dissemos isto claramente desde o início. Os gronelandeses não querem fazer parte dos Estados Unidos. Eles próprios deixaram isso claro”, disse a líder dinamarquesa.
“Temos boa cooperação com os Estados Unidos em matéria de segurança no Ártico. Queremos expandi-la. Também temos um grupo de trabalho que está a analisar precisamente esta questão neste momento”, enfatizou Mette Frederiksen, sublinhando que a Dinamarca já atinge praticamente a meta da NATO de investimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para Defesa, pelo que acredita que o foco deve estar nas ameaças externas e não nas disputas internas entre países da Aliança Atlântica.
“Há muitos inimigos fora da NATO. Não precisamos de inimizades dentro da Aliança”, defendeu a primeira-ministra dinamarquesa. Esta terça-feira, a Dinamarca anunciou a aquisição de dois aviões de patrulha marítima P-8 Poseidon dos Estados Unidos, com capacidade para detetar navios de guerra inimigos e submarinos, com o objetivo de reforçar a presença no Ártico e no Atlântico Norte.